
Um episódio com tantas reviravoltas quanto os mares pelo qual navegam os Vikings.
Spoilers Abaixo:
Diferente do episódio anterior, Vikings coloca sua trama em andamento, mas sem perder o ritmo da narrativa, nos apresentando um episódio coeso, bem amarrado, e o melhor de tudo, que gera altas expectativas para os eventos vindouros, estreitando ainda mais o conflito entre Haraldson e Ragnar.
Começarei falando de Knut, que assim como tiozinho da cicatriz no segundo episódio, foi cedo. Eu imaginei que o personagem teria uma importância mais fundamental para a trama, principalmente pelo fato do público jamais saber realmente se sua lealdade estava para com o Lord ou com Lothbrok e sua turma. Porém, diferentemente do tiozinho da cicatriz, a morte de Knut serviu a um propósito dramatúrgico, e embora um tanto precoce, acabou gerando o tão esperado conflito entre o Earl e nosso protagonista. Não fazia a menor ideia de que, muito mais do que “o homem de confiança” de Haraldson, Knut era também seu irmão, filho bastardo de seu pai. Supostamente, essa morte familiar foi a gota d’água para o Earl, a ponto de mandar o ataque na fazenda de Ragnar, mas eu particularmente desconfio que tem mais coisa nessa história. Para mim, o real motivo do ataque se encontra, principalmente, pelo simples fato de Haraldson estar com o orgulho ferido, pois de todas as maneiras tenta levar a melhor sobre Ragnar, mas sempre é mal sucedido.
Rollo também está tendo cada vez mais destaque na trama. Havia comentado na review anterior que não tardaria a Rollo e o Earl fazerem um pacto contra Ragnar, e isto quase aconteceu, ou podemos até imaginar que efetivamente ele ocorreu, já que não vimos os termos deste conluio. Rollo ter testemunhado a favor do irmão na assembleia pode ser tudo parte do plano dele com Earl, embora ainda não esteja acreditando verdadeiramente nisto. O personagem jura que fez isto por Laguerta, por quem ele tem uma queda maior do que um tombo de cima do Monte Everest. Outro ponto a se destacar de Rollo é que, até onde reparei, é sempre ele quem começa os conflitos e matança, se mostrando como o personagem mais violento até aqui da série. Mas o que mais me intriga é quando finalmente ele vai enfrentar o irmão, já que Ragnar ainda o trata como subordinado. Isso ainda vai gerar “altos rolos”, com trocadilho.
Ragnar está cada vez mais assumindo uma posição de líder, por ora apenas de sua tripulação (que já mostraram extrema fidelidade, principalmente nos personagens de Erik e Floki), mas acredito que logo da própria população. Basta ver a maneira como ele sempre se expressa em público, conseguindo levar a galera sempre do seu lado. O personagem apresenta uma faceta muito interessante, se mostrando, sempre que possível, um homem extremamente sarcástico. Não sei até que ponto isso era comum na época retratada, mas certamente o ator está fazendo um ótimo trabalho, dando várias camadas para seu Ragnar. O que espero agora ansiosamente é o conflito definitivo entre ele e o Earl, principalmente com o clima de tensão deixado no ar, com Lothbrok se preparando, provável e possivelmente, para um contra-ataque ao Lord.
Outro ponto interessante do episódio foi termos a oportunidade de ver, o que eu considero a primeira cena verdadeira de combate, novamente na praia, desta vez contra um pequeno exército de soldados que foram para lá para efetivamente combater Lothbrok e seus homens, pois até então, todas as cenas que tínhamos visto nesse sentido foram contra soldados (ou mesmo cidadãos) que não estavam esperando um conflito, se mostrando assim, sempre ataques surpresas. Com este combate, pudemos ver como é, efetivamente, o modus operandi dos nórdicos em uma luta, me lembrando muito o sistema de batalha de Esparta apresentado no filme 300. Apesar das semelhanças, o roteiro mostra como é sofisticado o sistema deles, fazendo com que levem a melhor sobre guerreiros despreparados, mesmo estando ligeiramente em menor número, como foi o caso aqui.
O episódio foi interessante por aproximar e fechar alguns conflitos que já estavam desenhados, mas principalmente, por deixar o clima de tensão que deverá permear, principalmente, o próximo episódio. Espero que o roteiro saiba trabalhar de forma eficiente estes conflitos, para que Vikings se estabeleça como uma série competente dentro de sua proposta, que é mínimo que podemos esperar quando acompanhamos uma série.
Em tempo 1: Foi para Valhalla: Erik Martenssem, guerreiro de confiança de Ragnar; Não deve ter ido para Valhalla: Knut, soldado de confiança e irmão bastardo do Earl.
Em tempo 2: Achei que “Earl” fosse o primeiro nome de Haraldson, mas, aparentemente, é um título, como um rei ou governador, ou algo assim.
Em tempo 3: Interessante Athelstan questionar as vontades de Deus por se tornar cativo de um povo pagão. Imaginei após ver tudo o que viu, em algum momento a fé do personagem fosse vacilar, só não pensei que fosse acontecer tão cedo.














