Já há alguns episódios eu venho falando de algumas coisas em HTGAWM: que o roteiro se sustenta e que Michaela precisava de espaço. Nessas duas coisas, nesta semana tivemos o pior e o melhor do episódio. Assim, HTGAWM continua boa, como sempre foi, mas às vezes cansa porque precisa dar elementos para a sua narrativa num episódio didático e sem reviravoltas. Em “Not Everything’s About Annalise” isso aconteceu. Tivemos um episódio de cenas intensas que trouxeram personagens à tela, que retomaram discussões, mas nada além disso. Precisamos ter informações, precisamos ter comprometimento, precisamos ter indícios para que uma série de suspense possa se redescobrir a cada semana e virar uma loucura na nossa cabeça nos seus quarenta e cinco minutos semanais.
Então várias coisas das quais passamos são potenciais plots para o futuro, mas que precisamos passar por essa calmaria agora. Só não sei passar por essa calmaria na reta final da temporada é uma decisão acertada. Mas, se tem uma coisa que já aprendi a não discutir é com o roteiro dessa série. Então precisamos aguentar a cena de Laurel em dúvida se mente para a polícia e salva sua mentora-mor ou se salva o grande amor da sua vida, em detrimento do outro grande amor da sua vida. Essa ação de Laurel precisava, claro, ser desenvolvida no episódio, e não simplesmente ser algo automático. A menina grávida tem sim sentimento por todos os envolvidos nessa confusão.
Agora o que já me mostra grande contentamento é possivelmente Bonnie estar ligada no desaparecimento de Wes, já que é o que a cena final nos demonstra. Outra parte que precisávamos para a compreensão da eterna lealdade de Oliver, é entender que ele é mesmo apaixonado por aquele criminoso que é o Connor, e este por sua vez está em choque e quase louco por tudo que já fez nas três temporadas. Quando Oliver começa a pesquisar sobre Annalise no computador da promotora ele acha um monte de coisa sobre Sam, Emily Sinclair, Lila Stangard, Rebecca e os Hapstalls, percebemos que tudo está ali por algum motivo, que tudo um dia vai ter um desfecho. Pois em cada oportunidade, o roteiro demonstra que está ligado na situação.
Outras coisas que tivemos que aguentar que eu gostaria muito que eles se utilizassem no futuro: Meggy está cavando a sua própria cova em meter o bedelho onde não está sendo chamada, e se ela já percebeu que a coisa aí não cheira bem, porque ela não vai procurar outra coisa pra fazer? (Manda seu currículo pra Meredith Grey amor); porque trouxeram a diretora de volta? Para fazer ainda mais a ruína de Annalise ao fazer aquela sua inimiga de antes ver sua humilhação ao vivo? Ainda acho que as duas têm uma tensão sexual, o que seria inteligente explorar isso, ou ainda mais fazê-la cometer algum crime ou mesmo ser morta. Acho que estão dando muito espaço para uma personagem até então sem necessidade.
Entre confissões convenientes para salvá-la e um banho aterrorizante de Annalise, que depois resultou no fim de seu mega-hair, a cadeia mostra um apelo dramático que há muito não se via. As cenas de Annalise em confronto consigo mesmo sempre rendem na série, e fazem valer a pena assisti-la. Seja com ela descobrindo a traição na primeira temporada, ou nas cenas com a mãe e perdendo o filho na segunda. Isso é muito bacana de construir o viés da personagem e mostrar o porquê ela é assim. Poderosa, fria e plástica por fora. Mas, já sabemos que por dentro tem a alma de uma mulher que sofre, por todos os jeitos e mazelas de ser mulher ou de ter suas vontades, ou de mostrar que é capaz dentro da sua função.
Do mais tivemos mais do mesmo, a edição no começo do episódio mostrando que arrebenta numa série de suspense (Wes conversando com Frank, ele na delegacia e Annalise sendo levada foi um show à parte), tivemos Asher sendo bobo romântico com um sotaque sueco-europeu, Atwood sendo babaca e fazendo Annalise perder o controle. Mas, tivemos algo especial que já falei no começo: Michaela arrasou, ela foi a dona do episódio! Seja falando com a diretora ou com os colegas com propriedade, maestria de uma jogadora de xadrez e astúcia de uma futura advogada, a menina desbancou geral no episódio. E eu que estava com saudade da Michaela de sempre, aplaudi de pé as suas aparições. Show!
PS1. Desculpem o atraso e a review pequena, voltarei ao normal na próxima semana.
PS2. Annalise matou Frank, JFK e Elvis. Odete Roitman, também, querida?













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