Let the battle begin!

Finalmente, as batalhas! Audições às cegas encerradas, entramos agora na segunda (e dolorosa) fase do programa: as batalhas. Poderia chamá-la de a fase onde todos os corações de gelo derretem e até os mais brucutus (como eu!) colocam toda a sua sensibilidade para fora.

Como já falei a exaustão nas reviews anteriores, o The Voice Kids está surpreendendo. As audições às cegas foram difíceis, era criança chorando pela cadeira não virada, criança chorando pela cadeira virada… Agora imagina o sofrimento ao ver duas crianças sendo eliminadas numa lapada só? O mais genuíno era a forma como eles agradeciam e congratulavam o vencedor. Carlinhos Brown já disse e eu repito: todos são vencedores só de pisarem naquele palco e nos agraciarem com belas apresentações. Afinal, o que é essa criançada da geração 2000? Manda mais Brasil, tá pouco!

Particularmente, estava bastante ansiosa por essa fase porque vi algumas apresentações de The Voice Kids de outros países e sério, elas deixam qualquer apresentação de adultos mais experientes no chinelo. E, para aqueles que viraram os olhos para as audições ou pensavam que o nível iria cair… Chega mais, caiu não viu! Subiu! Subiu e muito! Não achei o programa corrido e a edição não deixou a desejar. Conclusão: o programa é bom mesmo! Globo, cancela o The Voizão, como diz Veveta e manda mais The Voice Kids!

Chega de bla bla bla e simbora para as batalhas! 

Batalha 1: Bell Lins x Nicole Luz x Stéffany Laura – Come together/Dear prudence (Time Ivete Sangalo)

Ei, calma aí! Como é que me começam com uma apresentação dessas? Uma palavra: SENSACIONAL. Bell, Nicole e Stéffany formaram um trio poderosíssimo e cantaram Beatles com toda força e talento que elas têm. A apresentação teve emoção, harmonia e muita diversão por parte das candidatas. Bell Lins justificou muito bem a escolha de Ivete Sangalo nas audições e mostrou que é realmente uma artista completa. Além de que, Bell me fez lembrar das grandes divas do pop durante a performance. Elogiei bastante Stéffany Laura e aqui não será diferente, ela mandou muito bem! Foi chegando de fininho e surpreendeu. Agora, Nicole Luz! Nas audições, fiquei meio desconfiada da apresentação dela, mas agora essas desconfianças foram para o espaço e tiro meu chapéu para essa menina. O que foi aquela entrada triunfal na música? Ela levou a música para outro nível e mostrou muita personalidade, carisma e principalmente, voz. As caras e bocas de Ivete durante o show só mostraram o quão ferrada ela estava. No fim, a cantora baiana escolheu Nicole Luz. Difícil escolha e uma pena… as três mereciam passar.

Batalha 2: Felipe Adetokunbo x Gabb Lippert x Tavinho Leoni – O descobridor dos 7 mares (Time Carlinhos Brown)

De início, achei a escolha meio questionável. Depois veio a surpresa! Não só Palmas, mas como o Tocantis inteiro para Brown, a produção e a banda do programa. Que versão incrível de O descobridor dos 7 mares! Tinha tudo para dar errado: três vozes diferentes, três estilos diferentes e um Brown ferrado. É isso aqui: Zeca Pagodinho x Djavan x Dinho Ouro Preto ou Soul x Samba x Rock. Por isso, toda as congratulações do mundo para essa apresentação. Os três mandaram muito e fizeram um clássico de um clássico do MPB. Fiquei triste, porque dois dos meus favoritos estavam nessa batalha e eu sabia que só ou nenhum iam passar. Tavinho Leoni com seu samba-pinguim no pé e sua diversão ao cantar me deixou com uma sensação boa. Durante toda a apresentação, olhava para ele e me lembrava muito a malandragem e diversão de Zeca Padoginho. Gabb Lippert não ficou atrás e mostrou toda a sua energia e poderosa voz. Nas partes que ele cantava é que eu conseguia ver realmente a diferença da música e a diferença que o Gabb trouxe para ela. Felipe Adetokunbo foi lindo, maravilhoso! Sem palavras para descrevê-lo. Ao meu ver, Felipe ficou mais na zona de conforto e Gabb e Tavinho saíram totalmente. Brown escolheu Felipe como vencedor, mas no meu coração, os três poderiam facilmente ter ganho a batalha. No melhor estilo Supergêmeos, pode juntar os três e deixar eles na competição? 

Batalha 3:  Ana Beatriz x Gigi Fonseca x Letícia Roennau – A noite (Time Victor e Leo)

Que amorzinho essa apresentação! O trio funcionou muito bem e foram umas das apresentações mais bonitas do dia. Além de terem mostrado uma bela sintonia, era visível que elas estavam felizes e confortáveis com a música. Não escondi em nenhum momento que não gostei da aprovação de Gigi Fonseca, mas ela conseguiu tirar essa impressão ruim que eu tinha. A menina conseguiu mostrar porque foi escolhida e foi maravilhosa. Fez ótimas transições, mostrou que tem presença de palco e um carisma inegável. Só a achei um pouco teatral demais, mas nada que tão negativo assim. Letícia Roennau era a que eu mais tinha medo que não se saísse bem, mas me enganei. A menina, de longe, foi muito corajosa em aceitar cantar uma música fora do seu tom normal. Apesar de ter a voz mais madura e grave das três, ela conseguiu se destacar entre as duas vozes mais doces e marcou a música de uma forma bonita. Ana Beatriz é um anjinho em forma de gente e ela trouxe paixão para a música de uma forma suave e muito bem tonalizada. O resultado não foi diferente do que eu já esperava desde os primeiros acordes e Ana Beatriz foi escolhida pela dupla. Mas, não consigo deixar de comentar a coragem de Letícia e a evolução de Gigi nessa batalha. Elas não ganharam, mas com certeza irão brilhar em outras oportunidades e lugares.

Batalha 4: Andréa Vitória x Júlia Gomes x Lou Garcia – Love on top (Time Carlinhos Brown)

É sempre um risco cantar a Queen B. É sempre um risco cantar Love on top. Beyoncé sempre sobe o tom a cada refrão e esses momentos são o grande diferencial da música. Não esperava que as meninas fizessem isso, até porque são crianças e Beyoncé já tem anos de estrada, técnica e estudo. Gostei do que foi apresentado. Elas não arriscaram tanto e fizeram uma versão mais suave e crível. Andréa Vitória é uma linda e tem uma voz maravilhosa. Ela trouxe uma rigidez para alguns versos que achei maravilhoso e arriscou bem nas notas altas, além de brincar e harmonizar com as outras duas meninas. Lou Garcia começou meio apagada, meio quieta, porém, a medida que a música ia passando, ela apareceu e se destacou colocando uma agressividade que deu um toque diferente para a música. Júlia Gomes foi escolhida por Brown. A menina se saiu muito bem e estava dentro da sua zona segura. Ela cantou com força e conseguiu harmonizar bem com Lou e Andréa. Gostei da apresentação em si, mas, apesar da minha preferência por Júlia, nessa batalha eu teria escolhido Lou por causa do seu crescimento durante a música. No entanto, Júlia irá representar bem o time de Brown.

Batalha 5: Ana Rosa x João Vitor x Gabriel Lins – Amor pra recomeçar (Time Victor e Leo)

Batalha estranha, para uma divisão de música mais estranha ainda. Estranha porque os dois meninos tinham as vozes muito parecidas e eu sempre pensava que era a mesma pessoa cantando. Fiquei agoniada esperando a Ana cantar e pensei: será que ela vai cantar? Não entendo nada de arranjos, mas ainda assim achei estranho a divisão. Gabriel e João são ótimos cantores, mas ficaram escondidos quando Ana abriu a boca. A apresentação em si teve alguns pequenos erros, mas ainda assim, gostei dela. Gabriel Lins tem uma voz bonita e eu adorei a audição dele, mas ele ficou tão nervoso e travado que acabou ficando apagado pelos outros dois. João Victor é um menino brilhante. Ele não precisa de muito para se sair bem. Deu um pequeno deslize no meio da música, mas nada que tirasse o brilho dele. Dos três, João foi o que mais interagiu com o público e se mexeu mais no palco. Mas, foi Ana Rosa soltar a voz para entender que não tinha para ninguém, ela era a vencedora daquele trio. Voz doce e com uma música totalmente fora da sua zona de conforto. Ela conseguiu se sobressair e acompanhar bem os meninos. Ela cantou e tomou todos os holofotes para si. Mereceu ser escolhida por Victor e Leo.

Batalha 6: Giulia Nassa x Luiza Haggstram x Pérola Crepaldi – Em cada sonho (Time Ivete Sangalo)

A batalha que eu chorei de verdade! Ivete Sangalo foi extremamente certeira na escolha das três componentes desse trio e foi dureza ver duas saindo. Esse negócio de sair duas crianças é muito difícil. Vê-las chorando é pior ainda. Como toda boa espectadora de Titanic, o recado que já foi dado a Rose vai para Ivete: querida, leva as três nessa tábua aí que dá! A versão de My heart will go on na nossa língua materna foi um tiro certeiro e a versão dessas três princesas de Em cada sonho foi morte na certa. Morte nossa e de Ivete, digo. Giulia Nassa era minha favorita. Ela tem uma voz clássica e mostrou uma delicadeza e interpretação que vejo em grandes atrizes a.k.a cantoras de grandes musicais. O modo como ela fixa o olhar me lembra Barbra Streisand ou Idina Menzel nos seus muitos musicais. Luiza Haggstram é uma coisa de outro mundo. Ela mostra felicidade quando canta e tem uma voz fofa que agrada. Maravilhosa, é isso que ela é. Pérola Crepaldi, uma verdade pérola. Ela é linda, soube mais administrar bem as suas partes na música, interagiu com todos e tem uma voz doce e gostosa de ouvir. A música, na voz dessas três, ficou tão quanto a original. Sinceramente, eu queria que as três tivessem passado. Mas, isso é impossível. Ivete Sangalo escolheu Pérola para avançar nas batalhas e foi justo. Assim como também seria se ela tivesse escolhido Guilia ou Luiza. Era uma escolha difícil e eu concordei com ela, mas ver as três chorando foi de partir o coração. Não tenho estruturas para isso, Brasil! 

Batalha 7: Íkaro e Rodrigo x Pepê Santos x Wagner Barreto – Desculpe, mas eu vou chorar (Time Victor e Leo)

Não grande fã de sertanejo, mas gosto de assistir as apresentações. É meio estranho ver um quarteto e se falar em trios, mas isso são meros detalhes. Quando vi a configuração do trio, não via um vencedor tão claro, mas meu coração era de Pepê. Desculpe, mas eu vou chorar é uma música que resume bem o programa e uma clássico do gênero. O que o trio (ou quarteto, whatever) fez foi sensacional. Pepê Santos estava maravilho e manteve bem o nível durante toda a apresentação. A dupla Íkaro e Rodrigo foram uma das duplas que mais gostei, mas eles ficaram muito apagados e foram quase uma figuração para Wagner e Pepê. Não tiro o mérito o dos dois, mas nas audições eles foram bem melhores. Wagner Barreto foi sensacional. Ousou em notas altíssimas e mostrou o quão marcante ele pode ser. Vendo o geral, Íkaro e Rodrigo ficaram em segundo plano, enquanto Pepê e Wagner foram as grandes estrelas por ousarem mais. Em um mundo paralelo chamado The X Factor, Pepê e Wagner fariam uma dupla e nenhum dos dois sairiam (eu sei que nem lá isso talvez não seja possível, mas não custa sonhar). Wagner Barreto foi muito bem escolhido por Victor e Leo, mas meu coração continua sendo de Pepê.

Batalha 8: Igor Silveira x Kaliny Rodrigues x Rafa Gomes – Superfantástico (Time Carlinhos Brown)

Os níveis de fofura foram para o céu! Assim você me mata, The Voice Kids! Não era segredo quem iria passar dessa batalha, mas isso não tira o mérito dos outros dois. Essa foi a apresentação mais fofa que eu já vi até agora e estou achando difícil que venha outra tão fofa quanto. Ficará para sempre na minha memória. Superfantástico é uma música linda e feita para crianças (e para jovens, adultos e velhinhos com alma de criança). É uma música que traz o gosto da infância de volta e uma nostalgia gostosa de se sentir. Não poderia ter outra escolha e de melhor encaixe para esses três seres de luz. A apresentação conseguiu mostrar a pureza, felicidade e positividade que me fez sorrir e cantar com eles feito lesa em frente à televisão. Até coreografia teve! Dancei também. Igor Silveira, o menino do corazon espinado, tão lindo e fofo. Tem uma voz linda para a idade que tem e muito bem controlada. Kaliny Rodrigues sorri com os olhos e canta com o coração. Ela fez tanta coisa com notas firmes e voz marcante. Cantava sorrindo e isso me encantou. Rafa Gomes, a gatinha do programa. Victor falou e eu tenho que concordar: ela canta em silêncio. É impressionante o que ela faz com tão pouca idade, deixando no chinelo qualquer artista mais experiente. Não tinha para onde correr e muito menos paridade, Rafa foi escolhida por Brown. Nessa batalha, em especial, consegui ver o que o The Voice Kids Brasil quer transmitir para o mundo: a pureza de uma criança, a saudade da infância, choros emocionados e sorrisos sem malícia nenhuma.

Os times estão assim:

Time Brown: Felipe Adetokunbo, Júlia Gomes e Rafa Gomes (3/8).

Time Ivete Sangalo: Nicole Luz e Pérola Crepaldi (2/8).

Time Victor e Leo: Ana Beatriz, Ana Rosa e Wagner Barreto (3/8).

Ainda faltam:

 

Time Brown: Maria Fernanda, João Pedro, Lia Gomes, Iris Pereira, Gabriel Gava, Ryandro Campos, Malu Cavalcanti, Thayña Lima, Laís Amaro, Bela Maria, Mari Cardoso, Luíza Costa, Clara Lima, Catarina Estralioto, Lorena e Rafaela.

Time Ivete Sangalo: Luna Bandeira, Julie de Assis, Madu Alvarenga, Tábatha Almeida, Matheus Quirino, Luíza Prochet, Bebé Salvego, Kailane Frauches, Marina Silveira, Larissa Carvalho, Manú Paiva, Nathy Veras, Carol Passos, Vicky Valentim, Roberto Matheus, Luna Maria, Daniel Henrique e Robert Lucas.

Time Victor e Leo: Enzo e Eder, Laura Shadeck, Leslie e Laurie, Mayara Cavalcanti, Elizaldo Alvez, Cairo Henrique, Júlia Ferreira, Abgail Barcelos, Isadora Porto, Ally Victory, Vitória Lopes, Ana Pieri, Juan Lucas, Mariana Rocha e Jamille Silva.

É, minha gente! O negócio está ficando bonito. Não sei lidar com tanta fofura e talento em um lugar só. Teremos ainda mais dois episódios de batalhas e eu não vou arriscar chutar mais nada porque errei foi quase tudo. HAHAHA.

O programa foi finalizado com a diva mor, Ivete Sangalo, cantando sua nova (nem tão nova) música, O farol.

E aí? O que vocês acharam? Comentem aí e até próxima semana.

PS1: Eu sou uma péssima Mãe Diná do The Voice Kids, sim ou claro?

PS2: Não queria estar na pele dos técnicos.

PS3: Cadê o peguei quando se precisa dele?

PS4: Ivete resumiu: Fuleragem isso aqui, bixo.

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