Spoiler Alert: Esse texto comenta acontecimentos até o 5ª episódio de Westworld!
Desde a estreia de Westworld, o mundo inteiro (sem exageros!), tem criado teorias sobre a identidade do personagem de Ed Harris, nominado apenas como “Homem de Preto”. Exibido nesta semana, o quinto episódio, assim como alguns anteriores, veio colocar por terra várias ideias mirabolantes a respeito das motivações que levam o pistoleiro misterioso a agir de determina maneira.

No encontro com o igualmente enigmático Dr. Ford (Anthony Hopkins), tivemos uma série de pistas sobre o que realmente está acontecendo naquele universo. Além de nos elucidar diversas questões sobre os dois e apontar uma ligação que, talvez, tenha passado longe da mente da maioria, a cena no saloon demonstrou que os roteiristas não estão para brincadeira: primeiro – por estarmos no quinto episódio e já termos ganhado tantas respostas (muito embora possam ter pensado que dar tantos nós na cabeça do público poderia afugentar a audiência) e – segundo – por entregar uma cena emblemática e reveladora.
O encontro entre o Dr. Ford e o Homem de Preto logo me remeteu a outro momento icônico da televisão, que muitos série maníacos devem recordar. Na premiere da 6ª temporada de Lost, testemunhamos o seguinte diálogo numa praia:

Jacob: Acho que você está aqui por causa do navio.
Homem de preto: Estou. Como eles encontraram a Ilha?
Jacob: Terá que perguntar a eles quando estiverem aqui.
Homem de preto: Não preciso perguntar. Você os trouxe. Ainda tenta provar que estou errado, não é?
Jacob: Você está errado.
Homem de preto: Estou? Eles chegam. Lutam. Destroem. Corrompem. E sempre termina do mesmo jeito.
Jacob: Só termina uma vez. Qualquer coisa que aconteça antes disso é apenas progresso. Homem de preto: Você tem alguma ideia do quanto eu quero te matar?
Jacob: Sim. Homem de preto: Em algum dia desses, cedo ou tarde… Eu vou encontrar uma brecha, meu amigo.
Para mim, foi impossível a partir deste momento não tecer comparações entre as duas séries. Mais do que isso, também teorizar acerca dessas aproximações. Vejamos:
Dr. Ford funcionaria como Jacob, atraindo incautos para sua utopia. E não adianta dizer que os visitantes estão ali por livre e espontânea vontade, uma vez que os Dharma Lovers também estavam. Assim como os passageiros do voo 8115, os visitantes desconhecem as reais intenções daquele que os atraiu até ali.
É curioso comparar as motivações dos Homens de Preto: enquanto o primeiro queria sair a todo custo da ilha, o segundo quer chegar ao Labirinto. Este que poderia ser comparado àquela Fonte de Energia, que tanta polêmica causou. O que será que esse Labirinto esconde?
Os dois pares de homens representam forças opostas que põe em cheque ciência e filosofia na mesma medida, apontando a discussão de que o avanço tecnológico perde a razão quando vem dissociado de um proposito humanista. Ainda que, em ambos os casos, com o pé quebrado.
A preparação para a cena do saloon veio através de outro encontro bastante interessante: Dr. Ford, novamente ele, questionou Dolores (Evan Rachel Wood) sobre as vozes em sua cabeça e o homem que tentava manipulá-la, quando, na verdade, quem o tempo todo orquestra as coisas é o próprio doutor. O mestre das segundas intenções, Ben, sentiria orgulho dele. Os sussurros e a manipulação do tempo também são referências muito claras, para mim, do que aproxima os dois seriados.

O triângulo formado por Dolores, William (Jimmi Simpsons) e Logan (Ben Barnes) também remete a Kate, Jack e Sawyer, nessa ordem. Não quero me referir aos arquétipos que os personagens trazem, mas a tensão entre eles e o modo como as situações são resolvidas. O conflito interno de Dolores, entre o que deve e o que precisa fazer, optando (neste episódio) por ser a dona do seu próprio destino tem muito a ver com tudo o que Kate viveu durante as temporadas de Logan. Além disso, temos Logan resolvendo os problemas com a mesma truculência de Sawyer e recebendo igual tratamento e William lutando contra seus próprios princípios antes de sucumbir à demanda do lugar, como Jack foi paulatinamente sendo doutrinado pela ilha.
Eu poderia delirar mais aqui falando do Menininho que aparece nos diversos lugares quando não esperado (um beijo Waaaaalt); da executiva durona Theresa (Sidse Babett Knudsen), cujas lembranças do passado a fazem voltar ao mesmo lugar onde foi feliz (ou não) com os pais, a exemplo do grupo de cientistas comandados por Faraday; de Richard, o homem que nunca envelhecia e tinha uma expressão robótica(!); dos “carniceiros” dispostos a rebelarem como Desmond; ou ressuscitar os mortos da ilha (o pai de Jack seria um robô?), o tubarão mecânico com logo Dharma (a exemplo dos animais de Westworld) e a concepção da fumaça (sonoramente mecânica e provida de um scanner semelhante aos tablets dos programadores). Mas, não vou…

> Teorias Bizarras de Westworld!
Vou, antes, perguntar: será que as semelhanças entre os dois shows acabam aqui? Vamos abraçar o atual seriado com o mesmo carinho? Veremos!















