Nunca um episódio de The Affair esteve tão radicalmente dividido. Entre os dois pontos de vista, tivemos uma história excelente, muito bem executada, sob o olhar de Alison. Porém a outra metade foi extremamente arrastada e quase que um filler. Não que o episódio, no geral tenha sido ruim, mas foi um tanto inconstante. Serviu para entrarmos de vez no olho do furacão e percebermos que o caminho desta tormenta é sem volta. Alison vem sendo a personificação disso e seu POV foi recheado de momentos memoráveis.

Estava na hora de Yvonne e Robert terem uma função um pouco mais interessante na série. A forma como Alison percebe a patroa lhe tratando após reconhecer no livro de Noah que aquela era a história dos dois, foi bem tensa. Já Robert foi um poço de compreensão e foi revigorante vê-lo apoiar Alison que tanto precisava de alguém para estar ao seu lado neste momento. Isto fica muito claro pela forma que ela desabafa com ele, como se aquele assunto “proibido” pudesse finalmente ser vocalizado e desatolado da garganta, embora a reação final de Robert tenha sido, no mínimo, desconfortável.

Ainda assim, acredito que a frase de Robert que acabou por deixar Alison mais frágil. Dizer que ela causa aquele efeito nos homens apenas confirma a ideia que ela sente de si mesma, externalizando a culpa pelos estragos que ela e Noah causaram devido ao caso dos dois. Aquele breve percurso na bicicleta, onde Alison tenta se desvencilhar do que sentia foi tocante. Mais uma vez vemos que as consequências do relacionamento deles estão em foco, o que torna as tramas mais densas, complexas e desconcertantes do que as da primeira temporada.

A demissão de Alison foi ótima para que tenhamos visto o encontro de dois POVs. O livro de Noah é a descrição de seu olhar sobre os acontecimentos, onde temos uma Alison mais sexual e com menos pudores, traumas ou sequer vulnerabilidades. Mas, melhor ainda, foi o encontro dela com Helen. O discurso da ex para a atual foi intenso e cheio de evidências que comprovariam o que Alison já estava sentindo. Nós sabemos que Alison e Noah ficam juntos, mas o importante aqui não é sobre eles continuarem ou não. Creio que este turbilhão de problemas é muito importante para entendermos como as coisas chegaram ao ponto em que aparecem na fase do julgamento.

Mas vamos ao ponto problemático do episódio: a parte de Cole. Confesso que estava ansioso para ver o que aconteceria no POV dele e eis que a série desperdiça 20 minutos de episódio com seus encontros com a cougar lady (que nem me dei ao trabalho em aprender seu nome) e com Scotty e Luisa. Nada disso foi minimamente interessante ou relevante para a trama central. Como esta temporada não tem deixado pontas soltas, espero que isto se resolva e as personagens ganhem alguma importância.

Na minha opinião, a parte de Cole começou mesmo apenas quando ele encontra Alison em casa. Encontro este que deveria ter ocorrido logo no início do POV. Certeza que Cole falou honestamente quando respondeu que não via Alison como uma vadia. Fica claro que, sob sua visão, Alison é uma pessoa boa e, inclusive, sem malícia. É quase como sele a visse como uma irmã mais nova. Cole demonstra uma ternura ao vê-la que só enxergamos nele nestes momentos.

Nós sabemos que há discrepâncias entre os pontos de vista e que, provavelmente, sob o olhar de Alison aquela sequência em que os dois ficam juntos na casa seria diferente. Mas o importante aqui é ver como Cole foi afetado pela separação. Ao contrário de Helen, que tenta seguir em frente, ele está extremamente ligado a Alison ainda e não parece ter intenção de deixar tal vínculo de lado tão facilmente. Por mais que não dê para ter esperança, confesso que fico na torcida para que os dois reatem e que todo o plot futuro do julgamento não passe apenas de alucinação ou da trama do livro de Noah. Me parece que o único ali que ama alguém é Cole, que demonstra em cada fala e a cada olhar, o seu sentimento por Alison.

Apesar de um episódio irregular, tivemos bons avanços nas principais tramas da temporada. Mesmo assim, ainda não consigo ver Cole como possível assassino do irmão. Porém o cerco está se fechando e já podemos fazer nossas apostas. Se bem que, por enquanto, o que eu queria mesmo era Noah longe da minha (sim, minha!) querida Alison. E que, daqui pra frente, não hajam tramas perdidas ou desperdiçadas como a de Cole nesta semana. Acho que, ao menos isto, não é pedir muito.

Alguns outros olhares:

Showtime, qual a necessidade do close em HD na barraca armada de Robert?

Cena entre Alison e Helen. Por favor, deem Emmy, Golden Globe, Troféu Imprensa, Oscar, Grammy… Deem o mundo pra Ruthinha e Maurinha!

Joshua Jackson também mandando muito bem em suas aparições. Que elenco, meus amigos. Que grande elenco!

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