Caminha para o seu fim, infelizmente, uma das séries mais inovadoras, eletrizantes e polêmicas da década, e o Série Maníacos não poderia deixar este momento passar em branco. 24 mostrou, ao longo dessas oito temporadas, não ser apenas mais uma série de ação. Tornou-se (com méritos) um ícone televisivo do século XXI. E não há exagero algum nessa frase.

Mas, enfim, chegamos ao antepenúltimo episódio (ou penúltimo, já que semana que vem será um episódio duplo) da temporada final de 24. E chamei a responsabilidade para mim, o novato da equipe, de comentar não somente as últimas horas deste seriado, como também fazer uma retrospectiva crítica destes nove anos.

Spoilers Abaixo:

Antes de irmos para os comentários sobre o episódio dessa semana, cabe destacar a mudança que Jack Bauer sofreu nessas horas finais. Se na temporada passada, a intenção foi mostrar um personagem mais humano, na atual temporada, a “humanidade” de Jack revelou-se não só ser um bom avô*, como seu lado mais “tenebroso”. E isso não foi necessariamente bom, mesmo tendo em vista a premissa da série, por dois motivos: primeiro, porque tornou a temporada maçante e chata, pelo menos até a sua primeira metade (episódio 12); e segundo, porque Jack converteu-se de um fantástico anti-herói para um vingador impiedoso e sem moral (e isso é sim péssimo, ao contrário do que muitos devem estar achando).

A mudança começou a se mostrar já no episódio em que ele mata Dana Walsh. O assassinato a sangue-frio não é o tipo de conduta que é comum a Jack Bauer. Assim como a tortura (destaque para o maçarico) seguida de morte do agente/terrorista russo (isso por causa de um chip de celular…)**, no episódio anterior. Jack quer apenas vingança. Nada de justiça. E ele não faz mais questão de disfarçar isto. (Nota para o rápido, mas marcante, diálogo entre ele e a jornalista loira no episódio anterior).

Agora, sobre o episódio da semana:

Jack seguiu a pista adquirida pelo celular, mostrando este que Charles Logan estava envolvido na farsa. A cena do “seqüestro” foi até bem feita, dando aqui pessoalmente um destaque para o momento anterior em que Jack encara a máscara que ele usaria junto com a “armadura” preta. A sensação foi a de que ele, mesmo que rapidamente, notou como se transformou nessas últimas horas. Além do mais ele estava prestes a sequestrar um ex-presidente.

O sequestro transcorreu de forma normal (para o estilo “baueriano”), e quando finalmente Jack confrontou Logan, o homem cedeu as informações sem muitos problemas. Eu esperava, pelo menos, alguns socos, cortes ou até mesmo um tiro em Logan, mas acabei sendo frustrado (pelo menos naquele momento).

Após descobrir que Mikhail Novakovich, o chanceler russo, estava “liderando” as operações de dia, Jack largou Logan desmaiado e seguiu para o próximo alvo da sua vingança.

A partir daí vemos Jack já no prédio, onde se encontrava o chanceler, abatendo alguns agentes. E foi aqui que surgiu um momento que, infelizmente, me frustrou novamente: um dos seguranças aproveitou que Jack estava de costas, aguardando o elevador, e conseguiu enfiar-lhe uma faca na altura do rim. A ideia de que Jack poderia morrer no último “dia” da série, nem chegou a passar pela minha cabeça dado ao fato de Jack Bauer estar confirmado em um filme para concluir 24. Ou seja, Jack vai sangrar muito nessas últimas horas, mas com certeza não irá morrer. Portanto, nem cheguei a me abalar numa cena que deveria ter esta finalidade. Uma pena, enfim.

Dentro da CTU, vemos Chloe e Arlo ainda tentando localizar quem está ajudando Jack, o que eles conseguem (finalmente!). Mas como todas as equipes de agentes estão atrás de Jack a mando do subordinado de Logan, Chloe recorre ao agente Ortiz, o liberando sobre sua custódia e justificando tal ato com a desculpa de que ele seria vital na segurança da ONU. Local o qual, dentro de algumas horas, será assinado o tal acordo de paz. Lembrando que Ortiz deixa claro para Chloe que, caso Jack não se renda, ele irá atirar para matar.

Na ONU, descobrimos ainda que a mulher de Hassan e a atual presidente da IRK, Dália, ordenou que se investigasse como Logan conseguiu trazer os russos de volta as negociações sobre o tratado, intento este que não foi bem sucedido. Cabe aqui ainda uma nota sobre como Logan (antes de ser sequestrado) conseguiu mais uma vez influenciar a presidente Taylor, para que a mesma ordenasse a prisão da jornalista que estava com Jack e a apreensão da evidência. Contudo, como o próprio Logan afirmou durante a conversa dos dois, ele só a aconselhou; foi ela, no fim, quem tomou as decisões, mostrando sua completa falta de noção no cargo.

Quando o episódio retorna sua atenção a Jack, descobrimos que ele já matou todos no prédio (incluindo Novakovich), com exceção de um agente russo, que aparentava estar bastante machucado. E foi ao saber disso, que Logan reparou as minhas duas frustrações anteriores com este episódio: ele liga para o presidente russo, Suvarov, contando-lhe do ocorrido, e nos revela que o presidente além de estar envolvido com a conspiração, foi o real mandante dos fatos que ocorreram neste dia. Claro que Logan e Suvarov acreditavam que Jack tinha chegado ao fim da sua vingança, sem saber de nada disso, e é quando a tela é focada na lapela de Logan onde se encontra uma pequena escuta, tendo Jack do outro lado da linha ouvindo toda a conversa, e partindo, em seguida, em busca de mais sangue (como bem descreveu Pillar, o subordinado de Logan, quando encontraram o corpo de Pavel amarrado e estripado no armazém).

É muito interessante o caminho para o qual os roteiristas resolveram conduzir a série em seu fim. Se até a 6ª temporada, Jack utilizava-se de meios ardilosos e desumanos para alcançar o famoso “bem maior”, que seria proteger o país a qualquer custo, nesta temporada, os mesmos meios servem apenas aos seus propósitos, ou seja, a consumação de sua vingança e ira.

Como sabemos, Jack é o melhor agente contra-terrorista dos EUA e é aí que mora o perigo, como ficou claramente evidente nos episódios anteriores quanto na cena do sequestro de Logan, pois ninguém seria bom o bastante para detê-lo caso ele se tornasse um terrorista.

Neste ponto é que justamente está embasado todo fundamento desta temporada: no fim, quem riu por último foi… a Ironia! Não entendeu? Eu explicarei melhor na semana que vem, no último review desta série aqui no blog.

* Lembrar que foi na primeira cena desta temporada (quando Jack está com a sua neta no sofá) que ele sorriu pela 2ª vez em toda a série.

** Esta história do chip me fez lembrar certa garota e um Pedro, se é que me entendem?

“Quem luta com monstros deve velar por que, ao fazê-lo, não se transforme também em monstro. E se tu olhares, durante muito tempo, para um abismo, o abismo também olha para dentro de ti.” (Friedrich Nietzsche)

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