Antes de essa temporada começar, eu decidi comigo mesma que só sobreviveria ao que Scandal tinha pra me oferecer nesse ano se adotasse a filosofia pagodeira mais manjada do Brasil: a do “deixa acontecer naturalmente”. Não dava para continuar amargando ao compará-la com outras séries que amo (E são muitas. E sim, pode não parecer às vezes, mas eu amo Scandal) e eu tinha que aceitar que esse é o jeitinho dela. Foi por essa razão que eu consegui curtir de verdade os dois primeiros episódios, era Scandal sendo ela mesma, jogando com suas forças, mesmo que não fizesse muito sentido. Mas aí chegou Fates worse than death.
Vamos nos poupar de uma recapitulação passo a passo, ok? Partiremos para um resumão, logo após o disclaimer muito necessário a seguir. Flashbacks. Eu sou filha de Lost com muito orgulho e um pouquinho de arrependimento, tudo misturado. Isso quer dizer que aprendi desde criancinha a apreciar o valor de um flashback. Esse é um recurso narrativo incrível, mas que está me incomodando muito em Scandal. A edição não ajuda muito porque a única coisa que diferencia as timelines é um filtro daqueles pré-prontos de Instagram. Mas me tira o sossego mesmo o jeito meio preguiçoso que a série usa essa estratégia, como se ela fosse uma explicação condescendente para o telespectador desavisado e distraído que tropeçou na série e decidiu ficar por ali um pouco. Quando não é confuso, subestima nossa inteligência. Enfim. Acabou o desabafo – vida que segue.
Pensei que o plot “Quem matou Frankie Vargas?” iria durar mais, mas o episódio dessa semana resolveu passar tudo a limpo. O lado bom é que eles usaram o ponto de vista do próprio culpado para contar essa história. Porque Cyrus pode até não ter de próprio punho atirado no presidente eleito, nem ter pedido com todas as letras para que Tom o fizesse. Mas quando ele acionou o seu cão de guarda para lidar com Jenny e admitiu (aí sim com todas as letras) que queria ser presidente dos Estados Unidos, Cyrus colocou em movimento todos os acontecimentos que culminaram na morte de Vargas.

A cena da prisão dele chega a ser prazerosa porque passamos o episódio todo testemunhando todas as decisões tomadas por Cyrus se transformando na sua derrocada: ele retomando contato com Tom depois de ter prometido para Michael que aquele era um assunto encerrado, ele assumindo erroneamente que Jenny e Vargas eram os novos Fitz e Olivia, ele tentando se desculpar com Vargas pelo que aconteceu com Jenny, ele tentando manipular Tom no final… E apesar de ter mostra também alguns lados vulneráveis (o papo entre Cyrus e Fitz no carro e com Olivia após o debate, por exemplo), o episódio parece ter uma mensagem um tanto quanto “karmica” – a gente colhe tudo o que planta. Cyrus não manipulou ninguém para entrar no governo de Vargas, pela primeira vez ele tinha sido escolhido como a melhor opção. Mas isso não faz com que todos os anos de manipulação, chantagem, fraude e até assassinato sejam apagados. É claro que Tom declaradamente indicou Cyrus como o responsável pelo assassinato de Vargas como uma vingança pessoal, tirando dele o maior desejo de sua vida. Mas me parece minimamente justo, afinal Cyrus foi pivô da destruição de tantas vidas.
Mas e agora, José?

Agora Mellie é a escolha mais óbvia para ocupar o salão oval. Não acredito que vá ser simples assim, porque estamos ainda a 70-60 dias da posse oficial do novo governo. Muita água pode passar por debaixo dessa grande ponte que é a “América”.
> Santa Clarita Diet – Crítica Sem Spoilers!
Ps1: Pode odiar Cyrus e ainda assim curtir muito o trabalho do ator Jeff Perry? Acho que se a gente odeia um personagem que é pra ser odiado, sim, né?
Ps2: Mais uma rodada de renovações para os moradores de Shondaland. O que vocês acharam?















