The Flash desacelera e entrega um episódio bem frio.
Tire os poderes do Corredor Escarlate e o que sobra? Bom, a resposta ideal deveria ser: um super-herói sem poderes, um herói. Infelizmente em The Flash o que nos resta é um homem entristecido por não poder furar filas. Pelo menos foi o que o roteiro do décimo nono episódio da série fez questão de pontuar como algo importante. Claro, o mistério a respeito do Zoom já foi solucionado e o sequestro de uma companheira de trabalho deveria ter guiado os personagens, mas não aqui. The Flash sentiu-se confortável o suficiente para incluir um vilão menor, sem importância suficiente para receber um apelido do Cisco, e que serviu apenas para deixar mais lento e arrastado um capítulo que já deveria apresentar o inicio do ápice climático para a reta final deste segundo ano.
Deixar Barry sem poderes é uma abordagem que está fadada a acontecer e se repetir algumas vezes até que a série encontre o seu final derradeiro. Não existe nenhuma surpresa na trama escolhida. Retirar os poderes do Barry não é nenhuma novidade. Não é algo novo dentro da trajetória de qualquer super-herói com poderes, muito menos para a segunda temporada de The Flash, que já havia feito algo similar quando colocou Barry na cadeira de rodas do Wells. O pior erro do roteiro é expor a vulnerabilidade do herói através de cenas corriqueiras, de qualquer pessoa comum, como por exemplo: esperar em filas, acordar e se arrumar, pegar o ônibus, trabalhar… A maneira mais adequada que os roteiristas escolheram para demonstrar o impacto negativo na vida do herói foi transformando-o em um menino mimado que sofre por não poder furar fila e tomar o seu café.
Todo o foco que deveria ter permanecido na tentativa de resgatar Caitlin, fazendo com que o Barry agisse e pensasse como herói ao ser confrontado por decisões que apenas ele poderia tomar, perderam força ao dividir a trama com Harrison Wells e um vilão de episódio escolhido unicamente para dar uma ideia para o personagem, e mais nada. Não existiu crescimento, por que o apoio esteve na saída mais fácil, recriar a explosão do acelerador de partículas, algo bem irresponsável para um time que vive de cobrança pessoal. Barry levou alguns socos, levantou e venceu porque o antagonista tinha um prazo de validade. Simples e decepcionante assim.
Enquanto isso Caitlin agia como donzela em perigo, mas com um agradável twist dentro da história. O que eu pensei que se tornaria um arrastado momento de conversas duvidosas e promessas vazias, acabou se transformando na parte mais interessante do episódio, a interação entre Nevasca e Caitlin Snow. A atriz, que canalizou todo o seu lado Capitão Frio ‘Snart’, aproveitou bastante o tempo em tela para criar algo interessante e divertido. Uma pena que tudo tenha girado ao redor da trama quebrada e arrastada na Terra 1 e não na excelente Terra-2.
Novamente a série demonstra estar completamente perdida quando desprende tempo em tela para o Wally. Não é possível que inseriram o personagem em um período tão complexo apenas para insistir, repetidamente, para que Joe arrumasse um encontro entre ele e Flash, para um agradecimento. Olha, no rol de histórias desnecessárias e tramas insignificantes, a dele está no topo. Mas para ser totalmente honesto, a trajetória do personagem tem sido exatamente essa. Wally está constantemente jogado em tramas que não pertence, que não encaixa e que não recebem a devida justificativa do roteiro. Existe um desejo muito grande dentro da cúpula criativa da produção em transformar aquele rapaz em alguém importante, relevante para o texto, mas sempre de forma bem atrapalhada.

Quando analiso o episódio como um todo, só consigo pensar em uma palavra para o roteiro: preguiçoso. Tão próximos do final, nem mesmo a cronologia da série está recebendo o devido cuidado e atenção necessário. Para quem pretende assistir o episódio desta semana de Arrow, não se assuste, Barry está com sua velocidade normalizada lá. Resta saber se os eventos de Canary Cry se conectam com o próximo episódio, em que o Corredor irá recuperar sua velocidade, ou no passado, antes dele perdê-la. A verdade é que este tipo de tratamento desferido para os “carros chefe” da DC CW demonstram uma falta de cuidado e esmero gigantesco. Comparando com outra série adaptada, é notável o carinho que os roteiristas e produtores de Agents of S.H.I.E.L.D. tem com os detalhes. E é notável a falta de cuidado com assuntos menores, mas importantes quando nos deparamos com a proposta de um universo compartilhado do Arrowverse.
The Flash ainda está apresentando um trabalho bem decepcionante para sua segunda temporada, especialmente aqui na reta final. Todo o foco na Terra-2 garantiu ótimos momentos, mas a falta de preocupação em trabalhar a trama central, mesmo tão próximos do fim da temporada, expõe um lado um pouco preocupante. Talvez os roteiristas não estejam trabalhando o tema proposto com afinco, simplesmente por que não conseguem segurar o momento por mais do que três episódios. Uma coisa é garantida: o momento de retirar os poderes do herói já havia passado e não se encaixa. Infelizmente o texto da série já evidenciou que estamos encarando uma equipe que fará o que bem entender, independente do final agridoce e das explicações mal trabalhadas. No final o padrão de vinte e tantos episódios continua sendo o maior inimigo de The Flash.
Easter eggs e outras informações
– Muitos já pediram para que eu fizesse considerações a respeito do homem da máscara de ferro que está preso no esconderijo do Hunter Zolomon/Zoom. A série não está fazendo questão de explorar este aspecto da sua trama e tem trabalhado o mistério como uma muleta para criar antecipação, sem nenhuma profundidade ou relevância para a trama. Como Greg Berlanti já mencionou em seu twitter que o tratamento dado ao Jay Garrick, personagem muito importante para a DC, não é aquele que vimos, minha opinião é apenas uma: o verdadeiro Jay está ali. Só falta descobrir com o rosto de quem.
– Por onde anda o Flautista? Se minhas previsões estiverem certas, transformaram o personagem de vilão para mocinho apenas para incluí-lo na segunda temporada de Legends of Tomorrow. Então provavelmente vão se lembrar dele lá no terceiro ano de Flash, antes do hiato.
– Griffin Grey existe na nona arte e foi criado por Danny Bilson e Paul DeMeo, em 2006, na revista The Fastest Man Alive #1. Contudo ele não é um antagonista do Barry Allen, mas sim do Bart Allen.
– Para quem não sabe, a Ace Chemical é conectada diretamente a gênese do Coringa.
– Durante Flashpoint Paradox Barry precisa recriar o evento que o deu os poderes do Flash. Ele refaz tudo com a ajuda do pai do Bruce Wayne, que naquela realidade havia assumido o manto do Batman.
– Será que o novo acelerador de partículas irá dar poderes para Jesse Quick e Wally West? Uma “grande coincidência” já tratou de trazer a filha do Wells para Central City e também impor uma conexão entre Wally e o Flash.















