The Flash acerta em cheio com sua trama e impõe consequências para o herói em Killer Frost.

Dizer que Flash não é uma série de herói é mentir. Existe dentro do panteão de histórias em quadrinhos as mais diversas abordagens para personagens icônicos como o Corredor Escarlate, Batman, Superman e tantos outros. É comum, porém, que a escolha seja sempre a de repassar uma imagem de que no final o bem sempre triunfa e o caminho das trevas não compensa, o clichê mais antigo já empregado na fantasia e em vários outros gêneros. Mas o que fazer quando o arauto da bondade, é o culpado pelas mazelas do mundo e não a sua cura? E foi utilizando essa ótica que Kevin Smith, o diretor que já chorou enquanto assistia a primeira temporada de Flash, conduziu o sétimo episódio da série.

Obviamente o foco em Killer Frost ficou com Caitin Snow, mas a mensagem, e essa ficou bem clara no final do episódio, foi a de que finalmente decidiram impor consequências não apenas para as pessoas ao redor do Barry, mas para ele. O episódio, contudo, não teria dado certo se não tivessem optado por desenvolver a história de Caitlin paralela a mensagem destinada ao protagonista. Danielle Panabaker já havia me conquistado como meta-humana em Welcome to Earth-2, mas em Killer Frost seu desempenho viajou além do que foi previamente apresentado. Existe uma diferença bem grande entre a personagem da Terra-2 com a que estamos acompanhando. Panabaker fez um excelente trabalho ao reprisar o lado menos amistoso da cientista, mas o ponto definitivo surgiu ao vê-la interpretando alguém de maneira menos caricata e bem mais centralizada na carga dramática e emocional de uma mulher que está lutando uma batalha interna.

Existe o bom drama e o drama ruim e Killer Frost entregou o primeiro tipo de interação. Se não tivesse existido desenvolvimento gradual da maneira que Caitlin estava lidando com a sua nova realidade, o episódio teria caído em um buraco de atitudes sem justificativa. Mas como acompanhamos, lentamente, a luta e a consternação de Caitlin, principalmente após ouvir de Barry que ele poderia ser o culpado pela transformação da amiga, impulsionou um desenvolvimento de personagem feminina que raramente The Flash consegue fazer fora do espectro amoroso. Talvez o fato de ter uma mulher escrevendo o roteiro de um episódio centralizado em uma mulher tenha ajudado e o trabalho de Judalina Neira na execução do texto é algo digno de reconhecimento.

The Flash --- Killer Frost
The Flash — Killer Frost

E então entramos no outro ponto do episódio, a corrida de Savitar, o deus da velocidade. A cena é interessante? Sim. Mostra parte do monstruoso poder de um velocista que se autodenomina o deus da velocidade? Totalmente. O problema é que ela emula o mesmo tipo de montagem que acompanhamos na segunda temporada, em Enter Zoom. Lembra quando o perigoso vilão mascarado arrastou o Flash, mostrando todo o seu poder e maldade? Então. Infelizmente a série continua não percebendo o potencial que tem nas mãos e erra, repetidamente, ao achar que só existe um tipo de antagonista plausível para um velocista, outro velocista. Colocar um vilão gigante não é o diferencial, não mais. Existe um problema maior quando a série coloca Savitar com tantos poderes, mas o assustam com um raio de gelo. E se é para entregar um monstro de computação gráfica para ser o principal inimigo do protagonista, poderiam ter inserido Grodd, não é mesmo? Gorilla Warfare é a prova de que é possível e muito mais interessante.

E se vamos colher os louros da vitória, que tal um momento de relativo destaque para Iris West? A personagem continua com uma única missão dentro da série, a de entregar discursos de motivação, mas o desta semana funcionou muito bem. Barry não tem noção do que ele realmente afeta ou não, a não ser o visível e palpável. Talvez Caitlin desenvolvesse seus poderes independente da intromissão do herói, como aconteceu na Terra-2. O irmão do Cisco poderia estar a um passo da morte com ou sem Flashpoint. Contudo o ato de culpar a si mesmo já fez com que Barry sempre veja a si mesmo como o responsável por todas as mazelas do mundo. Em certo ponto ele é, mas o fato de continuar agindo como se o mundo, para o bem ou para o mal, o tenha no centro, já está cansativo. Não espero que uma frase da Iris tenha conseguido mudar a concepção de mundo do Barry, mas talvez a semente tenha sido plantada com maior efeito.

Por outro lado o episódio acerta quando faz com que Barry comece a sofrer diretamente as consequências de seus atos. Ainda é possível, ou pelo menos era possível, ver Barry com o mesmo discurso de sempre, de que ele pode corrigir tudo. Talvez agora ao receber o impacto direto de suas ações, nosso protagonista passe a compreender que ele não é deus. Pode ser que a ironia de enfrentar alguém que se intitule como divindade seja a principal mensagem da terceira temporada da série. De qualquer maneira, é bom ver que o herói está aprendendo com os erros, já que até então o grande impacto de Flashpoint na vida pessoal de Barry havia sido a descoberta de um companheiro de sala irritante. E convenhamos, não é a melhor maneira de ensinar uma lição para alguém tão imaturo e apenas destaca quão infantil Barry é. Enquanto o irmão de seu amigo está morto e sua amiga sofrendo em silêncio, Barry reclamava do Julian. Não é uma matemática interessante, não é mesmo?

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Easter eggs e outras informações de Killer Frost

– Julian é o Dr. Alquimia. Surpreso? Também não. Flash deveria desistir da ideia de vilões mascarados e misteriosos de uma vez por todas.

– Killer Frost ou como é conhecida no Brasil, Nevasca, é o codinome de Caitlin Snow, dentro da história mais recente da DC Comics. Entretanto a vilã já atendeu pelos nomes de: Crystal Frost e Louise Lincoln. Criada em 1978, Nevasca começou como antagonista de Nuclear, na revista Firestorm #3.

– Em determinado momento H.R. diz que ele e Cisco são um “All Star Team-Up”, que é o nome de uma série de revistas em quadrinhos da DC, além de também fazer referência ao episódio da primeira temporada em que o Átomo, Nuclear e Arqueiro Verde ajudam Barry a capturar o Flash Reverso.

The Flash --- Killer Frost
The Flash — Killer Frost

– No caminhão estacionado no galpão de produtos congelados que Caitlin leva Julian é possível ver o nome Ledded Goh, uma referência ao filme Frozen, da Disney, através da música Let it Go.

– Killer Frost foi dirigido por Kevin Smith, que também conduziu o episódio The Runaway Dinosaur na segunda temporada e irá comandar Supergirl Lives, em Supergirl. Kevin já chegou a escrever histórias em quadrinhos e assinou alguns números de Arqueiro Verde. Como escritor Smith criou o roteiro para o filme Superman Lives, nos anos 90, mas o longa não chegou a entrar em produção.

– Quando Barry sai do laboratório é possível ver um raio cruzando a claraboia do prédio. Segundo o diretor, Kevin Smith, aquela foi uma pequena homenagem ao famoso evento que garantiu os poderes a Barry.

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