A colecionadora de cicatrizes. Um pouco da história de Jennifer Goines.

Essa semana, 12 Monkeys visitou o passado traumático de Jennifer Goines, cicatrizou feridas do passado, criou novos laços de amizade e lealdade forjados por sangue (não sei até quando), ao passo que a testemunha e a floresta vermelha continuam duas grandes incógnitas perdidas no tempo e espaço.

Bem, quanto a testemunha e a floresta vermelha, preferi me abster dessas duas incógnitas por enquanto. Pois a série dá voltas e mais voltas nesses assuntos, está pior que Quantico. Cassie está sendo preparada para essa floresta vermelha desde o sexto episódio da primeira temporada –  The Red Forest –  e até agora nada aconteceu. E com certeza o inútil do Aaron não é a testemunha. Já estou achando que a testemunha é Deus, já que segundo o homem pálido ele(a), vê tudo (onipresente) sabe de tudo (onisciente) e pode tudo (onipotente). Assim, prefiro manter o foco em Jennifer, pois essa mereceu todo o destaque.

A primeira cena em que Jennifer aparece, ao som de Love Is All Around de Joan Jett & The Blackhearts foi a sequência mais up! de toda a série. Vimos uma Jennifer feliz, plena, sorridente e com um foco, um mantra diário: “ESQUECI O PASSADO E ESCREVO O FUTURO” mesmo que por um curto período de tempo. Aliás, a própria letra da música descreve o momento que ela estava vivendo:

🎶 Quem é que pode transformar o mundo com um sorriso?

Quem pode tirar um dia de nada, e de repente

Fazer tudo parecer valer a pena?

Bem, é você menina, e você deveria saber disso

Com cada olhar e cada pequeno movimento mostrar isso. 🎶

Infelizmente, essa não é a Jeniffer Goines que conhecemos.  A verdadeira Jeniffer Goines nasceu em 28 de agosto de 1985 e morreu em 23 de setembro de 2044? Filha de Leland Goines e Caroline Markridge. Quando criança, apresentava sintomas de esquizofrenia; não compreendida e ‘anormal’ aos olhos de seus país, decidiu viver reclusa em seu quarto, onde passava horas e horas desenhando algo que não compreendia, ouvindo vozes de pessoas que não estavam ali. Aquela menina franzina, ‘anormal’ e inocente pouco tempo depois sofre a sua primeira agressão: Sua mãe, Caroline, doente mental, quase mata Jeniffer afogada na banheira. Você é um monstro! Você é um monstro! Tempos depois, seu pai, Leland, interna Caroline em uma instituição para doentes mentais sem que a pequena Jeniffer pudesse dar um último Good Bye! Essa, foi uma ferida emocional não cicatrizada que a pequena Jennifer carregou consigo por toda a sua vida. Ela cresceu, os sintomas de sua esquizofrenia se intensificaram ao passo que a culpa, de ser realmente um monstro, a consumia por dentro.

“Você não faz ideia de como é cansativo ser louca”. Essa, sem dúvida foi a frase mais forte de toda a série. Pudemos sentir nessa frase o peso emocional ressoando em cada palavra dita. Foi uma súplica para que Cassie a deixasse ser ‘normal’. Ela só queria uma rotina, amigos e ficar livre do Glúten. Ela não queria que o seu “monstro” fosse libertado. Que o gatilho que desencadeou tanta dor, no passado, fosse novamente religado. Ela só queria se enquadrar em um parâmetro pré-estabelecido de normalidade mesmo que para isso precisasse estar sobe o efeito de medicamentos.

Dessa forma, foi interessante ver a forma como Jennifer lidou com o seu gatilho emocional. E de como ela conseguiu aluir uma nova forma de interpretar esse mesmo gatilho sem que esse prejudicasse suas feridas emocionais. Apesar de haver esse acionamento de memorais passadas, ela soube se libertar das amarras dos condicionalismos ao tempo que reestruturava os seus pensamentos acerca desses acontecimentos arrebatadores. Pena que toda essa transformação não passou de um mero embrulho, mais uma camada crível, colocada em torno de sua insanidade.

Acredito que essa “lealdade” (Cole, Ramse e Deacon), forjada do sangue do inimigo e brindada com wisque foi uma forma de dizer estamos quites. Mas, não vimos o momento em que Deacon mata o Feitor e, acredito que os próprios roteiristas não colocariam um personagem desse tipo para servir de muleta para uma simples reconciliação. Ainda mais, Deacon sendo altamente vingativo, extremamente competitivo e peçonhento feito uma cobra.

Assim, Deacon e Jennifer ganharam camadas de notoriedade em um episódio ágil que soube como se divertir com seu mundo sombrio e com as bases de seus personagens sem atrapalhar suas ‘timelines’ às vezes complicadas. Vão em frente e compartilhem suas opiniões nos comentários abaixo. Semana que vem tem o episódio “Immortal”. Até lá!!!

Monkey 01: As reações de Cassie e de Ramse para Cole em relação a Jeniffer foram hilárias. “Ela é pior!” / “Ela é terrível!”

Monkey 02: Deacon: “Olhem só, é o Jesus do tempo.”

Monkey 03: Cassie assistiu documentários de hip-hop? Ok, então.

Monkey 04: Jennifer nasceu no mesmo dia deste que vos escreve. Diferença apenas no ano. Aceito presentes (risos).

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