O show, o nome da série e alma de Supergirl ainda pertencem a Kara Zor-El. Supergirl teve um ano de estreia um pouco atribulado. Durante sua primeira metade a série experimentou com sua audiência e tentou definir sua própria identidade. Em um canal direcionado para uma audiência mais madura, a adaptação de uma super-heroína icônica precisou trabalhar dobrado para conseguir convergir ritmo e tom adequados para o público que estava sendo direcionada. O caminho não foi fácil, mas a série conseguiu entregar pontos extremamente positivos. O maior deles foi a sensação de esperança, de que existe mais do que apenas histórias centralizadas em tragédias e que, no final, uma super-heroína pode existir para trazer um símbolo mais forte de superação e força, mais do que o de expiação e tragédia, mesmo que estes pontos também estejam envolvidos na história, de alguma maneira.
Com a mudança de emissora, para um canal mais jovem e lar de quatro outras séries adaptadas das páginas das histórias em quadrinhos, Supergirl encontrou o verdadeiro lar que merecia desde o começo. E este clima foi potencializado durante a exibição de The Adventures of Supergirl. Otimista e divertida, a série voltou com extrema força, representada através da audiência, o melhor número da CW em oito anos, mas também trazendo o que deu certo da outra emissora e riscando o que não estava funcionando desde o episódio piloto, e eu estou me referindo a você, James Olsen/par romântico.
A trama deste retorno não foi grande ou complexa. Não tivemos muita coisa acontecendo, mas o que começou a se desenrolar promete garantir tensão suficiente para os próximos cinco episódios, pelo menos. A princípio o que o capítulo inicial fez foi trabalhar para situar possíveis novos telespectadores, inclusive com uma cena de abertura mais detalhada, mas sem utilizar de um didatismo forçado e de certa forma habitual ao começo da série em sua primeira temporada. Na verdade o que assistimos foi uma homenagem ao clássico dos super-heróis, com Supergirl e Superman trabalhando juntos para salvar o dia, sem qualquer vilão grandioso ou história rebuscada.
Tudo o que o episódio fez foi trabalhar de maneira incessante para apresentar o ambiente da nova emissora e também demonstrar para os fãs que começaram a acompanhar a série na CBS, que não existem mudanças drásticas. A série também buscou demonstrar que os erros cometidos no ano de estreia foram percebidos. O DEO recebeu uma repaginada, ficando bem mais relacionável e menos sisudo, e Winn finalmente entrou exatamente onde deveria ter sido incluído, excluindo a necessidade de termos que acompanhar as terríveis cenas no QG tecnológico da CatCo, que convenhamos, não fazia o menor sentido.

Mas a minha principal preocupação após o anuncio de que o primão estaria fazendo uma participação ativa na série da Supergirl, não apenas um vulto como havia sido anteriormente, era a de que ele tomaria muito espaço, afinal, Clark Kent é sim mais famoso do que Kara, por enquanto. Só que de maneira alguma existiu um roubo de espaço ou cena. A série ainda está preocupada em demonstrar que conhece bem o potencial de sua protagonista, assim como o de seus coadjuvantes e Clark aqui nem ao menos funciona como coadjuvante e sim como participação especial, do jeito que deverá permanecer.
A química existente entre Benoist e Hoechlin é grande e faz com que o relacionamento familiar entre os dois seja extremamente sutil e caloroso. E essa química te faz acreditar que realmente aqueles dois personagens dividem uma história maior. E Tyler é competente em traduzir a persona de ambos personagens, Superman e Clark Kent. Existe sempre um grande problema quando o nome é maior do que qualquer outra característica. Henry Cavill até hoje enfrenta a estigma de um Superman pelas metades, tudo graças a imagem história do personagem na mente de quem cresceu acompanhado Christopher Reeve, Dean Cain e Tom Welling no papel de Kal-El. Exatamente por isso, e pela última interpretação criada para o cinema, que o mundo estava carente de uma versão menos carrancuda e mais esperançosa do Super. E nós conseguimos.
Não pretendia discorrer tanto do Superman nesta review, afinal, estamos falando da série da Supergirl, a verdadeira estrela do show, mas neste caso pretendo abrir uma exceção, especialmente pelo que o roteiro de Kreisberg e Queller conseguiu alcançar com aquela que pode ser considerada a versão definitiva do personagem na televisão. Existiu um pouco de história própria no relacionamento entre o Marciano e Superman, especialmente com a informação de que foi Henshaw o responsável por transformar kryptonitaem arma, assim como um pequeno aceno ao passado de Clark e Cat Grant no planeta diário, mas foi a personalidade de Clark e também do Superman que me conquistou como telespectador. Alegre, maduro, conselheiro e com um sorriso no rosto sempre que necessário, era este o super-herói que eu queria ver e que a DC estava tanto precisando para uma das pontas de sua trindade.
O grande ponto de The Adventures of Supergirl é demonstrar que o caminho da evolução ainda não acabou. Todo o ano de estreia da série foi centralizado em demonstrar o caminho tortuoso de transformação de Kara em uma heroína, longe da sombra do Superman e digna da alcunha de Protetora do Planeta. Neste, a presença de Clark é utilizada de maneira inteligente, e o último filho (homem) de Krypton aparece para ajudar a prima, não a ser uma heroína, porque isso ela já é, mas sim para trazer conselhos de como combinar a vida de super-heroína com a pessoal, algo que o senhor Kent parece ter dominado.
E o retorno de Supergirl atingiu com sucesso todos os objetivos que criei quando comecei a assistir a série. Uma produção preocupada em trazer o espírito de super-heróis, mas sem impor um tom drástico e pesado, Supergirl expos o potencial que tem para criar boas histórias. Aliada a um elenco com grande química e a inclusões válidas, como a de Lena Luthor, a produção mantém seu status como uma das melhores adaptações de uma personagem saída de uma história em quadrinhos. Estou extremamente ansioso para continuar acompanhado as aventuras de Supergirl e se o ritmo e qualidade permanecerem como está, neste que classifico como um dos melhores episódios da série, sei que não me decepcionarei.
Easter eggs e outras informações
– Adventures of Supergirl é uma homenagem ao título Adventures of Superman, que já teve sua versão na televisão, quadrinhos e até mesmo rádio. Este também é o título de uma série de revistas em quadrinhos publicada pela DC Comics e que fez conexão direta com a série, além de ter um time rotativo de artistas para cada número. Recomendo a leitura.
– Enquanto Alex apresentava o novo quartel general do DEO ela mencionou que a casa nova era parecida com a anterior, mas talvez melhor. Essa foi uma suave maneira da série de reconhecer sua nova emissora, a CW.
– Durante a primeira temporada enquanto voava James para a Fortaleza da Solidão, Kara ouviu do amigo que ela era mais rápida do que Superman. Duas vezes durante o episódio ela chegou primeiro que o primo quando era necessário.
– Supergirl ganhou um novo logo durante as transições de cenas.
– Como mencionado na review e em maiores detalhes aqui, The Adventures of Supergirl registrou a maior audiência da CW neste horário em oito anos para a emissora.
– A nova assistente da Cat atende pelo nome de Teschmacher, nome saído diretamente de Superman: O Filme e Superman II, da assistente de Lex Luthor.

– Falando em Luthor, tivemos também o debut de Lena Luthor em Supergirl. Nos quadrinhos ela também é irmã do Lex e em um arco chegou a ser escondida pelo vilão, enquanto estava em uma cadeira de rodas. Smallville também teve sua versão da personagem, chamada Tessa, ou Lutessa Luthor, também conhecida como Tess Mercer, nome criado por causa da assistente do Lex e mencionada no easter egg acima.
– No começo do episódio Clark está em uma banca com o logo do Planeta Diário, nome do jornal onde ele trabalha em todas as versões do personagem na televisão, quadrinhos e cinema.
– “Este parece ser um trabalho para… nós dois”. A famosa frase já havia sido utilizada antes na série, para fazer referência a Supergirl. Utilizada principalmente nas histórias clássicas do Superman, dessa vez ela foi empregada para os dois.
– Este episódio marca o primeiro encontro live action entre a Supergirl e o Superman. Smallville não conta porque lá o Clark ainda atendia pelo nome de Borrão.
– Winn fala de um encontro entre o Lex e o Superman e o terremoto na Califórnia. Esta é uma referência ao filme Superman, de 1978. Aquele em que a Lois morre por causa do terremoto e o Superman gira o mundo ao contrário e volta no tempo.

– O começo do episódio acontece imediatamente após o último da primeira temporada, Better Angels. Nele é possível ver um misterioso homem em uma nave similar a da Kara. Foi revelado pelos produtores da série que este é Moon El. Moon El é membro da Legião de Super-Heróis e tem poderes similares aos da Supergirl e do Superman, com a diferença de que kryptonita não é a sua fraqueza.
– John Corbin, o homem que tentou matar Lena, atende pela alcunha de Metallo, um dos clássicos vilões do Superman e que utiliza no corpo uma bateria feita de kryptonita.
– Foi feita uma menção a Gotham, cidade do Batman.
– Kasnia e Corto Maltese também ganharam um aceno. Dois nomes conectados a série do Arqueiro Verde, Arrow.















