
Navegando em um mar de clichês e abusando de frases de efeito sem sentido como, “É preciso um criminoso para pegar um criminoso”, Breakout Kings, a nova série dos mesmos produtores de Prison Break consegue apresentar um episódio piloto longe de ser algo genial, mas que acaba entretendo.
O agente federal Charlie Duchamp (Laz Alonso) é o típico mocinho que segue as regras, é competente, e por isso ele é designado a tirar do papel a ideia de uma força-tarefa composta por bandidos que fugiram da cadeia, foram pegos e agora vão prestar seus conhecimentos para ajudarem a pegar novos fugitivos. A ideia dessa força-tarefa veio de Ray Zancanelli (Domenick Lombardozzi) um policial de passado duvidoso, que age por impulso e não liga para as regras. Ele foi o responsável pela captura dos bandidos selecionados para essa missão. O trato é simples: os bandidos ajudam a polícia e em troca são transferidos para uma prisão de segurança mínima, com mais conforto e privilégios. Para cada fugitivo que eles conseguirem ajudar a capturar, um mês será descontado de suas sentenças. Se eles tentarem fugir voltam para a prisão de segurança máxima e com a sentença dobrada.
Todos sabem que as características dos bandidos recrutados para essa força-tarefa podem ser encontradas em agentes ou policiais. Existem pessoas que trabalham para o governo que conhecem o submundo do crime e pensam como bandidos, e é por isso que a trama da série é completamente absurda e reciclada. Porém, a totalidade dos elementos mostrados nesse episódio, serviu para apresentar algo divertido. Fica claro pela trilha sonora descontraída, pelas piadinhas e pelo roteiro cheio de sarcasmo, que Breakout Kings reconhece o quão absurdo sua proposta é. A série não se leva a sério e isso funciona perfeitamente como, por exemplo, no momento metalinguagem do episódio em que um dos bandidos sugere que a força-tarefa se chame “Breakout Kings”, mas os policias tiram sarro da cara dele por acharem o nome ridículo.
A primeira fuga da série é boa e convincente. Deu para ter aquele “Prison Break feelings”. Tudo que vai precisar para que eu continue acompanhando os episódios é manter a criatividade nas fugas da semana. Alguns personagens conquistam logo de cara, como o gênio Lloyd Lowery (Jimmi Simpson), que é especialista em comportamento humano, mas ironicamente é um troll social que vomita comentários inapropriados e racistas. É como se ele fosse um Sheldon psicopata. É dele também que vem muito do alivio cômico do episódio, e que provavelmente será algo constante na série.
Breakout Kings é uma série com potencial e que vai contar com participações especiais imperdíveis, como a de Mark Pellegrino (Lost, Supernatural) e Robert Knepper (Prison Break, Heroes), que vai reprisar seu papel de T-Bag. Os jornalistas americanos que tiveram acesso aos dois episódios iniciais garantem que o próximo é bem melhor, e como eu me diverti com esse piloto e quero muito ver T-Bag novamente, vou continuar acompanhando Breakout Kings. Minha recomendação é não esperar a trama genial que foi mostrada na primeira temporada de Prison Break e encarar o piloto com bom humor.













