Um episódio que não teria sido nada, se não fosse pelo retorno de Ruby e Mulan.

Sempre deixei bem claro que esta temporada de Once Upon a Time está com o potencial para ser uma das melhores da série, mas mesmo assim, ainda existe tanta falta de cuidado nos detalhes, que no final eu termino meio que sem paciência. Tudo, absolutamente tudo no plot da Merida me estressou. Especialmente quando sou forçado a assistir uma sequência de dois ótimos episódios, Nimue e Birth, para depois falecer lentamente por quarenta minutos de busca por um elmo. Sério, existem limites que não podem ser cruzados, a equipe de Once Upon a Time extrapolou praticamente todos ao colocar uma pausa na história magnífica que foi desenvolvida ao redor de Hook e Emma, para brincar de caça ao elmo e manipulação da bruxa.

Não, The Bear King não foi um episódio ruim, mas quando a série o coloca para ser exibido agora, eu meio que perco a linha e começo a pensar seriamente em desligar o gatilho da minha humanidade com OUAT. Facilmente eu conseguiria colocar este nono episódio como o terceiro, ou quarto. Para ser honesto, faria muito mais sentido ter assistido antes, ajudaria em muito a simpatizar com Merida, de uma maneira que eu não consegui devido aos próprios roteiristas e produtores da série, que optam por quebrar o ritmo de bons episódios para destacar uma personagem que, convenhamos, só faz sentido para quem assistiu a animação. Eu não assisti, e por isso, julguei Merida como uma personagem falha frente a premissa da série. Até sua última participação, ela não era valente, mas sim uma menina bem imprudente e petulante.

Para mim, tanto faz se a Merida da série é parecida com a Merida da animação, se a que eu estou acompanhando pela primeira vez, é bem chata e incoerente com o que está sendo proposto. Lá nos episódios passados, como instrutora do Gold, nada fez sentido. Hoje, depois da Mulan e depois de entender o passado de Merida, faz. E era isso que OUAT deveria ter feito, apresentado a mitologia de uma personagem antes de entregar para ela as chaves do reino. Não acham? Então, mesmo compreendendo o motivo pelo qual vocês gostaram da personagem, especialmente pela facilidade em relacionar o live action com o animado, eu que só estou vendo um deles, não estava entendendo muito bem todos os elogios. Agora a minha visão está diferente, mas só agora.

Repito o que disse lá em cima, The Bear King não foi um episódio ruim, mas ter sido exibido nesta ordem não ajudou em nada a sequência de bons episódios que Once Upon a Time estava desenvolvendo. Estamos chegando perto do centésimo episódio da série, agora não é o momento de colocar o pé no freio e ir com parcimônia, já passamos por isso, agora é a hora de fortalecer. Infelizmente, o arco Brave não fortaleceu, mas deixou em evidência o maior problema da série, não manter o ritmo e forçar momentos pouco atraentes enquanto a história importante é deixada de lado. Ou o fato de sua superlotação forçar pausas dessa forma. São tantos personagens deixados de lado, tantas tramas que poderiam ser desenvolvidas, que não vai existir momento oportuno, não enquanto a história central estiver girando ao redor do mesmo número de cinco personagens: Emma, Hook, Regina, Snow e Charming. Os roteiristas se recusam a dar um final derradeiro para seus personagens, caso contrário já teriam lidado com o problema dos heróis e heroínas que são peças chave em um ano, mas que desaparecem completamente no outro.

Eu senti sim muita falta da Mulan, da Ruby, mas para variar tudo acabou bem confuso. Eu não me recordo de ter ouvido falar do sumiço da Ruby em nenhum momento na série, ou melhor, sua decisão de ir procurar sua matilha no mundo encantado, ou ela ter conseguido um feijão mágico, algo que fez tudo soar bem apressado e sem cuidado. Também não sei exatamente em que parte da história Mulan está, se ela não deveria já estar acompanhando Philip, ao invés de estar treinando a Merida. É aquele ponto da série que mais levanta perguntas do que responde. Porém, decidi que para aproveitar o retorno das duas, eu teria que mais uma vez desligar este lado do meu cérebro que me faz questionar a equipe de Once Upon a Time. Equipe que nos comentários do Blu-ray da série já chegaram a confidenciar que eles tem sim um painel com a linha cronológica da série. Aparentemente o painel é escrito em aramaico, mas deixa para lá.

Ter o retorno de duas personagens queridas foi bom. Toda a dinâmica entre as três personagens valorizou a história de Brave, que nada mais foi do que uma grande caça ao tesouro. Uma brincadeira feita pela bruxa, que também pode ser vista como uma brincadeira feita pelos roteiristas da série em nos apresentar um episódio tão desconexo da trama. Sim, eu não fiquei feliz com a posição do episódio, especialmente quando ele é colocado como “duplo”, não, não foi. A ABC deixou a vaga de OUAT da próxima semana com algo já determinado e para não atrapalharem a agenda da série, empurraram The Bear King na sequência. Uma coisa, porém, eu agradeço, imaginem a frustração em ter que esperar uma semana inteira para descobrir o que aconteceu entre Emma e Hook, para ver Merida correndo atrás de um elmo cheio de lodo?

Este nono episódio da série veio cheio de charme, com personagens que amo voltando e tendo um desenvolvimento digno, bem parecido com o que aconteceu com Ariel, mas o fato de ter sido colocado logo depois de Birth o deixa em péssimos lençóis. Ver Zelena e Arthur juntos também cooperou bastante para transformar Bear King em algo mais agradável, apesar de frustrante. Especialmente quando vejo que os dois foram colocados juntos só para lidar com aquele probleminha que eu citei lá em cima, excesso de personagens importantes, mas que não fazem nada. Once Upon a Time precisa prezar pela consistência, tanto de roteiro, quanto de bom senso. O tempo para fillers já passou e não foi bem aproveitado, já que estamos assistindo a um nono capítulo com cara de terceiro. Logo, apesar da boa vontade, a impressão que fica é que a série as vezes não tem noção do potencial que tem nas mãos, tanto para o bem, quanto para o mal.

PS. Arthur queria o elmo para forçar seu povo a lutar por ele. Então tá, querido, era isso mesmo que faltava para você vencer uma luta contra o Merlin e a Emma. Só isso. Vou até desligar meu computador, tá?

PS2. A maldição das perucas feias, do vestido azul e da mecha branca que não faz sentido. E eu pensando que já tinha visto de tudo em Once Upon a Time.

PS3. Ruby/Red chamando a Mulan para dar uma volta na floresta, procurar umas cachorras… Já quero.

PS4. Que triste ver a Mulan envergonhada na hora de dizer que estava apaixonada por uma mulher e optando por dizer “uma pessoa”. Viver no armário é tão anos 90, miga. Chega!

PS5. Imaginem – Merida, Mulan, Ruby, Regina e Emma, todas procurando cachorras na floresta encantada.

PS6. Merida jogando cachaça encantada no chão. Eu desisto desse arco, desisto.

PS7. Só de lembrar que Once Upon a Time in Wonderland anulou as chances de que Once Upon a Time in Caça das Cachorras exista, meu coração fica negro.

PS8. Rei Urso, irmão Urso, todo mundo é urso e eu fiquei meio confuso com a falta de homem peludo e sem camisa por metro quadrado. Se vão fazer urso, que façam direito.

PS9. DunBroch – Que também pode ser DUMB ROCK, ou a terra do povo da pedra burra.

PS10. Gente, eu já tinha ouvido falar em perna de pau, mas porque o Rei Urso não pegou a da Arizona emprestada? Ele tinha que usar um toco no lugar? E vocês pensando que as perucas eram a pior coisa de Brave.

PS11. Fiquei esperando o Arthur levantar da humilhação que levou da Merida e dizer: Já acabou, Jéssica?

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