Um é pouco, dois é bom, três é bom demais.
Desde os primeiros episódios de Mr. Robot, quando desvendamos que não se tratava de uma simples série de hacker introspectivo justiceiro, mas sim de um thriller político-econômico mundial, sob a perspectiva de um hacker esquizofrênico revolucionário e seu grupo anarquista, a parte mais divertida da série foi especular o que seria realidade e o que e quem era somente uma projeção da mente do protagonista.
Quando todos imaginavam, que esse assunto estaria encerrado e Edward Alderson seria a única personalidade de Elliot, descobrimos que existe uma terceira. Os últimos cinco minutos dos episódios serviram para abrir uma enxurrada de especulações em torno de quem seria essa nova persona. Uma dica: os criadores da série disseram que ela sempre esteve por aí. Assim, os suspeitos foram sendo eliminados.
Os Suspeitos
Minha primeira aposta era Darlene. Na segunda vez que estava assistindo o episódio, fica clara a intenção de nos fazer acreditar nisso, quando em todas as cenas que Elliot e a irmã contracenam com outros personagens, estes sempre se dirigem somente a um deles. Na casa de repouso, no banco ou na funerária. Talvez a única exceção seja a encarnação do Kevin McCallister (homem de gelo) que em momento algum estranha o (suposto) monólogo.
Até mesmo a conversa em que ela revela que conhecia Susan Jacobs poderia ser uma alegoria à dedução de Elliot, que a irmã teria assassinado a Diretora da E Corp. Contudo, o que realmente descarta Darlene, é a última cena, na qual um Elliot criança está com sua mãe numa, na “Sala de Reunião dos 1% dos 1%”. Ali, ela diz que ele não deve estar sentado à mesa porque “Ele não está pronto ainda. Temos que esperar”. Elliot questiona se seria Mr. Robot ou Elliot. E ela responde: “For HIM. The other one”. HIM = Ele (acho que fui didático agora, rs).
Ou seja, nem Darlene, nem qualquer outra mulher pode ser a outra personalidade de Elliot. Assim, Angela, Shayla, a mãe, etc, caem fora do páreo.
Como voltamos para a “Sala 1%”, temos que voltar os olhos para Tyrell Wellick, meu suspeito favorito. Temos que lembrar que foi exatamente nessa sala que Tyrell contratou o, ainda, técnico de segurança, na primeira temporada. Esta sala, que agora sabemos que é o cenário de interação na mente perturbada de Elliot.
Eu passei a terceira temporada toda a terceira temporada toda defendendo que Tyrell era um alter ego pelo estranho relacionamento entre os personagens. A cena do restaurante e banheiro na Steel Mountain entre os dois na primeira temporada deflagrava que existia algo de estranho no seu relacionamento. Mas, quando tudo apontava para isso, Tyrell é resgatado como refém e se torna o CTO da E Corp. Seu rosto é exibido em cadeia nacional e seu nome é de conhecimento público. Ou seja, é impossível ele ser imaginação de Elliot.
Exceto se, ele existir de verdade e for um alter ego ao mesmo tempo. Loucura? Pode ser, mas eu não descarto essa possibilidade. Ao mesmo tempo que existe um Tyrell público, existe outro que acompanha e toma o controle de Elliot sem que este tenha conhecimento. E, em muitas cenas, vimos este Tyrell, mas na verdade, era o Mr. Alderson. Confuso, heim?
A Aposta Certeira
Enfim, eu acredito em outra teoria bem mais tresloucada. Um personagem que acompanha Elliot desde o primeiro episódio é o Friend. Ele não tinha rosto, até o final do episódio passado, quando um capangas de Price dopam Elliot para que este tenha uma overdose e morra. Este capanga aparece com a imagem de Sam Esmail e ao cometer o assassinato, diz a Elliot: “Goodbye, Friend”, deixando todos sem entender nada.
A minha teoria sobre isso é a seguinte, sempre achamos que Elliot quebrava a quarta parede e estava conversando conosco, nas primeiras três temporadas da série. No entanto, se isso fosse verdade, ele começaria com Hello, Friends, no plural, mais ou menos como Frank Underwood, fazia. Friend, nesse caso seria um Amigo Imaginário, que ele via e conversava e tinha até aparência física, que agora sabemos ser, do criador da série Sam Esmail. Nos segundos finais da vida, Elliot projetou a imagem do seu melhor amigo no seu assassinou e imaginou estar ouvindo as palavras “Goodbye, Friend”, que nunca foram proferidas.
O problema, é que, tal qual Mr. Robot, o Friend, também se cansou de só agir passivamente, escutando o que o piloto tinha a confidenciar. Passou a tomar o controle da máquina e, num desses momentos, escutou de Darlene que Vera tinha voltado à cidade. A grande questão é, o que mais ele teria ouvido?
Agora, um ponto que contrapõe essa teoria é que ambos – Elliot e Mr. Robot – parecem não fazer ideia de quem possa ser o other one. Se Elliot conversa sempre com ele e Mr. Robot conversou com ele (nós) no último episódio, perguntando se reparamos que ele não está mais falando conosco (ele) – que confusão! – era de se esperar, a suspeita.
O Inimigo do meu Inimigo é meu Amigo
Agora, voltando para o início do episódio, pudemos comprovar mais uma vez, que a estratégia narrativa mais utilizada na série continua é a Navalha de Occam. Especulamos muitas teorias sobre os motivos que levaram Price a ter salvo Elliot, quando na verdade, a razão era a mais óbvia.
Price era o responsável por eliminar e reportar qualquer invasor ao apartamento de John Garcin. Quando descobriu que o invasor era Elliot, decidiu ressuscitá-lo para que ambos se aliassem contra White Rose. Muito mais simples do que qualquer teoria levantada.
Prova da aliança e dos motivos que levaram Price a salvar Elliot, foi a história toda de Zhang e do Deus Group desvendada por este, nos mínimos detalhes. Entre as alianças com todos os Governantes e Mega-Empresários, sobrou até para a nossa Dilma. A única parte não revelada é o maior mistério da série: o que foi construído sob Washington Township, que será transportado para o Congo em 8 dias? Eu só não sei dizer que o Elliot não perguntou ou se a série não mostrou.
Sobre o título do episódio (402 Payment Required) relaciona-se diretamente com a estratégia para derrubar o Deus Group e, consequentemente White Rose. 402 é um status de retorno HTTP de erro quando um pagamento é requerido e não foi fornecido, exatamente o que Elliot, quer fazer, cortando o acesso do Deus Group, às suas contas no Cyprus National Bank.
99,9% é pouco Dom
E para encerrar a review, tivemos mais um capítulo da dolorosa história de Dominique Delpierro, como funcionária do Dark Army. Ela tentou convencer o Agente Horton, que Santiago esteve envolvido com o tráfico e era um agente duplo, mas titubeou ao dizer para Janice que este estava 100% convencido. Disse 99,9%. Foi o suficiente para o Dark Army eliminar Horton. Difícil imaginar como Dom se safará dessa situação.
Até semana que vem.















