O cenário deixado pelo final da temporada de The Strain não era nada animador para seus protagonistas. Os que estavam namorando ficaram solteiros, os que tinham um plano, viram-no fracassar e as mortes dos personagens deram o tom durante quase toda a season. Apontamos os problemas relativos à produção pela falta de harmonia entre o que era dito na série com o que de fato acontecia. Nova Iorque debaixo de uma epidemia/invasão de zumbis-vampiros e não se via população, imprensa, confusão na mesma proporção do caos. Uma vez ou outra, durante um ou dois episódios, eles davam uma carregada na tinta e éramos capazes de tentar imaginar que tudo estivesse na mesma proporção: medo versus imagem, texto versus atuação e por aí vai.
Em “New York Strong” a modorrência dos episódios que timbraram a segunda temporada continua. Esse timing não é bem o que se espera do plot principal, tão repetido nas reviews e tão óbvio visualmente. Ora, ora, estamos falando de uma série de terror que tem as mãos de Guilhermo Del Toro, um quase especialista em realidade fantástica. O mesmo cara responsável por filmes como “A Espinha do Diabo”, “O Orfanato” e o aclamado “O Labirinto de Fauno”, portanto não estamos falando de um iniciante que não sabe lidar com o gênero.
Início de temporada e os personagens estão com seus dramas, cada um lidando da sua maneira: Fet entusiasmado por sentir-se responsável na tentativa de erradicar o mal nova-iorquino; Setrakian querendo decifrar o Lumen para enfim destruir o Mestre e … Eph, enchendo a cara porque perdeu o que tinha de mais precioso: tudo. Ex-esposa, namorada e filho, nesta ordem. O último ao menos parece trabalhar naquela fórmula (um plot meio esquecido, meio jogado) que pode ajudar no tratamento dos zumbis sem acabar com a vida deles de maneira terrível, mesmo que pareça que isso já tenha acontecido. Ainda temos nossa Justine utilizando os seus recursos políticos e bélicos municipais para, tal qual uma dedetização (por isso tem o apoio de Fet) banir todos os ratos da cidade. Ah! E não podemos nos esquecer do nosso querido Gus, responsável até então por cuidar da sua mãe, em sua própria casa, dando seu sangue, de forma literal. Não teve coragem de descartá-la mesmo mediante a crise atual. Embora seja bastante surreal (e o que não é em The Strain) acredito que esse núcleo deveria receber um tratamento melhor. Sigamos.
E aí você pode me perguntar: É esse o seu review? É assim que você diz para mim sua opinião sobre este primeiro episódio depois das expectativas (ou não) que eu criei após uma temporada completamente irregular como foi a última?
Mais ou menos…
Houve uma preocupação da direção e uma ação em volta de um problema e isso fica bem claro em “New York Strong”. Como disse no início: para uma cidade com o tamanho de Manhattan, que tem seus pequenos bairros tanto no norte como no sul, conforme eles fazem questão de frisar a cada movimentação de personagens, era preciso contar essa história de maneira muito mais visual que havia sido feita até a segunda temporada. Uma cidade está em caos e não um grupo de personagens em cima de um palco de teatro. Isso melhorou. Se a dinâmica permanece muito aquém do que se deseja de uma série da FX, a percepção de que a atração precisava de mais gente, foi compensada. O pessoal do RH contratou mais elenco secundário e Setrakian logo no início trata de nos situar fazendo um resumão desde o acidente de avião. E ficamos nisso.
Creio já ter dito – e espero não ser repetitivo – que mesmo sem ler os livros que inspiraram a adaptação televisiva, que existe alguma chance de eles quererem implementar este ritmo literário durante a exibição da série e só isso poderia explicar a presença do Strigoi entre os anciões em uma cena que pouco se acrescenta. Também fiquei “meio que sem entender” porque ele seria responsável por praticamente dizimar o pequeno pelotão dentro da igreja. Convencer Fet de que “tecnologia não pode ser usada contra os Strigois”? Por que matar tanta gente que – de uma maneira ou de outra – poderia ser útil no combate massivo do crescimento dos zumbis? O que me deixa triste é saber que dificilmente essas perguntas terão resposta em “Bad White” e que o foco poderá ser desviado para uma missão que o alcooholic Eph tem que cumprir: resgatar seu filho, trocando-o pelo Lumen.
Por fim: como assim a ex-senhora Goodweather explica de maneira racional que há ainda um pouco da antiga Kelly dentro dela? Ok, eu entendo que o Mestre se utilizou da ligação dela com o cientista para utilizá-la neste plano, mas são justamente essas coisas que no meu entender não fazem sentido em uma série de horror/terror. Por que o Mestre, do alto do seu poder e glória, negociaria com humanos tão frágeis?
3×02: Bad White

Menos pior, bem melhor do que sua estreia na terceira (e eu acho derradeira) temporada, “Bad White” descortinou algumas possibilidades para simples trama ali explanada. Como eu havia dito, muita coisa ficaria sem resposta e uma delas é porque Quinlan seria o responsável por dizimar aquele pelotão dentro da igreja. E mesmo que você diga que é uma questão “estratégica” para que todos possam unir-se ao “Strigoi do Bem” para combater o Mestre, eu acho esse motivo bem fraco e repito o argumento referente à “New York Strong”: os caras são quase de outro planeta. A força e a inteligência que eles são capazes de exercitar estão bem acima da raça humana com todos os seus recursos e isso foi inclusive endossado por ele em sua conversa com Fet, quando disse que tecnologia não iria deter o Mestre.
Vimos inicialmente Fet desesperado, alguém que quer tentar reparar seus possíveis erros recuperando o Lumem para ter seu filho de volta e dar um grande “dane-se” para o mundo. Acontece que as coisas não são tão simples assim e ele sabe disso. Não adiantou muito jogar informações sentimentais no colo de Setrakian e Fet, pois, mesmo os comovendo, o que se viu foram duas pessoas irredutíveis de seus caminhos. Especialmente após o fracasso da força-tarefa, Fet se mostrou mais sensível em tentar entender o livro que pode derrotar o Mestre do que voltar à tática “mata-rato” (correndo pelos esgostos de Manhattan) atrás dos zumbis mais poderosos.
Também assistimos o retorno de Dutch, mesmo que ele tenha sido assim, “sei lá entende”. O pessoal do FX quis mostrar pra gente, através destes pequenos bandos, que sim, Nova Iorque está de cabeça pra baixo e que por isso as pessoas estão furtando e invadindo residências para conseguir mantimentos, roupas e algum dinheiro. Pode ser que a audiência enfim tenha se convencido do status quo porque o cenário apocalíptico traz um cadinho mais de credibilidade a história que está sendo contada. Mesmo assim, quis entender porque um plot tão tipo, “temos que arranjar um jeito de te colocar lá de novo”. Esse vai e vem não faz bem às tramas principais por um motivo muito simples: eles não contribuem com nada. Por exemplo: eu gostaria de ver mais da negociação entre Setrakian e Eldritch. Ao menos para mim está bastante claro que ele ficou arruinado com a morte de Coco, além de estar com seus recorrentes problemas de saúde. A história dele é legal, o plot é atraente. E o “velho” – ao menos em princípio – não gosta muito de negociar, mas porque resolveu desconfiar do mandatário da Stoneheart? Simples: ele nunca foi confiável, porque poderia acreditar nele agora?
Aí vem o David Weddle (roteirista do episódio) e insere mais elementos nonsense neste contexto – um deles foi arranjar um alívio para nosso “caça-rato”. Por que? Para justificar um triângulo amoroso possível entre ele, a agente e a hacker? As premissas que envolvem o enredo de The Strain não envolvem relações amorosas que não sejam, senão sutis, mas apenas como para nos lembrar que elas estão sensíveis e podem ter suas crises como quaisquer pessoas. Minha crítica é sobre o momento clichê: aquele cenário do bar e “do nada” vem alguém e puxa assunto e uma troca de olhares já é suficiente para uma “cena de amor” (com todo eufemismo que possa reduzir a utilização sexual de uma moça naquele estágio) que em NADA acrescentará nos plots principais de The Strain. Desperdício mais uma vez.
Tá, Daniel, levante aspectos positivos deste episódio.
Confesso: o Quinlan, apesar da participação diminuta, me deixou curioso e instigado para acompanhar a temporada e o motivo é muito simples: o fato dele não deixar bem claro se tudo que ele realmente quer é derrotar o Mestre. Afinal de contas, tirando o puxa-saco do Eichorst, todos querem, por motivos diferentes, derrotar o vilão dessa história. Só que na minha humilde opinião, mesmo que a morte da sua família tenha lhe alimentado um enorme espírito de vingança, ainda tem caroço neste angu.
Se eu achei forçoso o diálogo entre ele e Eph? Sim, como tudo que na prática a produção de The Strain entrega. Falta a naturalidade e habilidade de cuidar de um roteiro que não trata da rotina de amigos dentro de um prédio onde são vizinhos. É como se fosse cuidadosamente desleixada.
Quanto ao filho do Eph e da Kelly, ele continua sendo o pé no saco que é desde a primeira temporada. Um personagem sem qualquer tipo de empatia, em que boa parte do público quer que ele morra ou que vire zumbi. Sua atuação é tão distante do que The Strain mereceria que a ausência de identificação com a personagem do ator deveria ser responsável pelo seu sumiço Aliás, Max Charles é o segundo Zach. Ben Hyland não segurou a onda e pelo jeito não é nem mais ator, já que sua última atividade cênica é mesmo em The Strain ainda em 2014.
Como eu já disse, não acredito que o FX alongue The Strain para uma quarta temporada e nossas esperanças se curvam para que nos últimos 5 episódios (são prometidos 10 até o próximo dia 30 de outubro) sejam tudo que a série não foi desde o início – salvo alguns momentos: interessante e conquistadora.














