Chamaram a Salvadora para ajudar a trama de Frozen em Once Upon a Time. Será que funcionou?
Não quero dar spoilers desta review “papo com os amigos” que essa criatura aqui escreve, mas vou adiantar logo para vocês: Funcionou sim. Todo o arco de Frozen conseguiu atingir o ápice da utilidade em uma sequência muito bem feita, que de uma vez por todas colocou Elsa e Anna lado a lado, trabalhando juntas e nos mostrando realmente o que aconteceu em Arendelle. Ou seja, o que amargamos enquanto esperávamos uma entrega melhor de um arco proposto no season finale da temporada passada, foi de certa forma finalizado com cenas boas, atuações convincentes e justificativas plausíveis para a timeline confusa e rebuscada de Once Upon a Time.
Um dos maiores acertos deste quarto ano da série não foi escolher a animação fofa e rentável da Disney, Frozen, para encher nossos olhos de efeitos especiais. Longe disso, excluindo algumas interações da Anna com alguns personagens, a fofice de Kristoff e os efeitos bem feitos do Grand Pabbie, tudo acabou bem sem sal. Foi ao escolherem Elizabeth Mitchell para interpretar Tia Sorveteira/Ingrid, que a série teve seus melhores momentos. Ela e seus dotes mágicos e atuação impecável foi a verdadeira salvadora.
Mas vejam bem, demorou um pouco, mas conseguimos um episódio centralizado em Elsa e Anna que não ficou chato, cansativo, ou arrastado. Porém, fomos sim prejudicados por uma hora e meia, tudo poderia ter sido facilmente dividido em dois episódios, sem problema algum para a narrativa. Quando cheguei ao final, já estava um pouco cansado, mas ainda interessado no que sairia de ‘Smash The Mirror’. Mesmo com esse probleminha, o resultado final agradou.
Aparentemente nossa Tia Sorveteira desenvolveu vários transtornos durante seu período aprisionada. Mas quem não desenvolveria, não é mesmo? Ser traída pela irmã a fez criar uma fixação com um conto antigo que ela leu enquanto era boa e pura. Logo, as irmãs que ela precisava eram apenas um artificio para conseguir seu intento mais sombrio, levar a cidade a um fim tão maligno quanto o seu, de perder a irmã para a magia e ser considerada um monstro.
Infelizmente, ao olhar mais atentamente para essa justificativa, eu fico meio “com um pé atrás”. Quer dizer que o objetivo era recriar o feitiço do espelho apenas para se vingar, como ela deixou claro para Anna? Se sim, o que Storybrooke tem de relevante? Não seria melhor voltar a Arendelle, descongelar tudo e lançar o pó de espelho nos olhos dos habitantes? Ou tudo isso faz parte do plano para conseguir o amor e devoção de Emma e Elsa? Mas se elas se tornarem más, loucas e desvairadas, isso as fará gostar da Tia Sorveteira? Acho que não. Sendo assim, ainda existem pontas soltas e necessidade de explicação. Com o próximo episódio centralizado na tentativa de impedir essa nova maldição, talvez o verdadeiro uso do feitiço do espelho seja revelado. Até então, ficam aqui minhas ressalvas quanto a esse plot em específico.
Emma foi outra que caiu em um uso clichê. Por sorte, Elsa foi útil finalmente e mesmo não trocando de roupa, se mostrou bem versátil dentro do roteiro. Ela sempre passou pelo problema que Emma experimentou (levemente, diga-se de passagem). Elsa cresceu com o estigma dos perigos e olhares tortos. Foi até surpreendente a demora em ir atrás da Emma para ajudá-la, apesar dos comentários e dicas de que tudo era um tema que ela já tinha bastante experiência. Mas com Charming e Snow no comando da busca, quem realmente pensou em dar voz a razão? Ninguém.
Olha, que bela sacanagem com Hook. Roubar seu coração é o mesmo que reproduzir a maldição da boca proibida da Zelena. Se não vão pensar em algo realmente útil para o personagem, que não forcem a mesma trama em cima de nós novamente. Não é a hora de final feliz, mas também não precisam de um final trágico assim. Rumpels sempre se divide entre livre arbítrio, mas roubar o coração do pirata acabou desmerecendo todo o seu discurso de “escolha” que ele tão insistentemente fez a Emma.
Vocês podem me odiar por isso, podem reclamar bastante nos comentários, mas se a irrelevância da Belle não havia ficado clara antes, este episódio veio como a prova definitiva de que não existe espaço para ela, nem quando as coisas ficam interessantes. Tiveram a coragem de citar a personagem em vários momentos dessas quase duas horas e em período algum se deram ao trabalho de colocar a moça lá. Foi babá do Neal, foi peça no discurso do Hook e nem para dar “oi e tchau” apareceu. E não é que foi melhor assim mesmo? Como o próprio Rumpels disse, ela acredita no melhor que existe nele, mas esse melhor não tem espaço. Ou seja, tão pouco Belle.

Eu disse na review passada que um dos maiores problemas do Gold era não perceber que seus atos de maldade e busca pelo poder o impediam de atingir a felicidade que ele julga merecer. Tudo é desfeito, esse é o melhor exemplo do oposto da Regina, que lentamente está atingindo e conquistando o que realmente merece e plantou durante sua “revelação” interna. E não foi uma surpresa quando ele confessou ter conhecimento disso. Gold não está aqui para ser nosso vilão em expiação pelos seus crimes, ele está aqui para ser seu próprio algoz e maior inimigo. E me corrijam se eu estiver errado, mas ele desprezou completamente qualquer tipo de redenção em prol do seu amor por Belle. Ele está com ela pelo fato da esposa acreditar na bondade dele, talvez uma forma de não se perder totalmente, mas não por querer melhorar. Isso deve colocar alguns pesos em cima dos dilemas morais que a série não precisará lidar com o personagem nos próximos episódios.
E já que comecei a falar de Regina, vamos discorrer mais sobre a participação que eu tanto esperei para essa linda. Se de um lado temos Gold/Rumpels amargando suas escolhas erradas, sua sede por poder e sua incapacidade em corrigir seus erros e ser feliz, do outro temos Regina, finalmente aceitando que deve mesmo uns trocados pela utilidade surpresa da Snow. Eu já tinha dito várias vezes nas outras reviews, Regina sempre teve o melhor desenvolvimento da série, mesmo quando seus arcos não eram lá essas coisas (lembram da segunda temporada com a Cora?). Apesar de ter sido reduzida consideravelmente nesta temporada, um episódio mais longo foi mais do que suficiente para amarrar todas as minhas expectativas e alimentá-las com o mais doce mel. Ainda não estamos lá, mas o principal começa a ser desenvolvido, a aceitação e a fé em uma das personagens que mais precisa destes aspectos.
Sim, o episódio pode ter sido centralizado em Emma, pode ter necessitado da utilidade da Elsa e ser basicamente focado em Arendelle, mas foi quando nos deram Regina, que tudo funcionou. Ela é e sempre será a liga que a série precisa para fluir bem. Quando não temos Regina, mesmo que por alguns instantes, ou apenas conversando e jogando várias verdades na cara de certos personagens insossos, falta alguma coisa. Porém, entendo bem que não dá para sugar tudo da personagem em todos os episódios. É ruim não ter a beleza e capacidade de Lana Parilla todos os episódios? É. Mas pensem pelo lado positivo, não existirá a carga e o perigo de um dia a jogarem para escanteio, como fizeram com Snow e Charming, após exaurirem todas as possibilidades para o casal.
Concluindo, este episódio mais longo pode ter parecido um pouco cansativo, mas apenas lá no final. A trama andou a passos largos. Consegui ver todo o esforço dos roteiristas em transformar Frozen em algo agradável e realmente útil para nós, telespectadores. Não foi tarefa simples, já que até então, tudo havia se resumido a Elsa lamuriando e Anna andando de um lado para o outro. Logo, um episódio bom como esse só conseguiu aumentar minhas expectativas para o próximo, que virá apenas dia 30 de novembro.
PS. Emma jogando o Henry no ar, melhor do que o maníaco chutando as meninas no episódio anterior. GENTE, me senti realizado. You go girl!
PS2. Onde assino a petição para 40 minutos da Emma arremessando o Henry de um lado para o outro?
PS3. E lá vamos nós… de novo. Emma e Elsa se tocam e mágica acontece – Mas dizem que é coisa de irmã HARRAM -. Roteiristas façam Emma beijar Elsa, ou Regina, ou alguma mulher logo, eu sei que é o que vocês querem desde o começo. O Hook não vai se importar.
PS4. Sabe aquela frase: Só quando o inferno congelar? Bem-vindos a Frôze de Arendelle!
PS5. Qual anão a Emma detesta mais? Eu também voto no Feliz, uma pessoa que acorda sorrindo não pode ser boa de coração.
PS6. Regina, a única que consegue dar a melhor noite de um homem dentro de uma CRIPTA. Cadê livro de “Dicas da Rainha Má para sacodir seu relacionamento cansado”? Eu compraria duas cópias.
PS7. Um pequeno corte atrás da orelha e o menino ficou horas com gelo na nuca. Tentando imaginar Henry em qualquer outra série existente hoje. Game of Thrones: Morto. The Walking Dead: Morto. Pepa a Porca: Morto. Não consigo desejar essa criança uó viva em lugar nenhum.
PS8. Tia Sorveteira, barrada na balada do Rumpels, não conseguiu ver os fogos e liberou todo seu recalque nas fitinhas da irmandade. E que fique o aviso: Deixar de convidar Tia Sorveteira para qualquer festinha será seu último erro.
PS9. Vai ter ‘PS’ palhaço sim, vai ter o Diego se achando engraçado neles SIM e se reclamar, vai ter review só de PS. Como disse poeta Taylor Swift: And the haters gonna hate, hate, hate.
PS10. Magia sempre vem com um preço. Pela inflação existente, imagino que pelos fogos a Emma precisará entregar um braço, ou seu próximo filho.
PS11. Ingrid aka Tia Sorveteira no fundo deseja o poder das três. Considerando que Rose McGowan já esteve na série, o que será que falta para termos um reboot de Charmed dentro de Once Upon a Time?
PS12. Belle estava de babá durante o episódio, a biblioteca vazia e aberta. E tem gente que diz que eu pego no pé da individua.
PS13. Robin Hood é o tipo de boy que vai roubar a sua carteira depois de passar a noite balançando o beliche com você. Sabe a prataria? Sabe as joias da vovó? Sabe seu HiPhone com cinco chips? Guarda no cofre, amiga.
















