Dia das mães antecipado em Once Upon a Time.

Com o retorno de Cora, o encontro de Malévola e Lily, Emma e Snow finalmente se acertando, Regina e uma grávida e amedrontada Zelena, todo o episódio prelúdio do season finale de Once Upon a Time serviu para reverenciar e enlouquecer as mães da série. E também para dar uma conclusão para todos os arcos criados no decorrer da temporada das “bruxas más”, entre aspas mesmo, porque tirando Cruella, todas as outras duas promessas de terror e ranger de dentes em Storybrooke se provaram bem interessantes e até mesmo relacionáveis. O bom e velho padrão OUAT de criar vilãs que não são odiosas nem mesmo quando tentam. E eu nem estou reclamando, ainda.

O que Mother fez foi resolver todos os problemas de sua meia temporada em quarenta minutos. Emma fez as pazes com os pais, Lily e Malévola passaram do desconfortável café da manhã para o emotivo abraço entre mãe e filha, e por fim, Regina atravessa sua última prova de fogo, ao demonstrar que sua capacidade em aceitar os próprios erros e ver que ela sempre foi a única responsável pela sua infelicidade, algo que eu já esperava. Tudo isso porque o próximo episódio é um universo alternativo, de uma série que já é um universo alternativo dos contos Disney. E nenhum desses problemas teria espaço, afinal, nossos personagens não se lembrariam do que foram, ou o que fizeram na vida “passada”.

Mother é bom, entrega um belo aquecimento e constrói tudo aquilo que precisávamos para atingir o ponto especifico, o local que os roteiristas queriam que estivéssemos. O grande problema é a comodidade e o usual pé na jaca que os autores deste grande conto feliz sempre forçam. Tudo se resolveu tão rápido, depois de tanto tempo sofrendo, indo para Nova York, ouvindo discursos de amor, finais felizes. E dessa vez não foi a magia a responsável por acelerar o processo de cura, novo poder da salvadora, mas sim a falta de tempo. Mas eu já me conformei, reclamar acaba se tornando apenas uma forma de não deixar esses detalhes passar em branco.

Preciso dizer que Lily maltratando a Malévola foi de partir o coração? Acho que não. Entretanto, em um episódio em que Regina é o centro das atenções, o merecido momento em que a ex-rainha má mostra para Lilith, quem realmente manda naquela cidade, foi simplesmente divino. Ser uma dragon bitch não fez muito bem para os furos do roteiro, com Emma aparecendo magicamente no exato momento em que sua mãe é atingida, sem ao menos saber onde ela e o pai estavam até então. Ou o fato da Snow ter ido atrás da Malévola, enquanto um dragão ameaçava destruir tudo e ver o David parado, como um bocó, sem tentar impedir a esposa, foi de escurecer o coração. Não podemos ter tudo, não é mesmo? Entretanto, usar Lily e todo o seu potencial para as trevas, seu ódio dos Charmings e fazer dela a “destruidora” foi o ápice da inteligência, ou isso, ou os redatores decidiram maneirar nos copos de vinho durante as reuniões da pauta.

Emma e todo o drama ao redor da sua queda para o lado negro foi uma singela forma da série dizer que não, o livre arbítrio dos personagens não foi removido mágica, ou cirurgicamente. E eu gostei, confesso. Porém, como eu já disse antes, a série impõe tanta urgência e importância, com ar de dito e feito, que toda a conclusão acabou provando que tudo o que passamos, ou quase tudo, foi meio que desnecessário. Acaba deixando personagens inteligentes burros, mas como no final tudo é um drama humano com retoques de fantástico, eu entendo a amplificação dos sentimentos e conflitos, é o esperado, para ser totalmente honesto. O bom é ter a certeza de que encaixaram Lily na trama, tiraram a Emma do buraco da cracolândia em que ela se encontrava e apagaram de vez qualquer conflito restante entre ela e os pais, mais especificamente a mãe.

Mas agora vamos para a joia do infinito de Once Upon a Time e a dona de Mother, Regina. Elogiar Lana Parrilla é chover no molhado? É. Dizer que a Regina é a melhor parte da série é ser repetitivo? É. E eu vou continuar fazendo enquanto sobrarem forças dentro de mim. Tudo o que aconteceu neste episódio foi a constatação que todos nós já havíamos feito há muito tempo. O final feliz é de responsabilidade da pessoa, não do destino. Demorou, Regina sofreu o pão verde que a Zelena amassou, mas finalmente ela compreendeu que tudo aquilo que ela precisa para ser feliz, está a seu alcance. Porém, foi de partir o coração ver seu trajeto e a derradeira explicação para que ela tenha decidido adotar Henry, ao invés de só balançar o beliche com o Graham (xerife gostosão 50 tons de cinza) até tudo dar certo.

São pequenos momentos, porém grandiosos como esses, que demonstram uma habilidade que eu não via nos roteiristas desde o final da primeira temporada. As conexões e as explicações sempre caem bem, mesmo que demorem um pouco para chegar. Às vezes eu me esqueço de que as mentes criativas por trás de Lost fazem parte de Once Upon a Time e que dar respostas não é uma preocupação, no final do dia. Contudo, quando elas vêm eu não consigo deixar de comemorar. É preciso sim demonstrar o que levou alguns personagens ao destino que hoje eles têm, deve fazer parte do processo de amadurecimento e compreensão. De novo, pode se tornar uma armadilha, quando o recurso não é bem utilizado, ou detalhes são esquecidos. Mas todos nós sabemos que a queridinha de OUAT pode ter todos os problemas do mundo, ser negligenciada nunca será um deles.

Logo, colocar Cora para lembrar Regina o que realmente importa, dar o devido final para o drama entre Emma e Snow, fechar o arco da Malévola e encerrar os problemas da Lily (temporariamente), fizeram de Mother uma agradável surpresa. Precisávamos de um episódio como esse para ter a certeza absoluta de que os erros consecutivos e a falta de vontade de mudar são os pontos que impedem qualquer um de atingir o derradeiro final feliz. Rumpels infelizmente nunca aprenderá tal lição, mas ver como sua vida se tornará com seu novo final feliz, para ele e todos os vilões, será com certeza uma ótima forma de dar adeus para a quarta temporada. Os bons episódios de OUAT continuaram e agora só resta torcer por um bom season finale, mas se bem me lembro da viagem no tempo do ano passado, com Emma e Hook (momento fofo na ponte), me dá a pequena certeza de que tudo ficará bem, mesmo que para alguns termine bem mal.

PS. Aldeão inútil queria economizar no aluguel do salão para o casamento, não se deu bem. Aprendam crianças, na festa de casamento é assim, você economiza na decoração, mas não nas flores do velório.

PS². Episódio sobre ser mãe e Snow passeando pela cidade, correndo atrás de dragões e se esquecendo de que…. Ela tem um filho recém-nascido para cuidar. É ou não é a mãe do ano?

PS³. Sobre a informação anterior, Belle anda dando uma de super Nanny, cuidado da educação do filho da Snow e coisa boa não poderá sair daí. Imaginem, chegar em casa e encontrar a Belle amamentando o Neal? Ewwwwwwww.

PS4. O autor é o verdadeiro fã de Once Upon a Time, apaixonado pela história da Regina, refém do Rumpels e com a tendência de acabar se rendendo a qualquer desejo dos redatores da série.

PS5. O autor nada mais é do que um escritor de ‘Fanfic’. Durmam com essa.

PS6. Uma das maldições mais fortes de Once Upon a Time é o desaparecimento de personagens. Cadê a Vovó? August? Ruby? Os anões? Doutor Grilo? Alguém que não seja creditado como ‘transeunte desinteressado em magia explícita 1’?

PS7. Sobre o ps anterior, até o Pongo já apareceu, já que é mais fácil trazer um cachorro do que um ator/atriz. Dica para a próxima adaptação e maldição: Nem que a vaca tussa. Transformem todo mundo em vaca e pronto, adaptou o desenho e dá pra trazer até o Chapeleiro de volta, colocando um chapéu festivo em um boi malhado.

PS8. Entrando na discussão da adaptação do próximo ano, pode ser o retorno da Cinderela, já que a Disney lançou o live action este ano, o que repetiria a fórmula utilizada com Malévola após o filme. Eu prefiro algo mais ousado, tipo Beverly Hills Chihuahua. O que acham?

PS9. Cora é o tipo prático de mãe. Qualquer um que ela encontrar no bar e flertar um pouco, pode ser seu futuro genro e pai de seus netos. Imaginem a torta de climão no jantar de natal? “Passa o peru” nunca mais será ouvido da mesma forma.

PS10. Melhor maneira de curar os traumas infantis: Poção do esquecimento. Realmente, dia das mães em Once Upon a Time é um dia para comemorar. A não ser que você seja o Roland, ou a Emma, ou qualquer filho, neto, boneco de madeira…

PS11. Coração emborrachado pela falta de bom caráter. Não deve ser fácil a vida de um advogado em Storybrooke. Imaginem montar uma defesa com esse tipo de testemunho?

PS12. Henry (pai), penteando o cabelo da filha. E a cara da Regina? Gente, me abraça. Cadê salão do Henry fazendo promoção de balaiagem pras princesas?

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