Deu ruim? Chame Regina e Emma.

Tenho lido em vários lugares que esta temporada de Once Upon a Time é, para alguns, a pior de todas. Segundo estes comentários a série “merece” o cancelamento e não deveria viver para ter seu sexto ano desenvolvido. Sabe o que eu acho? Que estas pessoas estão completamente equivocadas. Camelot tem se provado até o momento o ano mais bem estruturado da série desde o final do arco de Oz, na segunda metade da terceira temporada. Obviamente não estou levando em consideração a primeira temporada, que para mim será sempre o melhor trabalho dos roteiristas e produtores deste mundo encantado. Contudo, deixar de lado o brilho de um roteiro tão redondinho como o de Dreamcatcher e de uma temporada com mais altos do que baixos, até agora, é um crime que não será perdoado.

Um dos motivos que está me fazendo amar Camelot é a sua preocupação em dar atenção para personagens antes desprezados, ou de construir boas histórias sem a necessidade de apelar para a fórmula básica da série, em que tudo girava ao redor de algum problema familiar. Tivemos um bom desenvolvimento de arco para Snow e Charming, uma boa construção de vilão, longe do padrão familiar que tanto reclamamos nas temporadas passadas e de quebra ainda amadureceram um personagem que por muito tempo não segurou o encanto de criança fofa que outrora possuía, o Henry.

Dreamcatcher foi um bom episódio não apenas por fugir do esperado, mas por conseguir com maestria lidar bem com ambos os lados da estrada, a do passado e do futuro. Os flashbacks foram, por quatro anos, a moeda de câmbio mais utilizada pelo roteiro de OUAT para lidar com os eventos que estavam sendo explorados. Se o tema pedia coragem, éramos conduzidos por uma história do passado que demonstrava o motivo para que o presente se tornasse coerente, ou que justificasse sua repetição. Esta temporada não tem lidado da mesma maneira, ao contrário, ela vem empregando este artifício de forma bem mais condizente com o que queremos ver, sem cair no mais do mesmo.

Libertar Merlin do seu presídio folhoso já era o caminho a ser trilhado desde o primeiro episódio, quando é revelado por Arthur que a Salvadora seria a responsável por sua libertação, de acordo com a profecia. A Regina assumiu o lugar, mas foi Emma quem conseguiu, através de seus métodos “escusos”, libertar o maior mago de Camelot. Porém, uma das parcerias mais bem utilizadas pela série, a de Regina e Emma, mostrou o quanto uma amiga precisa da outra. Eu sempre pontuei, desde minha entrada no maravilhoso mundo de reviewer de Once Upon a Time, que o brilho da série nunca foi (ou será) o uso de seus efeitos especiais, mas sim a maneira com que ela trabalha seus personagens. Estes personagens saídos dos contos de fadas já mudaram, hoje eu nem consigo mais relacionar o rosto da Regina ao da madrasta de Branca de Neve, mesmo sabendo que ambas são, em essência, uma só. Existiu crescimento, existe amadurecimento e existe sentido.

Já o lado da Emma eu finalmente começo a quase compreender o que estão tentando passar. O que separa um vilão de um herói não é o seu potencial para maldade, ou a quantidade de magia negra existente dentro dele, mas sim o desprezo dos sentimentos alheios e a obsessão em se cumprir todos os objetivos, por mais nobres que estes sejam, ou aparentem ser. Rumpel foi um covarde, mas acabou cometendo todos os seus crimes e erros para tentar reaver o filho perdido. Cora nunca foi uma boa pessoa, mas seu objetivo principal era oferecer a filha tudo aquilo que lhe haviam negado quando a viam apenas como filha do moleiro. Regina lançou a maldição não para fazer com que todos sofressem, mas para que o seu sofrimento parasse. Emma retirou o coração da amiga e potencial namorada do filho para que ela pudesse ter um futuro ao lado daqueles que ama. O que Once Upon a Time trabalha é a própria dualidade do ser humano, seus limites e atitudes. Até onde uma mãe está disposta a ir para salvar seu filho? Para o próprio inferno, ela responderá. E todos nós sabemos que ele é um lugar cheio de boas intenções.

Os filhos estão fadados a repetir os erros dos pais e o Henry está cada vez mais parecido com a Regina. Sua relação com a filha do cavaleiro de Camelot casou perfeitamente bem com o rumo que Cora deu ao primeiro amor de Regina. Ter o apanhador de sonhos, um item que lá na segunda temporada era conectado ao Neal, para mostrar como Emma está espiando e aprisionando a memória de todos os habitantes de Storybrooke e Camelot, foi a conexão mais bem-feita e plausível dentro de OUAT em, pelo menos, dois anos e meio de histórias. E olhem que lindo, se tornou a maneira mais eficaz de conectar pai e filho. Tá, de uma forma meio macabra, mas nós sabemos que o lado sombrio nem sempre é apegado as convenções de fofura.

Ainda existem alguns problemas, dificilmente uma série que está sendo desenvolvida por quase cinco anos não os terá. Rumpel e Merida figuram no centro da problemática deste episódio. De certa forma, dentro de Dreamcatcher, é compreensível ver a maneira com que a heroína se portou para tentar transformar um covarde em alguém corajoso. Emma escolheu o caminho mais fácil, a manipulação. Merida está indo pelo mesmo rumo. Claro que o momento em que ela aparece no escritório da Regina para folhear o livro de contos não desceu bem, mas a natureza da cena poeticamente se conectou ao que estávamos vendo. Se você manipula alguém pelo bem maior, você pode ser considerado um vilão? Mas se no final todos se beneficiarem de suas atitudes questionáveis, você ainda será tido como inimigo? São perguntas que a quinta temporada de Once Upon a Time se propôs a responder e até agora, está indo muito bem, obrigado.

Com boa estrutura, ritmo agradável, respostas e mais mistérios, Dreamcatcher protagonizou o melhor episódio do arco de Camelot, até o lançamento dos próximos, pelo menos. Ainda existem lacunas que precisam ser preenchidas, como a presença de Arthur em Storybrooke, ou a forma suspeita que Merlin se portou quando todos estavam na lanchonete da Vovó. Mesmo assim, não consigo deixar de elogiar um ano em que protagonistas e coadjuvantes vem cooperando com tanta eficácia para a construção e validação da história. Que a boa leva continue e que, se for a última, que feche da forma que começou, com coração – batendo firme no peito e não virando poeira.

PS1. Merida, mais uma vez mostrando o poder da tintura vermelho maçã do amor número 3 e do babyliss produto de pacto com o tinhoso. Caindo no chão, rolando na terra, cachos perfeitos. É do instituto embeleze?

PS2. Um copo de Pepsi = Carnaval em uma lata? Amiguinha, vem cá que eu vou te apresentar a caipirinha.

PS3. Colocaram o carro da Cruella para venda. Único dono, fumante, cheiro de cachorro molhado, já transportou uma mulher peixe. Errr… acho que vou de Fusca também.

PS4. Emma, amiga, seu maior problema como Dark One é essa amidalite que não sara, né? Vamos tomar um xarope para ajudar essa garganta e essa voz rouca.

PS5. O arco de Neverland foi tão sofrível, que até o Henry esqueceu que ele tem o coração do verdadeiro crente e foi “herói”. Se bem que dizer isso para o futuro sogro não deve ajudar muito na causa.

PS6.  Finalmente o Rumpel se tornou alguém digno de namorar, casar, (procriar não) com a Belle, um chato de galocha.

PS7. Por falar em Belle, o que ela continua fazendo com aquela compota de flor andando de um lado para o outro? Fia, o cara acordou, precisa mais disso não.

PS8. No arco de Camelot a Emma estava bem zen, quase indo vender arte na praia. Deve ter fumado umas folhas da árvore do Merlin.

PS9. Robin foi rebaixado a menos importante que a compota de flor da Belle. Que situação.

PS10. Fizeram uma festa no meio da cidade e perderam a oportunidade de ter a Zeleney Spears louca, correndo de um lado para o outro, fazendo gestos obscenos e quebrando as tendas. Roteiristas, nunca irei perdoá-los.

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