A festa da procura.
O sexto ciclo do The Voice UK demorou, mas finalmente está aqui. Quando surgiram os rumores de que a ITV estava tentando adquirir os direitos da franquia – que pertenciam a BBC –, eu fiquei preocupado. Considero o The Voice uma franquia frágil e com muitas limitações, e uma mudança como essa podia ser prejudicial para o programa. Uma vez confirmada a aquisição, não pude fazer mais nada a não ser esperar e torcer para que alma do TVUK não se perdesse nessa transação.
Canal novo, bancada nova e alterações no formato. A mudança não foi pouca e agora é a hora de colhermos os resultados.
O primeiro episódio das blind auditions trouxe will.i.am, único jurado da bancada a participar de todas as temporadas do reality, como o narrador inicial – atribuindo a ele a tarefa de apresentar seus colegas novos Jennifer Hudson, Gavin Rossdale e a volta de Sir Tom Jones. Em meio à flashses e tapete vermelho, Will fala que o programa é uma search party, onde o objetivo é encontrar o tal superstar escondido no Reino Unido. Se vamos, de fato, nos deparar com um artista que virá a ser bem sucedido no mercado fonográfico eu não sei, mas com certeza a procura será muito proveitosa.
A BANCADA
Confesso que não fiquei muito contente com o retorno de will.i.am e Sir Tom Jones. Ambos têm seus acertos ao longo dos anos no TVUK, mas também colecionam erros que muitas vezes comprometeram o andamento da temporada. Assim que abracei a mudança, torci por um painel 100% novo, porém, era muito difícil isso acontecer visto que o programa precisa das figurinhas favoritas do público para atrair audiência.
Em contrapartida, a entrada de Jennifer Hudson me animou muito. Seu desempenho nessa primeira semana foi ótimo, tanto como coach quanto como personalidade. Engraçada, carismática e cheia de atitude, Jennifer pode finalmente preencher com plenitude o lugar que Jessie J deixou.
Gavin Rossdale, por sua vez, não deixou a desejar. Só o conhecia como “ex marido da Gwen Stefani” e foi bem bacana ver um pouco mais dele. Perto de Jennifer, Will e Tom, sua presença ainda é tímida, mas sinto que Gavin pode crescer no programa e fazer um ótimo trabalho com seus pupilos.
A questão principal para mim em relação aos jurados é o perfil de candidatos que os mesmos atrairão. O painel da quinta temporada, com Boy George, Paloma Faith e o maravilhoso Ricky Wilson, tinha uma veia indie/alternativa muito forte – que acabava refletindo nos acts. Nomes fortes como Cody Frost, Vangelis, Harry Fisher, Jordan Gray, Heather Cameron-Hayes, Deano, Jolan e Chloe Castro surgiram dessa bancada. Será que os novos coaches ainda vão buscar por esse tipo distinto de participante?
A rotineira performance dos coaches foi aquela coisa: divertida, mas fraquinha. Jennifer claramente se destacou e carregou a apresentação nas costas, enquanto os meninos fizeram sua parte sem grandes desempenhos.
OS PARTICIPANTES
Comparando a premiere dessa temporada com a estreia do quinto ciclo, a diferença na qualidade dos acts é bastante aparente. Tivemos variedade de estilos, timbres e histórias de vida, presenteando os espectadores com boas audições e nenhum coach ficou com o time em branco.
Vamos ver como foi? Como sempre, organizarei o ranking por ordem de preferência.
9) Rachel Rose – “Love Me Like You Do” (Ellie Goulding)
Rachel errou na escolha de repertório. Senti o tempo todo que sua voz, que é ótima, não era compatível com “Love Me Like You Do”. O resultado é uma performance morna, sem muito brilho ou explosão. Até quando a moça ataca a nota alta, que devia ser o ponto alto da apresentação, algo parece fora do lugar. Rachel não é ruim, mas sua eliminação não é injustificada. Foi muito triste ver a reação dela ao ver que ninguém virou a cadeira.
Aliás, fica aqui meu primeiro ponto negativo para a nova produção do The Voice UK. Em ciclos passados, quando um act não conseguia nenhuma cadeira, ao final ele tinha a oportunidade de conversar com os coaches e receber um feedback. Ajudava bastante o participante a entender o porquê da rejeição e isso era bem bacana. Agora, quando um act falha, ele fica lá plantado olhando para as costas das cadeiras, arrasado por não ter conseguido e nem a oportunidade de falar com os coaches tem! Admito, gerou bastante drama e tensão. Entretanto, achei um recurso frio e desrespeitoso. Acho que o mínimo que os “rejeitados” podiam ter é um pouco de conforto depois de serem barrados. O único ponto positivo dessa twist é que o episódio fica mais compacto, com menos audições e, por isso, temos menos acts descartáveis ganhando tempo de tela.
Eliminada.
8) Jamie Gray – “Never Ever” (All Saints)
Em outro dia de audições, Jamie poderia ter passado tranquilamente. O moço tem um tom bem bacana de ouvir, presença de palco descontraída e bastante energia. Eu gostei do que vi e ainda que ele não seja um artista absolutamente novo e essencial, bate uma pequena decepção com os coaches porque sabemos que coisa bem pior já foi aprovada. Apesar de sua voz soar nasal em um trecho, acredito que com o coaching adequado, Jamie podia render boas performances.
Eliminado.
7) Jenny Jones – “Dangerous Woman” (Ariana Grande)
Jenny tem potencial para ser uma grande vocalista. Eu adorei sua voz, mesmo que seja um pouco genérica. Como a própria JHud comentou durante a performance, “she’s good”. Quando o clímax da música chegou…Tudo desmoronou. Jenny não conseguiu executar as notas altas da Ariana e a falta de técnica ficou evidente. A reação de Jennifer e Tom explica claramente o porquê dos “nãos”. Com uma música mais fácil ou com treino apropriado, tenho certeza que Jenny teria um destino diferente na competição.
Eliminada.
6) Max Vickers – “Call Me Al” (Paul Simon)
Eu achei Max hilário. A voz dele é inesperada, extremamente caricata e tudo fica ainda melhor combinado com a dança desengonçada. Parece um personagem de desenho animado. Reconheço que o tom dele (ou seu estilo) não seja algo que agrada a todos e, além disso, ele não tem o perfil de um vencedor do The Voice UK, mas acredito que Max pode render momentos divertidos na competição até a sua inevitável eliminação.
Team Gavin.
5) Truly Ford – “Dakota” (Stereophonics)
A audição da Truly foi uma surpresa. Sua voz é bem diferente do que esperaríamos com base no seu visual, e isso é uma das coisas mais gratificantes de presenciar no The Voice. Essa disrupção entre voz e visual. Truly tem um registro baixo muito bonito e o vibrato soou natural e agradável. Ansioso para ver mais da moça e acho que Gavin foi a escolha certa pra ela.
Team Gavin.
4) Diamond – “If I Ain’t Got You” (Alicia Keys)
Diamond, como o nome sugere, é um diamante pronto para ser lapidado. Não é preciso dizer muito para defender a permanência da moça, sua audição fala por si mesma. O potencial, a presença, o carisma e, principalmente, a voz estão todos ali. Com treino pesado, repertório certo e dedicação, Diamond pode ser um dos destaques desse ano.
Team JHud.
3) Jason Jones – “Pillowtalk” (Zayn)
Quando você olha para Jason, espera automaticamente que ele cante Beatles, Queen ou outra banda de rock clássica extremamente cansada em realities musicais. Mas quando a batida de “Pillowtalk” começa, o susto é instantâneo. Com um tom rouco maravilhoso, Jason faz uma performance perfeita na primeira metade da canção. Na segunda parte, sua voz parece um pouco cansada – o que me faz pensar que ele é bastante limitado ou o arranjo não foi o correto para ele. De qualquer forma, foi um 4 chair merecido.
Team Will.
2) Mo Adeniran – “Iron Sky” (Paolo Nutini)
Mo foi pimpado pela edição, sendo o último a se apresentar nesse primeiro dia de audições. Isso só podia significar que vinha coisa boa. E como! Mo tem aquela característica intangível, que a gente não sabe direito dizer o que é, mas que gostamos mesmo assim. Achei ele meio contido na interpretação, porém, a execução vocal e entrega emocional do garoto compensaram isso. Ele me lembrou Emmanuel Nwamadi da quarta temporada, tanto pelo vocal quanto pelo estilo. Espero que Mo tenha uma jornada parecida e vá longe, nos presenteando com esse tom marcante por muitas fases.
Team JHud.
1) Into The Ark – “Burning Love” (Elvis Presley)
Deixei a dupla em primeiro porque foi o act para quem eu mais torci. Já vimos muitas duplas no TVUK e, até o momento, nenhuma delas havia me passado tamanha segurança em relação a quem querem ser como artista. Taylor e Dane se mostram seguros e confiantes de si e isso transborda na performance. Os vocais são incríveis, tons lindos e complementares, que resultaram em uma apresentação sem defeitos e muito harmoniosa. O estilo proposto pela banda é muito próximo de coisas que eu gosto de ouvir, talvez seja por isso minha identificação imediata. De todos os acts da noite, Into The Ark talvez seja o mais comercial, o que conta pontos a favor do duo. Espero que Tom goste deles tanto quanto eu gostei e realmente aposte nos meninos e não os jogue de lado, como geralmente acontece com duplas no The Voice UK.
Team Tom.
A primeira etapa de audições me deixou animado para o resto da temporada. O sentimento de casa nova e as dinâmicas trazidas por Jennifer e Gavin conduzem o show nesses primeiros momentos. Ainda que a principal mudança da produção até o momento não tenha me agradado – a remoção do feedback para os eliminados – a expectativa de que a franquia vai evoluir continua grande. Peguem o chá, a pipoca e os fones de ouvido: a procura pela voz do Reino Unido promete.
E vocês, o que acharam da estreia?
Voice Memo 1: Sobre “If I Ain’t Got You” no The Voice UK:
https://www.youtube.com/watch?v=gYcAIH7joMM
Voice Memo 2: Implico horrores com Will e sua atitude no programa desde sempre, mas em alguns episódios – como esse – o maldito está ótimo.
Voice Memo 3: Uma coach de verdade ensina como se faz na hora.
https://www.youtube.com/watch?v=EpYq–NF7dE
Voice Memo 4: “Don’t come for me!” HUDSON, Jennifer. Ela chegou cheia de frases, caras e bocas. Adorei.
Voice Memo 5: Emma Willis maravilhosa continua como apresentadora! Mas sem o Marvin. ):
Voice Memo 6: Tivemos um plot de melhores amigos e roomates fazendo audição com Max e Mo. Jurei que um deles ia passar e outro não, como Daniel Duke e James Duke em 2015. Ou ainda pior, os dois acabam no mesmo time e são pareados juntos nas Battle Rounds. Já pensou que delícia a torta de climão?












