Vivendo o glamour da noite de Los Angeles.

No primeiro texto de Hello Ladies falei da importância da série ser ambientada em Los Angeles. Esse episódio mostrou com exatidão o que tentei dizer. L.A. é caracterizada como o inferno na terra: pessoas superficiais, grandes extravagancias financeiras, pessoas tentando ganhar algo em cima do próximo, e uma solidão para os que não conseguem se adaptar a esse mundo. Stuart parece ser um homem bom, apesar de ter atitudes extremamente desagradáveis. A maldade com que o mundo trata o personagem ajuda a construir a comédia, mas também serve de palco para o drama, que acaba sendo bastante forte em alguns momentos.

Existe aquela tal regra de “quem faz o bem, recebe o bem”. Existe Karma e mais um punhado de teorias sobre as ações dos seres humanos. Stuart é um personagem que parece não entender esse princípio tão básico. Ele é capaz de fazer “o mal” abertamente e esperar “o bem”. Em seu caso, quanto à maneira como trata as mulheres com quem tenta se relacionar. É claro que o personagem, como a maioria dos homens, iria preferir a modelo do que a interiorana. Mas citando mais um clichê popular: é melhor um na mão do que dois voando. Fica difícil simpatizar com a jornada do protagonista em busca de uma parceira quando ele “descarta” o que não acha não precisar mais com tanta facilidade.

Parece ser um caminho tão óbvio, mas tantos nuances me levam a crer que em um futuro próximo Stuart vai descobrir seu amor por Jessica, ou vice-versa. A amizade dos dois é um pouco suja, sincera e espontânea, como todas as relações mais íntimas entre amigos. A dupla também encerra o episódio de maneira tão linda, e como um viciado assumido em finais de episódios perfeitos (se é que isso existe), fiquei extremamente alegre ao ver a maestria do corte para os créditos, alguns milésimos depois de um toque sutil de mãos, dentro de um carro enorme, vazio e escuro, a analogia perfeita para o vazio que ambos sentiram em suas jornadas separadas pela noite em Los Angeles.

No fim, ainda é cedo para dizer se Stuart merece ou não o que acontece em sua vida. Existe um contraponto interessante (e não sei se proposital ou apenas por acaso) entre as boas e más ações praticadas pelo protagonista. Em certos momentos, é extremamente caridoso, em outros, um crápula inexplicável. Acontece que na vida real, a maioria das pessoas caminham entre “o bem e o mal”, sempre agindo da forma que acham mais correta, o que nem sempre condiz com o que a sociedade vai achar, de fato. Essa verossimilhança, dentro de uma comédia, é bastante singular e agrega valor a uma produção artística tão recente e que mesmo assim, já parece bem madura.

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