Pros americanos um roteiro inteligente, pra nós um episódio convincente.
Sempre debatemos a falta de eficácia de Modern Family nas últimas temporadas em produzir episódios de boa qualidade, fugindo do clichê rotineiro e situações repetitivas. Patriot Games surge representando a tentativa de trazer algo diferente, e acerta. Apesar de envolver círculos já conhecidos, trouxe novas propostas e fez direito.
Desde o título até o último minuto do episódio, o que vimos foi uma exaltação do modo estado-unidense de ser. A intenção é exatamente esta, mostrar o patriotismo e praticamente conquistar o coração de cada espectador por lá. Seja para ser o melhor, lutar por causas ou até mesmo se tornar um. Um episódio para residente nenhum dos EUA botar defeito, já que sabemos do nível de patriotismo existente naquele lugar. Porém, estamos no Brasil e tal devoção não nos comove da mesma forma.
As interações de Cameron e Mitchell com outros casais sempre rendem situações boas, não é bem o que acontece aqui. Vemos uma tentativa de engajamento social deles para impressionar os amigos, ou seja, uma pegada mais diferenciada. Porém, o outro casal é totalmente coadjuvante e não coopera em nada. Tudo se desenrola na base de Cam e Mith, é bem interessante ver como os dois se saíram bem sozinhos e mostram que a química cômica nos dois permanece viva. Podem até ter exagerado um pouco nas situações forçadas, mas as cenas do mercado e do restaurante são ótimas.
Enfim o ano letivo da Alex chegou ao fim, mas não sem baterem mais forte na tecla da loucura dela em ser a melhor. Apesar de no episódio anterior ela ter levado todos os prêmios na escola, ainda conseguiu ficar empatado com um rival das antigas. A rivalidade dois até que foi bem explorada, e melhor ainda entre os pais dos dois. Porém todo o melodrama gerado no momento em que o tal adversário se declara e dali pra frente foi muito estranho, necessidade de dar um espaço maior e talvez mais “adulto” pra Alex. Enquanto que os pais se mantiveram muito bem durante todas as cenas, o debate na sala do Cam foi excelente. O maior problema é esse lado da Alex que já ta pra lá de repetitivo e esgotado, colocar mais disso é mostrar que a vontade dos roteiristas em inovar está zerada. Sanjay não me convenceu, a atuação foi fraca, pareceu muito desanimado e nenhum pouco “nerd irritante” igual a Alex. Phil foi excelente, principalmente quando deduziu que ganharia um prêmio de pai mais sexy na escola. Luke, pra variar, totalmente inútil.
Falando em inutilidade, aparece o outro menino Manny comprovando que o tal elenco infantil já parece sem caminho. Ou são deixados de lado, ou aparecem em plots fraquíssimos. Se fora pra continuar assim, que tal uma viagem de uns 24 episódios pra eles durante a sétima temporada? Pra dar uma aliviada e tempo pra pensarem em algo, de infantil só a Lily, por favor.
Na casa dos Pritchett, o debate era sobre Gloria estar conquistando cidadania americana. A personagem vem sendo muito mal explorada na temporada, e talvez o maior destaque dela foi agora. Acredito que pelo peso na consciência que ela criou, as referências de histórias colombianas poderiam ter aparecido fortemente, sempre são boas. Mesmo assim, ela correspondeu e foi muito bem como uma garota texana. Sem tirar os méritos é claro do sempre espetacular Jay, comentários cômicos com timings exatos. Quem reapareceu foi Javier, que não dava as caras desde a quarta temporada, e que pelo que fez podia continuar longe mesmo ou que sirva pelo menos pra dar uma chacoalhada no Manny.
Enfim, foi um episódio muito bem montado e articulado. Temas interessantes, e na grande parte, com boas atuações. Porém, pra tanta necessidade de mostrar o tal lado patriota podiam reverte em boa vontade de fazer episódios engraçados mesmo. Patriot Games é legal, anima e até diverte. Agora só faltam dois episódios, e sinceramente, precisam melhorar muita coisa pra fechar a temporada com alguma qualidade.















