Identidade do Zoom, Rei Tubarão e visitas de Star City em um excelente episódio de The Flash.
O episódio King Shark tinha tudo para decepcionar, afinal, vem logo após dois episódios de qualidade superior para a temporada e com a trama da Terra-2 ainda fresca no imaginário do telespectador. Porém, contrariando todas as expectativas, o que assisti foi um episódio totalmente balanceado, com ótimos momentos para praticamente todos os personagens da série, principais e secundários, além de uma cena de ação que ultimamente estava ausente em The Flash, com início, meio e fim. Ou seja, o pacote completo e com direito a revelação da identidade do Zoom nos minutos finais. Tudo bem que esse último item não foi como eu esperava, não pela identidade em si, mas pela forma meio sem graça com que foi apresentado.
Na minha review de Arrow, durante o episódio em que Amanda Waller é morta, comentei a respeito da ótima possibilidade para a família Diggle e como Lyla poderia beneficiar a história do John como diretora da ARGUS. Bom, eu não imaginava que o beneficio viria para Flash primeiro, mas estou sim feliz que tenha existido esse destaque. Ver John e Lyla juntos é sempre ótimo e melhor ainda quando deixamos de lado o tom sombrio e depressivo da série do Arqueiro Verde. Adoro o casal e é sempre muito divertido vê-los lidando com o mundo espetacular de meta-humanos e superpoderes. Também vale saber que a ARGUS estava, desde a explosão do reator e talvez até um pouco antes, tentando transformar meta-humanos e pessoas com poderes em armas, algo digno da Amanda Waller que quase não vimos em Arrow.
Este também foi um ótimo episódio para impor um pouco mais de seriedade e carga dramática nos ombros do Flash. Como bem pontuado pelo Diggle, o Corredor está se portando como o Arqueiro, em que ambos assumem para si o manto da culpa de todas as mazelas do universo. No caso de Flash parte da culpa é dele mesmo e foi bom ver o personagem assumindo seus erros, cometidos por seu egoísmo ao querer mudar a história da própria vida, sem pensar nas consequências. Foi por causa da viagem ao passado que Ronnie morreu e tantas outras vidas foram prejudicadas, devido o surgimento do Zoom na Terra-1. Porém, este capítulo também serve para impor uma noção de missão maior para o Flash. Derrotar Zoom deixou de ser o papel do herói que precisa deter o vilão e ir para casa dormir bem e se tornou uma forma do Barry corrigir os erros cometidos por ele. É pessoal e o discurso do personagem através de um bom momento para o ator, Grant Gustin, cooperou bastante para impor essa noção de obrigação, ao invés de mera necessidade.
Wally estava bem apagado até então e seu retorno serviu para acrescentar um pouco de drama familiar em cima de Barry e dos outros dois membros da família West, Iris e Joe. Ainda é muito cedo para dizer qual será a função do Wally no futuro, mas já está óbvia sua conexão com a velocidade. Por hora a missão de criar uma cisão entre Barry e sua família adotiva tem mostrado um aspecto bem imaturo e irritante do Wally. É mais ou menos o padrão utilizado pela série lá no começo da sua primeira temporada. Criaram tantas histórias ruins para a Iris que precisaram mudar completamente a abordagem da personagem neste ano, para assim despertar a preocupação do telespectador. Wally talvez sofra do mesmo problema, afinal, o imagino recebendo destaque de herói no futuro – Isso se a série for seguir sua faceta nos quadrinhos. Então, o melhor seria transformá-lo em um chato, mas não totalmente como tem acontecido. Vamos ver um pouco do lado bom do personagem, só o cansativo está um pouco estressante.

The Flash tem um elenco de apoio muito grande. Essa quantidade absurda de coadjuvantes atrapalha o bom andamento da maioria dos episódios. Não sei se com tantas personagens é possível criar histórias interessantes para cada um, sem desprezar a existência do outro, mas fica evidente que inserir mais do que três secundários é um verdadeiro tiro no pé – E tanto Flash quanto Arrow já estão mancando há um bom tempo. Vamos tomar como exemplo outra série de super-herói em que existem pessoas com peso para a vida do protagonista. Demolidor tem, atualmente, outros dois amigos para Matt Murdock e que dividem relevância dentro da história: Foggy e Karen. É um número inferior, mas também justificado pela temporada reduzida, com dez episódios a menos que Flash. The Flash, por outro lado, conta com: Iris, Joe, Wally, Caitlin, Cisco, Harry – Fora as participações especiais. É muita gente.
Só que a série consegue, quando quer, trabalhar bem as particularidades de cada um desses personagens sem criar momentos incompletos, sem precisar sacrificar outras tramas, ou a própria luta contra o vilão da semana. Neste episódio conseguimos um panorama geral da família West, do Harry e sua filha, além de ótimos momentos para Caitlin e Cisco, além de certo destaque para o casal Lyla e John Diggle. Um prato cheio para quem é fã da série. Também levanta uma constatação que eu não canso de fazer: Se é possível fazer uma vez, então é possível fazer mais vezes. O que vale para outros pontos fracos da série como um todo. Sim romance, estou falando de você.
King Shark é um ótimo episódio para a série, pois não vem carregado da aproximação do vilão, funciona como um sopro de ar fresco dentro de uma trama consistente, mas ausente, além de entregar um desenvolvimento sentimental para a grande maioria de seus personagens. Ver a identidade do Zoom no final do episódio, como muitos de nós já esperávamos, não surtiu tanto efeito quanto eu imaginei que iria. Ao ver o Jay/Hunter Zolomon, ou outro personagem de nome diferente, mas de rosto igual, só que sem uma cena grandiosa e com impacto, me decepcionou um bocado. Poderíamos ter acompanhado uma cena digna de explodir cabeças, mas no lugar o que existiu foi uma repetição da revelação da temporada passada em que todo mundo, menos o time Flash, sabia da verdadeira faceta do Reverso. Vou me tornar repetitivo, mas é bom a próxima temporada não ser centralizada em nenhum segredo de identidade para o vilão. No mais, King Shark expôs toda a qualidade marcante da série, sua aproximação com uma boa história em quadrinhos e digna de uma adaptação de super-herói. Espero que o padrão permaneça.
Easter eggs e outras informações

– Nesta semana a série fez várias menções e homenagens ao filme “Tubarão/Jaws”. Uma delas foi durante a montagem do cartão título divulgado nas redes sociais de The Flash e o próprio trailer.
– Durante o episódio os agentes da ARGUS chamaram o Rei Tubarão de Bruce, o mesmo nome do mecânico no filme Tubarão. Outro filme que fez uma homenagem similar foi ‘Procurando Nemo’, em que o tubarão também se chama Bruce. Várias falas como: “Nós vamos precisar de um Flash/Barco maior”, “Quando você pensou que seria seguro voltar para o subúrbio/água” – todas são adaptações do filme para a série.
– Flash também fez uma menção ao filme ‘Sharknado’.
– Laboratório Nautilus faz referência ao submarino “The Nautilus”, de 20.000 léguas submarinas.
– Rei Tubarão foi criado em 1994, em Superboy 4 #0. Sua versão na chamada prime earth da DC fez parte do Esquadrão Suicida e teve seu debut em Suicide Squad Vol 4 #1, de 2011. A diferença entre ambas as versões é que na primeira ele tem a aparência de um tubarão branco e na outra a de um tubarão martelo.
– O metal mencionado por Harry, ‘Promethium’, é o mesmo utilizado por Ciborgue e Exterminador em suas armaduras.
– O capacete do Jay Garrick em uma espécie de memorial é algo bem parecido com o que Smallville fez em seu episódio ‘Absolute Justice’. Na série do Clark Kent os objetos dos heróis da era de ouro ficavam expostos em uma espécie de museu.
– The Flash retorna com episódios inéditos no dia 22 de março. E no dia 28 teremos o crossover com Supergirl.














