Arrow marca outro ponto alto para sua temporada com What We Leave Behind.

É difícil bater o centésimo episódio da série quando ele é o ponto alto da própria existência da produção em seus cinco anos. Mesmo que não tenha conseguido superar em qualidade o show de homenagens de Invasion!, o nono capítulo da atual temporada de Arrow mostrou que a maré de bons episódios não foi um mero acidente, mas sim o resultado de muito planejamento e também da compreensão do que funciona dentro da produção e o que fez tanta falta no passado. Com uma trama bem amarrada e o retorno da adrenalina, momentos marcantes e revelações competentes, o Arqueiro Verde mostrou que voltou para marcar seu território.

Mesmo com a divisão entre vários personagens, o ritmo permaneceu forte. Curtis, contudo, ainda figura como o mais desconectado da trama. Seu problema com o marido é interessante, mas pouco oferece para o que está acontecendo. É um patamar muito baixo para atingir com um personagem que não está disposto a deixar o time. Vê-lo passando por problemas pessoais é interessante, já que usualmente séries do tipo desprezam a vida privada de seus coadjuvantes, mas não representa algo tão impactante assim. Curtis não é uma peça chave, infelizmente. Ele pode ter melhorado muito em sua luta, mas sua posição dentro do time não é relevante a ponto de temer pela sua saída. Aqui sua “ameaça” surge apenas para quebrar outro personagem, Oliver. Não é uma abordagem totalmente justa com o Senhor Incrível e apenas salienta a sua falta de importância.

Outro coadjuvante que nunca me atraiu, mas que já está melhorando é o Wild Dog. Ele realmente é uma peça selvagem dentro do time, mas sua interação com o Diggle está melhorando e muito um personagem que até então servia apenas para instigar revolta através de suas atitudes infantis. Imagino até que a prisão do Espartano irá motivar algo menos sisudo dentro do Cão Selvagem, já que a relação entre os dois é bem próxima da de um pai e filho. Também é ótimo ver como ele se portou ao descobrir que Evelyn havia traído o grupo, outro momento que exemplifica que o personagem é capaz de um sentimento mais amplo do que o mostrado no passado. No fundo Wild Dog é um tipo de ajudante criado para gerar conflito. Quando Arrow revelou que Ártemis seria a traidora, antecipei que um personagem iria assumir parte da importância dela e conseguiria uma história melhor, pensei que fosse Curtis, mas pelo visto será Rene.

Arrow --- What We Leave Behind
Arrow — What We Leave Behind

O ponto chave para a atual temporada de Arrow é o amadurecimento. O comportamento de seus personagens está bem mais maduro do que há duas temporadas, por exemplo. Mesmo com a manipulação do vilão e a criação de momentos fortes como o da morte do detetive, causada pela armação de Prometeus, a decisão do Oliver de confessar sua atitude é um salto se comparado ao que já testemunhamos no passado. Em nenhum momento o Oliver escondeu do time o que fez ou tentou proteger Felicity do impacto do evento, ao contrário, confessou o “crime” e impôs parte da culpa no vilão, mas tomando responsabilidade de sua atitude. E é isso o que tanto esperei de Arrow, um protagonista que cresce.

E o time termina fragmentado, não pelas ações do conjunto, mas pela atitude de um vilão que está saindo melhor do que a encomenda. Claro que ainda existem pequenos traços que reforçam erros de comodidade, como o reconhecimento do movimento do vilão, algo que Oliver aprendeu enquanto esteve na Rússia. Este pequeno traço força um tipo de interação totalmente desnecessária, mas compreensível devido a obrigatoriedade de manter coeso o flashback com a trama recorrente.

A nova ideia de traçar um paralelo com os eventos que ocorreram na primeira temporada é uma excelente maneira de reaproximar o telespectador a um período em que a série funcionava de maneira mais intimista e menos esparsa. Ter vários coadjuvantes é bom até certo ponto, mas Arrow está abarrotada atualmente. Por isso se lembrar do período em que tínhamos apenas Oliver, Diggle e Felicity operando como vigilantes é ótimo. Também é uma maneira de atender a demanda dos fãs que procuram interações mais intimas entre Oliver e Felicity, apesar do potencial para que o casal realmente funcione é praticamente nulo.

What We Leave Behind termina com o mesmo ritmo de seu antecessor, o centésimo episódio da série, Invasion! Muito mais do que relembrar seu período mais forte, a série do Arqueiro Verde está avançando na trama de seu protagonista e impondo um ritmo bem estruturado. Cenas de ação bem construídas e momentos de surpresa sem exposição forçada de momentos repetitivos e de pouca credibilidade também reforçam a nova crescente da série. Estou ansioso para saber como os eventos deste nono episódio se desdobrarão quando a série retornar, até lá, fica aqui a sensação que eu pensei que não teria novamente com a série desde a segunda temporada – satisfação.

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Easter eggs e outras informações de What We Leave Behind

– No bar da repórter do canal 52 existe uma garrafa de Vodka com rótulo russo. É uma ótima maneira de lembrar que ela sabe do período em que Oliver esteve na Rússia e o perigo que ela representa.

Arrow --- What We Leave Behind
Arrow — What We Leave Behind

– Laurel voltou. Não sabemos se ela é uma alucinação, alguém se passando por ela, ou até mesmo uma versão saída de outra Terra, o importante é que a Canário está de volta. Quem sabe pós Flashpoint a Sereia Negra não conseguiu fugir da prisão e foi recrutada pelo Prometeus? Não ligo.

– Uma das opções de filmes escolhidos por Oliver durante seu discurso foi A Felicidade não se Compra. Na verdade, a escolha é uma conexão a sua alucinação em Invasion! quando um homem recebe a visita de um anjo para ajudá-lo a ver uma vida melhor em que ele era feliz.

– Não, Claybourne nunca apareceu durante a primeira temporada da série. Seu nome, porém, apareceu.

– Sim, a caneta também é parte da primeira temporada.

– AK Desmond Pharmaceutical é também uma referência ao Dr. Alquimia, Albert Desmond.

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