Em se tratando de fillers, Untouchable pode ser considerado como um bom capítulo dentro da atual temporada de The Flash. Não existe nada que realmente chame a atenção do telespectador, mas o que é apresentado não é ruim, como por exemplo, The Monster. Como bem pontuado pelos próprios personagens, tudo o que estamos vendo é uma repetição do que Barry já passou através de dois anos. Entretanto, de maneira necessária, o desvio dentro da história para tratar a progressão do Wally como herói ajudou a impor um caráter menos sombrio, em determinados momentos, e fez com que Flash e Kid Flash trabalhassem como verdadeiros super-heróis, um tom que estava fazendo falta dentro da série.
Fica até difícil reclamar de Flash após um episódio como Untouchable, especialmente porque minha grande cobrança com a série sempre foi a necessidade de enxergar o Flash como herói. Por esse motivo, após uma ação conjunta e muita diversão, o décimo segundo episódio da série do Corredor Escarlate entregou muitos pontos que estavam faltantes dentro da própria mitologia do personagem, como uma adaptação de história em quadrinhos centralizada em um super-herói.
Tanto é que tivemos um debate interessante, apesar de um pouco sem sentido, a respeito de quem é o melhor protetor de Central City. Se levarmos em consideração que o Flash atuou como herói verdadeiro para o povo apenas durante a primeira temporada, é compreensível ver o público dividido entre ele e Kid Flash, que aparentemente está se divertindo e operando mais do que o seu mentor. O problema surge quando analisamos a janela de tempo explorada pela série e comparamos que Kid Flash em pouquíssimo tempo já está rivalizando com o próprio Flash em relevância dentro da cidade, um grande exemplo de que o núcleo dos problemas de The Flash como série é a falta de um espírito heroico verdadeiro.
Contudo, tudo o que aconteceu apenas serviu para direcionar Wally do ponto A para o B, sem grandes desvios ou grande aproveitamento do roteiro. Começamos com uma corrida, com o Barry pontuando que ele é o homem mais rápido do mundo (talvez) e com a lição de que Wally ainda não é rápido o suficiente, ou capaz de trapacear como o mentor (?). O desenrolar de Untouchable é um grande episódio de inspiração, tentativa, fracasso e sucesso, uma fórmula padrão para The Flash. Já acompanhamos antes tudo o que vimos aqui, mas reitero o que disse no primeiro parágrafo, é um mal necessário. Poderia ter sido mais bem trabalhado? Com certeza, mas não irei reclamar da totalidade de um episódio que apresentou bons momentos e terminou com um saldo até que positivo.

Não vou dizer, porém, que os momentos da história ao redor de Caitlin e Iris foram bons, porque dificilmente são. Ainda estamos presos na história da donzela em perigo, em ambas as instâncias e através de abordagens diferentes. Gosto da dinâmica entre o Barry e a Iris, mas preciso de mais envolvimento com a personagem para compreender sua personalidade. Em determinado momento ela se arrisca sem pensar duas vezes, afinal, seu momento de morte será pelas mãos de Savitar. Em outro ela se desespera porque não estão conseguindo lidar com as mudanças e congela quando confrontada pelo vilão do episódio – um tão desprezível que nem ao menos ganhou um apelido. Iris West continua então como um dispositivo do roteiro, sem muito compromisso com a própria história apresentada e agindo unicamente para direcionar o público e o protagonista para o ponto desejado pelos produtores. Infelizmente uma personagem sem apelo.
Mas pelo menos a série parece ter estabelecido que o uso dos poderes da Nevasca não é algo atrelado ao surgimento da personalidade volátil de Caitlin Snow, o que é bom. Já o seu potencial romance com Julian? A pior coisa do mundo. E é exatamente o que Untouchable termina fazendo, uma grande mistura de pontos positivos e negativos dentro de um só episódio. No quesito diversão, confesso que a série conseguiu me convencer, já na estabilidade da estrutura narrativa da série ainda estamos com pontos faltantes e outros totalmente errados. Espero que Flash consiga se recuperar e que a viagem para a Terra 2 e a presença de Jesse Quick melhorem os dois próximos episódios da série, caso contrário temo que estarei enfrentando meu último ano ao lado do Corredor Escarlate da DC CW.
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Easter eggs e outras informações
– Clive Yorkin, vilão do episódio, foi introduzido em 1979, na revista The Flash #270. Yorkin começou como um bandido condenado pelos crimes de roubo e assassinato. Ele terminou participando do experimento conhecido como Processo Nephron, que tinha como objetivo retirar dele qualquer tendência violenta. O experimento não funcionou e Yorkin terminou com o poder de drenar a força vital de outras pessoas através do toque.
– Um ponto interessante quanto a introdução de Yorkin e outra personagem, Cecile, a namorada do Joe, chamam a atenção devido a conexão de ambos com o evento ‘O Julgamento do Flash’, em que o Barry mata o Flash Reverso após o vilão assassinar Iris West. Na história Yorkin pensa ter sido o responsável, mas é exonerado após a revelação de um arquivo gravado por um dispositivo de segurança. Cecile, atual namorada do Joe, trabalha como advogada de defesa do Flash neste arco.
– Alex Désert, o ator que interpretou Julio Mendez em Untouchable e também Flashpoint, já apareceu antes dentro da mitologia do Corredor Escarlate. Désert foi parceiro de Wesley Shipp na série do Flash da década de 90.















