Supergirl apresenta com Supergirl Lives um episódio divertido, mas abarrotado.
Um dos meus maiores medos quando Supergirl foi anunciada como parte da família CW, foi a chance existente de que a série cairia no mesmo padrão que Arrow e Flash, lotada de heróis. Apesar de ter amado o fato da produção ter sido “salva” pela emissora, a preocupação permaneceu, afinal ninguém quer que sua queridinha tenha uma queda na qualidade, mesmo com o potencial de uma nova casa. Durante sua primeira temporada na CBS todas as tramas convergiam, principalmente, para os dramas da heroína e personagem principal. Hoje, porém, já temos além da última filha de Krypton, o Marciano, o Guardião e agora Mon-El para trilhar o caminho de um super-herói, sem contar com a história paralela de Alex, Winn e Maggie. São várias tramas intercaladas, com grande potencial para transformar qualquer episódio em algo confuso.
Supergirl Lives não chega a cair neste problema e definitivamente não é confuso, mas apresenta um roteiro lotado e com pouco espaço para respirar. Um episódio centralizado na ação sempre é uma boa maneira utilizada para prender o público, mas usualmente também esconde algumas inconsistências. O grande problema deste capítulo de retorno se torna então a grande quantidade de pequenas tramas, cada uma com sua relevância. Se estivéssemos falando de um season première, o excesso seria compreensível, mas não estamos. Falta pouco para que Supergirl cruze a faixa de meia temporada percorrida e ainda não temos um desenho fixo do que acontecerá até lá, apesar do excesso de tramas paralelas sendo desenvolvidas e de algumas dicas jogadas neste nono episódio.
Entretanto o que a série perde ao inserir muitos elementos em seus episódios ela ganha ao explorar bem o relacionamento entre seus diversos personagens. Em cada uma das interações é possível retirar algo de útil, até mesmo da amizade entre James e Winn. São comportamentos, pequenas falas e detalhes que enriquecem a nossa compreensão a respeito dos personagens. O comportamento adotado pela equipe criativa é o de colocar em destaque seus personagens, enquanto cozinha a trama em banho-maria. Não é algo errado, afinal precisamos nos apaixonar primeiro pelo elenco, que é o sustentáculo da produção. Contudo também é necessário que a história avance por algum caminho e neste caso desenvolver menos histórias simultaneamente é a melhor maneira.
Mesmo assim, entendendo as falhas apresentadas por Supergirl, eu ainda a considero a minha favorita dentro das séries da DC CW. Sua dedicação para cada um dos personagens é louvável. Sabemos muito bem que a série é da Supergirl/Kara, mas em nenhum momento consigo ver seus outros personagens sendo renegados pelo roteiro. Sempre existe um momento, ou alguma pequena interação para cada núcleo. Neste também conseguimos ver um pouco mais do Winn, que apesar de funcionar muito bem como alívio cômico, estava precisando de um destaque maior. O último havia sido em Childish Things, na primeira temporada da série. Seu medo em ser um herói é compreensível, especialmente quando nos lembramos de sua posição dentro da CatCo, além da mudança para o DEO. E como não amar ele comemorando no final, por não ter sido um camisa vermelha e se vangloriando por ter ido para outro planeta?

É sempre ótimo poder ver um vilão recorrente dando certo trabalho para a protagonista. Melhor ainda quando a vilã em questão é interpretada pela excelente Dichen Lachman. Sua versão de Roleta, a sedutora criminosa de National City, é uma ótima maneira de contrabalancear a decepção que Cadmus e a matriarca Luthor causaram durante o primeiro arco da segunda temporada. Por enquanto a série ainda não tem uma antagonista de peso e com desenvolvimento para segurar a história de restante da trama, mas Dichen consegue impor um lado ameaçador, mas casual para Roleta, um que me faz querer ver sempre mais do confronto entre ela e Supergirl, principalmente por conhecer as limitações de nossa heroína, que jamais conseguirá ir tão longe quanto sua inimiga – que neste episódio foi literalmente para outro planeta para continuar com sua vida criminosa, regada a diamantes de sangue.
Tenho certos problemas com a carreira jornalística da Kara, que até agora tem sido extremamente fácil. Faz lembrar um pouco a inclusão da Karen (Demolidor) neste mesmo arco e levanta o mesmo tipo de descrença. Não existe um desafio ali dentro e esta falta de preocupação foi criada pela baixa relevância da central de jornalismo durante a temporada. Snapper Carr é um bom personagem, mas atualmente funciona apenas como um substituto ruim da Cat Grant. Pior ainda para o James, que está tendo sua participação resumida a sentar-se à mesa da presidência com vários monitores atrás e quase nada para oferecer – nem pretendo entrar no assunto Guardião porque bater em cachorro morto é feio.
Supergirl Lives oferece vários arcos pequenos correndo paralelamente a história maior, que deverá girar ao redor da verdadeira identidade de Mon-El, não como guarda do príncipe, mas como príncipe de Daxam – pelo que entendi. Por enquanto a dupla que o está procurando figura como única real ameaça para o momento em que a série retornar para o formato serializado. Claro que mesmo cheia, Supergirl ainda mantém todo o charme que me faz voltar semanalmente com um sorriso no rosto. Quer seja a interação entre Alex e Maggie, o pequeno momento em que Mon-El puxa o cobertor da Kara para si e a química entre Melissa Benoist e Chris Wood que transborda pela tela, estes pormenores elevam a produção. Supergirl ainda tem a melhor mensagem heroica de todas as suas irmãs de canal. Enquanto Barry se preocupa com a própria vida e Oliver Queen começa a traçar novamente um papel de herói/vigilante, Supergirl está preocupada em ser uma fonte de inspiração, de fazer o melhor e não proteger apenas o dinheiro, mas as pessoas.
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Easter eggs e outras informações
– Durante o episódio o Winn diz que não é um ‘camisa vermelha’, uma referência a Star Trek e a mania que a série tinha de sempre matar os tripulantes com camisa vermelha.
– O nome do episódio, Supergirl Lives, é uma homenagem ao roteiro escrito por Kevin Smith, para o Superman e que nunca chegou a ser lançado, apesar de ter entrado em pré-produção. O filme seria estrelado por Nicholas Cage e dirigido por Tim Burton. A Warner desistiu do longa e terminou tendo que pagar caríssimo por ele. Foi por causa de Superman Lives, por exemplo, que Superman o Retorno já estreou com um grande prejuízo, já que a Warner utilizou parte do orçamento do filme do Bryan Singer para pagar as dívidas criadas por Superman Lives, como o salário do Cage e Burton, além do ‘colateral’ dos produtores.
– Quer saber mais a respeito de Superman Lives? É só procurar pelo documentário ‘The Death of Superman Lives’.
– A garota sequestrada e que motiva Kara/Supergirl a investigar o paradeiro de tantas pessoas desaparecidas, foi interpretada pela filha do diretor do episódio, Kevin Smith. Harley Quinn Smith recebeu seu nome em homenagem a Arlequina, Harley Quinn.
– O portal utilizado para transportar Supergirl e outros durante o episódio é uma ótima referência a Stargate e a série fez questão de mencionar.
– Pela segunda vez a série fez menção a raça de Thanagar, o planeta de origem da Mulher Gavião, presente durante a primeira temporada de Legends of Tomorrow. Em Supergirl Lives o Mon-El menciona a besta thanagariana.
– Quem acompanhou o crossover entre Supergirl, Flash, Arrow e Legends of Tomorrow reconheceu o comprador de escravos, pertencente a raça de Dominadores que tentou invadir a Terra. Acho que sem o Flash em seu universo isso não deverá ser um problema para Supergirl, não é?















