Depois da curiosidade que era para os fãs da série saber como se resolveria o cliffhanger deixado no final da temporada passada o desafio era manter o nível que já estamos acostumados com a série, mas também nos trazer um episódio com um caso semanal interessante o suficiente para que o público se mantenha interessado na série e no próximo capítulo que (já) é season finale.
“The Signo of Three” foi ótimo em todos os aspectos, mas até aqui, ele parece ser filler. Este tem sido o padrão da série: apresentar-nos um episódio de introdução, um do meio com um caso da semana, mas com um pequeno gancho para o episódio final e uma season finale de roer os dedos. O título do faz referência ao livro The Sign of Four (O Signo dos Quatro), e mesmo que poucas, traz algumas referências à história em si.
Essas referências estão mais nos nomes dos envolvidos. O roteiro, desta vez escrito a seis mãos (Steve Thompson, Moffat e Gatiss), faz uma verdadeira salada de acontecimentos, mas conseguindo interligar todos os pontos de forma satisfatória no melhor estilo wibbly wobbly timey wimey. Alternando a todo o momento entre presente e passado (que até os momentos finais pareciam ser uma completa falta de tempo), achei curioso o fato de o roteiro do trio não ter mostrado a cerimônia de casamento em si, que eu particularmente acho um recurso bastante interessante. Cerimônias de casamentos são praticamente a mesma coisa, então o episódio tratou de contar, em sua hora e meia, os fatos que realmente interessavam.
Ainda estou surpreso com o tipo de comédia utilizada nesta temporada, indo no mesmo embalo de “The Empty Hearse”, e muitos foram os momentos em que ri alto assistindo ao episódio de Sherlock. Teve desde o humor sutil, como o momento em que Sherlock conta qual foi sua reação ao receber o convite para ser o padrinho de John enquanto o flashback provava o contrário, até o humor mais escrachado, como quando Holmes e Watson ficam bêbados. Também já ri por antecipação ao imaginar como seria o (desastroso) discurso do detetive, porém ele acabou se saindo bem.
Basicamente, a impressão que tive é que o casamento do John serviu mais como um pretexto para o caso da semana poder existir, mas nem de longe isso é uma crítica. Os roteiristas conseguiram pegar algo que certamente seria um clichê tremendo (“John Hemish Watson, você aceita Mary Elizabeth Morstan como sua legítima esposa”, e coisas do gênero) e transformaram em algo realmente criativo. Os casos apresentados pelo detetive em seus flashbacks durante o discurso foram bastante inusitados, como os fãs gostam de ver. Para quem reclamou no episódio passado que as tramas estavam muito soltas, este The Sign of Three conseguiu linkar bem suas histórias aparentemente aleatórias, como o caso do Guarda Ensaguentado e do Mariposa, e para deixar os fãs ainda mais felizes, conectou essa salada toda com a trama do casamento do John, deixando os minutos finais do episódio realmente empolgantes. O tom de urgência foi colocado com destreza, e durante os momentos em que Sherlock estava divagando sobre quem seria o assassino e o alvo deram o contrapeso ideal para a comédia e fanfarronice que estava sendo apresentada até então.
Desde o começo achei que tivesse algo de errado com o esquisitão James Sholto, mas fiquei surpreso ao ver que ele seria a vítima. Não sei por que, mas desde o começo eu tinha invocado que ele tentaria algo contra Watson. O personagem, apesar de relativo pouco tempo de tela, foi bem interpretado por Alistair Petrie. O nome do personagem é uma referência ao personagem John Sholto (ou talvez ao seu filho, Thaddeus Sholto), ambos inseridos na trama central de O Signo dos Quatro. O assassino do episódio, o fotógrafo, é chamado de Jonathan Small, que, trata-se do nome do assassino no livro. Como podemos ver, mesmo tomando grandes quantidades de licença criativa, os roteiristas sempre mantém alguma coisa dos livros. Lembrando também que é em O Signo dos Quatro que Mary Morstan aparece pela primeira vez.
Uma coisa que me preocupou um pouco neste episódio é a gravidez de Mary. Se até este momento eu estava tranquilo, pois sabia que a inserção da personagem não alteraria a dinâmica entre os protagonistas, com essa história de bebê isso pode mudar. Sinceramente, não sei como John continuará participando de suas aventuras com Sherlock com um bebê a bordo. Por outro lado, confesso que gostei como a revelação foi feita, nos reservando uma última surpresa de deduções por parte do detetive, mesmo quando parecia que isso não ocorreria mais no episódio (não sei por que ainda me surpreendo).
A dinâmica do trio continuou afiada como mostrado no episódio passado, e a química entre a dupla Freeman/Cumberbatch parece crescer cada vez mais, como se isso fosse possível. O diálogo cênico deles é ótimo, e podemos perceber como um funciona como o contrapeso na medida certa em todas as nuances apresentadas.
O episódio seguiu focando bastante na comédia, mas trouxe um caso (ou melhor, casos) interessante(s), e só por isso já supera facilmente o anterior. Ainda espero uma season finale de cair o queixo (como tem sido a tradição até aqui) e que todos os aparentes pequenos eventos estejam interligados (como o assalto da gangue do palhaço, no começo do episódio, que soou um pouco deslocado).
Observações elementares:
– No início do episódio, Donovan diz que se Lestrade saísse naquele momento, um tal Jones ficaria com o crédito de pegar a Gangue Waters. Athelney Jones é o nome do Inspetor da Scotland Yard que acompanha Holmes e Watson em O Signo dos Quatro.
– Easter Egg: Em um dos flashbacks, é mostrado John e Sherlock perseguindo um anão com uma zarabatana. É uma referência a Tonga, mais um personagem de O Signo dos Quatro.
– O que foi Sherlock flertando com a madrinha de casamento?
– POSSÍVEL SPOILER DO PRÓXIMO EPISÓDIO:
É só uma teoria, mas vejam se não faz sentido:
Em um dos telegramas que Sherlock lê, temos o seguinte:
“Mary, muito amor, Poppet. Muito amor e felicidade do Cam. Queria que sua família pudesse ver isso”. E se Cam fosse CAM, tipo uma inicial? Se vocês leram a sinopse do próximo episódio ou ouviu notícias de contratações, sabe que Lars Mikkelsen interpretará o vilão Charles Augustus Magnussem (inspirado em Charles Augustus Milverton), o Rei da Chantagem. Se notarmos como fica a cara de Mary ao Sherlock ler o telegrama, podemos presumir que de alguma forma ela está sendo chantageada pelo vilão. Se lembrarmos que em The Empty Hearse Sherlock lê Mary e uma das palavras que surge é “liar”, a teoria pode fazer um pouco mais de sentido. Se a teoria se mostrar verdadeira, acontecimentos de toda a temporada estariam relacionadas, assim como a primeira estava. Vocês acham que eu posso estar certo ou só viajando? Gostaram do episódio. Não esqueçam de comentar.
Em tempo 1: “Aprendi no Youtube.” Sherlock sobre origamis.
Em tempo 2: “Eu sou bonita?” John dando motivos para piadas.















