The Flash deixa a história importante em segundo plano e desenvolve um Monster.

Flash tem um padrão estranho quando decide colocar em destaque os seus personagens secundários. Um capítulo que deveria usar como foco Caitlin Snow e seu recém descoberto poder, coloca a trama de um monstro criado por holograma e um falso cientista para competir com uma das personagens mais desprezadas pela série desde sua estreia. E desperdício e confusão são as palavras chave no quinto episódio da segunda temporada de The Flash.

O episódio fez várias decisões estranhas, inclusive a de não entregar para o Flash o discurso utilizado por Joe. Um dos maiores problemas de Flash enquanto série é a falta de um trabalho de herói para o personagem central. Capítulos como Monster oferecem a ótima oportunidade de desenvolver o lado heroico da produção. Como não estamos lidando diretamente com a trama central da temporada, o momento ideal para demonstrar a relevância do Corredor Escarlate como um símbolo, é este. Muito mais do que ter o Flash salvando Julian de cometer um erro, ou de acompanharmos Barry tentando justificar o porquê meta-humanos não são todos ruins, são as ações que importam e The Flash não está entregando o suficiente para ser coroada uma verdadeira adaptação de um super-herói clássico.

Durante a primeira temporada, era comum ver o protetor de Central City correndo pela cidade, salvando transeuntes, parando crimes. Hoje é muito difícil ver Barry agindo dessa forma. Tanto é que no primeiro episódio do segundo ano, entregaram um ‘Dia do Flash’, em comemoração ao herói. Hoje, já não é mais possível tê-lo como tal. E este é o principal problema que tive com Monster. Um episódio que poderia ter oferecido tanto, mas se limitou a entregar diálogos estranhos, um inimigo questionável, tudo isso enquanto deixava o foco realmente importante em segundo plano. Algo que não faz sentido.

Por exemplo, pegue o momento em que o monstro está criando caos na cidade. A cena em que o Flash e Iris ajudam os passageiros de um ônibus é o momento em que a série trabalha seu protagonista como alguém interessado em salvar vidas. Contudo, o foco desvia completamente e se transforma em uma cena entre Barry e Iris argumentando brevemente quanto a posição da repórter em uma cena caótica como aquela. Existe uma má direção do personagem dentro da CW, que insiste em desenvolver o drama onde deveria existir heroísmo. É uma falha contínua desde o começo da segunda temporada, uma que precisa ser corrigida o quanto antes.

The Flash --- Monster
The Flash — Monster

Claro que o grande ás do episódio foi Caitlin e o encontro com a sua mãe, a mulher que fez com que a Caitlin da Terra 2 se transformasse em Nevasca. Uma pena que o texto de Zack Stentz não conseguiu centralizar as interações entre Danielle Panabaker e Susan Walters, atrizes que realmente conseguiram vender uma ótima interação entre mãe e filha. É um grande clichê? Sim. Entretanto quando bem trabalhado o clichê pode nos oferecer algo que a omissão jamais permitiria, e o roteiro de Flash jogou Caitlin para escanteio excessivamente no passado. Não faz sentido, porém, que tenhamos recebido tão pouco, especialmente porque todo o resto no episódio foi bem decepcionante quando analisamos o potencial existente em Monster.

Monster deveria ter sido uma analogia para o monstro que Caitlin Snow está combatendo, o interno. A cena em que ela literalmente congela seus sentimentos e perde o controle é um bom tipo de material, mas que não foi explorado. Vulnerabilidade é sempre um ponto que rende, além de oferecer para qualquer atriz/ator a oportunidade de alongar seu alcance técnico, inclusive mostrando um lado que não esperávamos. No passado já vimos a cientista atuando como vilã, em um episódio extremamente divertido, assim como já a acompanhamos sofrendo por causa de um noivo, um ex-marido e também um novo namorado psicopata. Tê-la interagindo com a mãe, expondo uma vulnerabilidade pessoal, sem conexão com algum homem, é a peça chave para que a representação de personagens femininas dentro de The Flash mude. Por enquanto, ainda é um desejo.

Outro grande problema é que ao analisar a trama da cientista descobrindo seus poderes e escondendo sua nova faceta de todo mundo, ela simplesmente não se encaixa na terceira temporada da série, independente do que Flashpoint tenha mudado ou não. Pior ainda quando percebo que a trama da personagem nada mais é do que um assunto requentado de outro, Cisco Ramón. É um grande agravante notar que a série só conseguiu pensar em um tipo de história para Caitlin Snow, e que essa história é uma cópia daquela que acompanhamos na temporada passada. Não faz sentido que ela continue escondendo seus poderes, não após ter acompanhado o drama do melhor amigo ao lidar com o mesmo problema, assim como o resultado. Cisco também teve uma contraparte vilã, com superpoderes. O que está acontecendo com a série que ela não consegue criar um tipo de conflito sem fazer com que seus personagens ajam como pessoas inconstantes? O que realmente ela acha que irá acontecer se revelar seus poderes? Barry voltou no tempo e ferrou a vida de muita gente – de novo. Cisco descobriu que é um meta-humano e foi abraçado pelo time. Que medo injustificável é esse?

Monster é um emaranhado de erros e quase acertos. Colocar Caitlin para desenvolver uma história longe da equipe e mais centralizada em si mesma foi o grande ponto positivo. Contudo tê-la repetindo a história de outro, em um momento em que emocionalmente, não faz sentido, foi um dos problemas. Só que este é um pequeno desvio se comparado ao grande foco do episódio, as interações entre Barry e Julian, assim como a revelação de que H.R. Wells não é um cientista de verdade e que o monstro era uma perfeita ilusão. No aspecto diversão, porém, a série ainda está sustentando um clima bem mais otimista, mas é preciso ir além e fazer muito mais, especialmente com os coadjuvantes, porque se o protagonista irá, continuamente, agir de forma imatura, é preciso que o alicerce seja reforçado e dar para uma personagem tão querida a história requentada de outro, não é a melhor forma de fazê-lo.

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Easter eggs e outras informações

– Nevasca teve sua primeira aparição em Firestorm #3, de 1978. Existem duas versões da personagem, uma introduzida durante os Novos 52, em 2003, na revista Fury of Firestorm: The Nuclear Men #19, de 2013. A mais antiga, de 78, atende pelo nome de Crystal Frost. Ela desenvolveu um amor platônico pelo seu professor, Martin Stein, mas foi recusada. Após começar a trabalhar no Ártico a personagem acidentalmente se trancou em uma câmara térmica, se tornando então Nevasca. A versão mais recente, porém, tem o mesmo nome da personagem da série, Caitlin Snow, e teve em sua origem uma conexão com o grupo criminoso H.I.V.E., presente na quarta temporada de Arrow.

– Foi feita uma referência a Star Wars Episódio V – Império Contra-Ataca. Durante a cena em que o Flash corre para tentar amarrar as pernas do monstro, e assim fazê-lo cair, a série prestou uma homenagem a clássica cena em que Luke derruba um At-At usando o cabo de sua A-Wing.

– O momento em que Wells diz que não existe café em sua Terra, foi uma pequena conexão com outra série que já explorou universos paralelos, Fringe. O roteirista do episódio já trabalhou na série.

– San Francisco, melhor momento do novo Wells no episódio. Todo o resto? Nem tanto.

– Por outro lado, um episódio inteiro com o Barry não cometendo erros é uma novidade bem-vinda. Que aconteça mais.

– Barry e Cisco dividindo o mesmo teto. Tanto potencial.

– Julian, um bom ator para um personagem tão fraco. Whyyyy???

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