A magia sempre aparece para complicar tudo, mas um bom episódio alivia qualquer coisa.

Todos nós estamos cansados de saber que em Once Upon a Time existem regras que não funcionam muito bem quando analisamos a série em sua totalidade. Se um dia a mitologia pede que a magia seja a grande antagonista, ela será sem mais delongas. Porém, quando querem resolver qualquer emaranhado do roteiro e criar soluções fáceis para situações complicadas, lá está ela, a boa e velha feitiçaria em suas mais diversas cores para salvar o mundo, sem deixar ninguém questionar sua efetividade, ou o tal custo benefício a longo prazo. Mais uma vez decidiram que o foco do plot de uma temporada se tornará um dos pontos mais quebradiços da produção. Mesmo que tenhamos caído na mesma armadilha pela décima vez, ainda consegui sair deste segundo episódio com um certo sorriso de satisfação.

The Prince não é mesmo o primeiro episódio que lida com o chamado preço da magia, nem mesmo no título. The Price of Magic foi centralizado na Cinderela na primeira temporada e também é, desde o início da série, o tema chave para assuntos relacionados a magia. O problema é que esse preço parece estar relacionado apenas a assuntos que os roteiristas acham relevantes. Toda magia tem um preço, até mesmo a mais branca das magias, a da cura. Emma vem usando seus poderes de salvadora desde o último episódio da primeira temporada, mas a partir do momento em que ela cura o Robin, existe um preço a ser pago, tudo porque ela está com os poderes das trevas do Dark One. Não faz sentido. Quer dizer que se a espada não estivesse enfeitiçada para matar a Regina ela conseguiria curar o Robin sem nenhum acréscimo mágico inflacionado? Existe um desapego muito forte dentro de Once Upon a Time. Todo e qualquer assunto poderá (e será) modificado a bel prazer, tudo depende do que o plot precisa para seguir sua estrutura narrativa. Então hoje a magia é cara, amanhã ela pode ser quitada com um sorriso.

Vocês sabem que aqui nesta review não existe espaço para passar a mão na cabeça de nenhum personagem. Mas também sabem que quando acontece alguma coisa que eleva um personagem até então irrelevante, eu vou elogiar sim. O destaque que ambos os Charming tiveram, mesmo que pequeno, conseguiu quebrar um pouco da visão de que os dois personagens só estavam servindo para reproduzir discursos entediantes a respeito do amor, bem maior e aquelas coisas chatas que nós já estamos virando árvore de saber. Ter o Charming se comportando como um homem comum, dando um conselho para o neto, tendo a Snow do lado para ajudar a Regina, uma personagem que anos atrás ninguém conseguiria colocar na situação atual, é algo muito bom. Me deixa com uma esperança maior para que o destino dos dois melhore, especialmente depois de alguns anos amargando saídas nem um pouco atraentes para ambos.

Outra que conseguiu agir de uma forma boa foi Belle. Sim, você não leu errado, eu fiz um elogio para a Belle, vamos todos apreciar o momento. Passado o momento de apreciação e entrando no motivo para tal, preciso comentar que conseguiram pegar o ponto mais forte da personagem e com uma naturalidade ímpar, nos conduzir pela trama. Belle é a mulher inteligente, mas ainda é o recurso menos utilizado. Em alguns momentos ela não sabe absolutamente nada, em outros ela aparece com uma explicação plausível que risca a necessidade de um flashback maçante e desnecessário. Que continuem utilizando a personagem e seu conhecimento para evitar cair no mais do mesmo sempre. Não tem como errar e vocês já sabem, menos é sempre mais quando estamos discutindo OUAT.

Claro que a magia não foi o ponto alto de The Price, mas sim a nova página que se abre no desenvolvimento da Regina, a personagem que mais evoluiu em quatro anos continua nos cativando de maneiras bem simples. O empoderamento feminino é sempre importante para o desenrolar da trama de nossa ex Evil Queen, logo, não é surpresa vê-la indo ao resgate do homem que ama, não o oposto. Ficou um pouco difícil comprar a ideia de que Regininha nunca aprendeu a dançar, afinal, Cora queria uma filha perfeita para conquistar o marido perfeito e bailes são bem comuns na Floresta Encantada, mas a agulhada na Snow até valeu a pena. Não poderemos nunca nos esquecer que Regina começou seu caminho na maldade através do remorso e rancor. Sendo assim, ter fagulhas do seu passado não apenas mantém a personagem interessante, por retirá-la do padrão bondade execrável, mas também demonstra consistência.

Já Emma até ficou interessante, mas ainda falta um pouco mais de diversão para que ela se torne memorável. Eu torcia muito para que as versões alternativas de Once Upon a Time dominassem uma temporada inteira (ou meia), por isso aprovo a mudança no status quo de alguns dos habitantes de Storybrooke. O problema é que a Jennifer Morrison ainda aparenta um desconforto no papel. Quero vê-la se soltando mais e demonstrando todo o potencial de uma vilã. Por enquanto, com todas as dicas e conversas paralelas, eu ainda acho que Emma está em total controle do seu lado bom e tem um plano bem definido para conseguir o que quer, e se for comprovado não ficarei muito feliz.

Agora entrando em Camelot, sempre fico muito assustado com o que OUAT faz com seus cenários digitalmente construídos. Assustado de uma forma ruim, sempre. Não sei se construir tudo digitalmente acaba saindo mais barato (pela péssima qualidade), ou se o pessoal da equipe acha muito bonito e bem feito, mas a verdade é que eu preferia mil vezes ter tudo montado com materiais reais, do que ser forçado por um episódio inteiro a alternar entre um cenário legal de Storybrooke e velas digitalmente construídas do castelo genérico do outro lado do espelho.

Arthur, Guinevere, o rapaz que se lembra da Rainha Má e quer vingança, são pontos interessantes a serem explorados, mas falta um pouco de história nesse mix. Até agora continuamos encobertos por aquela aura de mistério que não nos deixa acreditar nas motivações de nenhum dos novatos, de novo um ponto já explorado exaustivamente dentro de OUAT.

Mesmo com as reclamações, mesmo com os defeitos técnicos e com as repetições de fórmula e quebras na mitologia, eu aprovo The Price. Um episódio que consegue pegar personagens secundários que andavam sendo tratados como reservas dos reservas, é sempre digno de atenção e importante de ser mencionado. Com certeza ver uma Belle mais explorada, os Charmings menos robotizados e um Henry sendo normal ajudaram a transformar a experiência em algo agradável. A temporada da Dark Swan ainda tem muito o que provar para passar no teste dos cinco anos, mas se ela pelo menos for capaz de me fazer gostar de alguns personagens que já desprezo, conseguirei chegar no final pelo menos satisfeito.

1. Belle ainda está carregando a compota de flor mágica de um lado para o outro, imagino que até para o banheiro, o que torna tudo bem mais medonho.

PS2. Emma Dark Swan é uma mulher sábia, porém ousada. Para o filho aparece com um sobretudo cobrindo o corpo ao melhor estilo professora de defesa contra as artes das trevas, para o namorado surge mostrando algumas tiras de pele branca cadavérica. You go girl!

PS3. Henry está desenvolvendo sua primeira paixão adolescente. Como é bom ver esse menino se comportando como uma criança normal.

PS4. Henry, vou te dar uma dica boa: Coloca uns proibidão do funk nesse iPod, porque essa menina vai voltar para a terra dela logo e é bom não perder tempo.

PS5. Roupa de algodão egípcio e guirlanda de flores para a cabeça – 500 reais. Colar de ametista noite púrpura do canal 1001 noites – 3000 reais (a parcela) e um carro popular. Regina escolhendo o modelito Evil Queen para o baile no puxadinho do rei Arthur – Não tem preço. Para todas as outras coisas, cartão Feno de Ouro.

PS6. “Você é um cavaleiro?” – “Melhor, sou um escritor”. Nada como um romance firmado na área de humanas.

PS7. Missão toga parece que está chegando cada vez mais perto, já inseriram uma fúria e o Caronte, barqueiro do Hades. Temporada dos homens com as pernas de fora… tô dentro.

PS8. Lembra daquele episódio em que o Chaves e cia tomam um choque todos ao mesmo tempo? Foi assim que me senti com o maravilhuóso desfecho da fúria.

PS9. Roland jogando as varetas no chão e se abraçando – Você viu Once Upon a Time o que vocês estão fazendo com essa criança traumatizada, assustada e que se abraça quando a vida tá difícil?

PS10. Emma tá parecendo a bruxa do 71 com esse cabelo branco e tez pálida.

PS10. Quase não teve Zelena. O que eu fiz para merecer tal destino? Na vida alternativa passada aposto que dancei quadradinho de borboleta em cima da mesa de reunião da Távola Redonda.

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