The Flash 3×05: Monster

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The Flash deixa a história importante em segundo plano e desenvolve um Monster.

Flash tem um padrão estranho quando decide colocar em destaque os seus personagens secundários. Um capítulo que deveria usar como foco Caitlin Snow e seu recém descoberto poder, coloca a trama de um monstro criado por holograma e um falso cientista para competir com uma das personagens mais desprezadas pela série desde sua estreia. E desperdício e confusão são as palavras chave no quinto episódio da segunda temporada de The Flash.

O episódio fez várias decisões estranhas, inclusive a de não entregar para o Flash o discurso utilizado por Joe. Um dos maiores problemas de Flash enquanto série é a falta de um trabalho de herói para o personagem central. Capítulos como Monster oferecem a ótima oportunidade de desenvolver o lado heroico da produção. Como não estamos lidando diretamente com a trama central da temporada, o momento ideal para demonstrar a relevância do Corredor Escarlate como um símbolo, é este. Muito mais do que ter o Flash salvando Julian de cometer um erro, ou de acompanharmos Barry tentando justificar o porquê meta-humanos não são todos ruins, são as ações que importam e The Flash não está entregando o suficiente para ser coroada uma verdadeira adaptação de um super-herói clássico.

Durante a primeira temporada, era comum ver o protetor de Central City correndo pela cidade, salvando transeuntes, parando crimes. Hoje é muito difícil ver Barry agindo dessa forma. Tanto é que no primeiro episódio do segundo ano, entregaram um ‘Dia do Flash’, em comemoração ao herói. Hoje, já não é mais possível tê-lo como tal. E este é o principal problema que tive com Monster. Um episódio que poderia ter oferecido tanto, mas se limitou a entregar diálogos estranhos, um inimigo questionável, tudo isso enquanto deixava o foco realmente importante em segundo plano. Algo que não faz sentido.

Por exemplo, pegue o momento em que o monstro está criando caos na cidade. A cena em que o Flash e Iris ajudam os passageiros de um ônibus é o momento em que a série trabalha seu protagonista como alguém interessado em salvar vidas. Contudo, o foco desvia completamente e se transforma em uma cena entre Barry e Iris argumentando brevemente quanto a posição da repórter em uma cena caótica como aquela. Existe uma má direção do personagem dentro da CW, que insiste em desenvolver o drama onde deveria existir heroísmo. É uma falha contínua desde o começo da segunda temporada, uma que precisa ser corrigida o quanto antes.

The Flash --- Monster
The Flash — Monster

Claro que o grande ás do episódio foi Caitlin e o encontro com a sua mãe, a mulher que fez com que a Caitlin da Terra 2 se transformasse em Nevasca. Uma pena que o texto de Zack Stentz não conseguiu centralizar as interações entre Danielle Panabaker e Susan Walters, atrizes que realmente conseguiram vender uma ótima interação entre mãe e filha. É um grande clichê? Sim. Entretanto quando bem trabalhado o clichê pode nos oferecer algo que a omissão jamais permitiria, e o roteiro de Flash jogou Caitlin para escanteio excessivamente no passado. Não faz sentido, porém, que tenhamos recebido tão pouco, especialmente porque todo o resto no episódio foi bem decepcionante quando analisamos o potencial existente em Monster.

Monster deveria ter sido uma analogia para o monstro que Caitlin Snow está combatendo, o interno. A cena em que ela literalmente congela seus sentimentos e perde o controle é um bom tipo de material, mas que não foi explorado. Vulnerabilidade é sempre um ponto que rende, além de oferecer para qualquer atriz/ator a oportunidade de alongar seu alcance técnico, inclusive mostrando um lado que não esperávamos. No passado já vimos a cientista atuando como vilã, em um episódio extremamente divertido, assim como já a acompanhamos sofrendo por causa de um noivo, um ex-marido e também um novo namorado psicopata. Tê-la interagindo com a mãe, expondo uma vulnerabilidade pessoal, sem conexão com algum homem, é a peça chave para que a representação de personagens femininas dentro de The Flash mude. Por enquanto, ainda é um desejo.

Outro grande problema é que ao analisar a trama da cientista descobrindo seus poderes e escondendo sua nova faceta de todo mundo, ela simplesmente não se encaixa na terceira temporada da série, independente do que Flashpoint tenha mudado ou não. Pior ainda quando percebo que a trama da personagem nada mais é do que um assunto requentado de outro, Cisco Ramón. É um grande agravante notar que a série só conseguiu pensar em um tipo de história para Caitlin Snow, e que essa história é uma cópia daquela que acompanhamos na temporada passada. Não faz sentido que ela continue escondendo seus poderes, não após ter acompanhado o drama do melhor amigo ao lidar com o mesmo problema, assim como o resultado. Cisco também teve uma contraparte vilã, com superpoderes. O que está acontecendo com a série que ela não consegue criar um tipo de conflito sem fazer com que seus personagens ajam como pessoas inconstantes? O que realmente ela acha que irá acontecer se revelar seus poderes? Barry voltou no tempo e ferrou a vida de muita gente – de novo. Cisco descobriu que é um meta-humano e foi abraçado pelo time. Que medo injustificável é esse?

Monster é um emaranhado de erros e quase acertos. Colocar Caitlin para desenvolver uma história longe da equipe e mais centralizada em si mesma foi o grande ponto positivo. Contudo tê-la repetindo a história de outro, em um momento em que emocionalmente, não faz sentido, foi um dos problemas. Só que este é um pequeno desvio se comparado ao grande foco do episódio, as interações entre Barry e Julian, assim como a revelação de que H.R. Wells não é um cientista de verdade e que o monstro era uma perfeita ilusão. No aspecto diversão, porém, a série ainda está sustentando um clima bem mais otimista, mas é preciso ir além e fazer muito mais, especialmente com os coadjuvantes, porque se o protagonista irá, continuamente, agir de forma imatura, é preciso que o alicerce seja reforçado e dar para uma personagem tão querida a história requentada de outro, não é a melhor forma de fazê-lo.

> Veredito da 3ª temporada de Black Mirror!

Easter eggs e outras informações

– Nevasca teve sua primeira aparição em Firestorm #3, de 1978. Existem duas versões da personagem, uma introduzida durante os Novos 52, em 2003, na revista Fury of Firestorm: The Nuclear Men #19, de 2013. A mais antiga, de 78, atende pelo nome de Crystal Frost. Ela desenvolveu um amor platônico pelo seu professor, Martin Stein, mas foi recusada. Após começar a trabalhar no Ártico a personagem acidentalmente se trancou em uma câmara térmica, se tornando então Nevasca. A versão mais recente, porém, tem o mesmo nome da personagem da série, Caitlin Snow, e teve em sua origem uma conexão com o grupo criminoso H.I.V.E., presente na quarta temporada de Arrow.

– Foi feita uma referência a Star Wars Episódio V – Império Contra-Ataca. Durante a cena em que o Flash corre para tentar amarrar as pernas do monstro, e assim fazê-lo cair, a série prestou uma homenagem a clássica cena em que Luke derruba um At-At usando o cabo de sua A-Wing.

– O momento em que Wells diz que não existe café em sua Terra, foi uma pequena conexão com outra série que já explorou universos paralelos, Fringe. O roteirista do episódio já trabalhou na série.

– San Francisco, melhor momento do novo Wells no episódio. Todo o resto? Nem tanto.

– Por outro lado, um episódio inteiro com o Barry não cometendo erros é uma novidade bem-vinda. Que aconteça mais.

– Barry e Cisco dividindo o mesmo teto. Tanto potencial.

– Julian, um bom ator para um personagem tão fraco. Whyyyy???

  • Marcelo

    De fato a Caitlin esconder os poderes não tem nexo nenhum.

  • Clíssia

    Mais uma review maravilhosa, Diego! De fato é bem WTF a Caitlin esconder os poderes, mas pelo menos esse plot dela é melhor do que os anteriores, que era só sofrer por algum boy. A Iris teve uma leeeeeeeve melhora nesse início de temporada, mas a Iris que a gente não gosta tá voltando. Os roteiristas precisam aprender a trabalhar melhor suas personagens femininas, viu 🙄
    No geral a temporada tá meio meh, isso tá me preocupando.

  • Sara

    Este episódio vai para a lista dos Piores de The Flash. Desperdício e confusão dominaram os 40 minutos. Não acredito que os produtores gostem tanto de HR!! O screentime dado a ele é muito grande e ele nem merece tudo isso. Todos os diálogos dele me cansaram, ele incorporou a Gilmore Girls e parecia uma metralhadora falante.

    Julian: Não consigo ficar super interessada, mas gosto do Tom. Cait é interessante, sua jornada de Doutora para Killer Frost é uma coisa muito boa, mas erraram feio neste episódio. Gostei da review, só não concordei com a parte do “uma das personagens mais desprezadas pela série desde sua estreia”. Cait, assim como as outras mulheres do DCTV tem/teve seus problemas no roteiro*, especialmente na S2, mas o número de vezes que ela foi favorecida pelos roteiristas e ganhou protagonismo numa série onde é supporting actress(!!!) não a coloca no Hall de Injustiçadas/Desprezadas.

    Isso é cw, não dá para esperar um desenvolvimento que Simmons, May, Daisy ganham, mas dava para eles fazerem algo mais decente dentro das limitações da emissora.

    • Gabriel

      A série tem que aproveitar o que tem de melhor. E o que ela tem de melhor é o Tom Cavanagh.

      • Sara

        Pra mim, ele fez um bom trabalho na S1 sendo Wells/Eobard. E a storyline dele foi sem tropeços, ele foi o único que não agiu “fora do personagem”, foi bem trabalhado pelos roteiristas. E foi interessante o Wells da Terra 2. Chegou a hora de dizer adeus e eles não querem 🙂 A jornada dele já acabou, o foco desnecessário que ele ganha merecia ir para Cisco, Cait, Iris, Joe, Wally.

        Obs: ele foi um bom Reverse, mas o Matt Letscher manda melhor no papel, passa mais vilania, infelizmente, parece não ter a amor dos fanboys/equipe criativa que Tom Cavanagh conquistou…

        • Gabriel

          Não é amor dos fanboys. Ele ainda é a melhor coisa da série. Pega a qualidade dos episódios em que antecederam sem retorno nesta temporada, por exemplo. A diferença é gritante quando comparado com aqueles que a sucederam. Mesmo com a estória não sendo tão interessante ele ainda salvava os episódios com uma ótima atuação.

          • Sara

            Desculpa Gabriel. Pra mim ele nunca foi a melhor coisa na série, ele é competente e só. E sim, os fanboys e críticos de sites de entretenimento amam Tom Cavanagh. Ele nunca vai sair da série. Pensando de forma geral sobre “ótima atuação na CW”: os melhores atores que a CW tem atualmente se chamam Jesse L Martin e David Harewood (Supergirl), tanto que acho eles muito talentosos para uma Tv pipoquinha(que me agradou várias vezes claro, mas percebo que não é nenhuma Brastemp).

          • Gabriel

            Ótimo que pense assim. Nunca disse que Cavanagh era o melhor da CW. The 100 tem muita mais qualidade no elenco. Quanto à Flash, ao meu ver, ele continua sendo o melhor ator. Colocaria bem próximo o Jesse L. Martin, Carlos Valdes, Matt Letscher e John Wesley Shipp. Do resto do elenco vejo ninguém se sobressaindo.

            Fanboys e críticos amam o cara pela sua competência e por ele praticamente carregar a série nas costas. No dia em que ele sair a qualidade da série cairá muito.

          • Sara

            John Wesley Shipp!!!!! Esqueci dele! Talentoso também.

        • edujakel

          cheguei até a cogitar q naquele final com o Julian, o Barry ia chamar ele pra ficar no lugar do cientista no Star Labs.
          Acho q esse Julian é um fingido e é o Alchemy

          • Sara

            Julian no lugar do Wells?! QUERO! #SaiWells
            O Julian ainda não me deixa super interessada, mas gosto muito do Tom.
            Provavelmente ele é Alchemy… previsível, mas pode ter uma história boa nisso e não vejo problema.

          • edujakel

            nao vejo problema tb. a unica coisa q mudou na linha temporal de verdade foi aparecer esse Julian e o Alchemy…se Superman nos ensinou alguma coisa, é q sempre q o Clark some, o Sups tb…rs Logo, qdo aparece é a mesma regra.

    • Sara

      (supporting cast)

  • Flavio Batista

    Esse episodio so valeu pela cena do HR: “Deixem eu ser o muso de vocês!”
    Só por isso hahaha

  • Tiago Lima

    Esse episódio teve dois erros para mim incomodou muito, o primeiro foi o plano de derrubar o Monstro, tudo bem que no final era holograma, mas é uma péssima ideia derrubar um monstro gigante no meio da cidade, ninguém pensou que poderia derrubar prédios e ferir mais pessoas. E o segundo o assistente da mãe da Caitlin, resolver sequestra ela, depois de ver o poder dela, foi uma cena rápida, mas a ideia é ridicula.

    • Arnaldo Jumem

      O Pior, a Caitlin sequer contou pra mãe dos planos do rapaz. A mãe dela foi ajudar o assistente que estava perto de traí-la. Concordo plenamente com suas colocações!!!

  • Carol

    Concordo com essa parte da Caitlyn.. Não tem muito sentido ela ficar escondendo seus poderes do grupo, depois de tudo o que eles já passaram.
    Mas eu não to curtindo mesmo essa nova personalidade do Cisco. Grosso, pessimista, sério.. Achei que ele ficaria assim só por uns dois episódios, mas pelo jeito é como ele será a partir de agora.. Nossa, o personagem ficou muito chato..

    • josimar

      Cisco tá insuportável desde o início da temporada. Se fosse só nos epis iniciais, por causa da morte do irmão, ainda ia, mas pelo visto vai ficar assim por mais um bom tempo, infelizmente.

  • Caio Vinicius Viana Lima

    Quando flash tá boa arrow tá ruim, quando flash tá ruim arrow tá boa….
    Eles não conseguem deixar as duas series igualmente f*das não!?!

  • edujakel

    pois é…nao entendo todo esse drama da Kaitlin. Acho até q o medo dela é de se tornar uma vilã e nao de contar pro time. Mas mesmo assim nao faz sentido nenhum ela esconder isso. Pura enrolação.

  • Fábio Santos

    Diego, os Novos 52 são de 2011? Você colocou que são de 2003 nos easter eggs.

    Episódio fraquíssimo, com um vilão ainda pior só pra tampar buraco. Pelo menos a Caitlin fez mais do que chorar por causa de homem e dar meias falas com pitacos científicos. Espero que a desenvolvam mais. Poxa, em

  • Luana

    Ainda sustento a teoria de que Julian é Dr. Alquimia.

    • Também acho que é ele, e vou além, tenho a impressão de que ele desenvolveu um tipo de personalidade dupla, causada por Flashpoint.

      • Luana

        Exatamente, algum tipo de dupla personalidade. Procurei em alguns sites sobre o assunto e tem bastante coisa sobre isso…

  • Marcos Bastos

    Ansiosíssimo pro episódio 7 “Killer Frost”. Quero todos os holofotes na Caitlin.

  • Leonardo dos Santos Silva

    onfuso o roteiro. na primeira temporada, Wells (Thawne) sempre deixou claro que não era pra se falar o que aconteceu quando o Barry viaja no tempo. Agora o Barry sai contando pra geral o que fez e o que mudou, fora toda essa citação “ah foi por conta do Flashpoint” porra não precisa ficar falando, todo mundo já sabe (me refiro a cena do Barry conversando com o Joe na delegacia a sós sobre Julian). Fora esse episódio completamente desconexo com o restante da temporada, esse negócio de ‘vilao da semana’ é muito chato, vencido.

  • Wagner Lutterbach

    “O momento em que Wells diz que não existe café em sua Terra, foi uma pequena conexão com outra série que já explorou universos paralelos, Fringe. O roteirista do episódio já trabalhou na série.”

    Não sei se alguém comentou aqui, pois não li todos os comentários, mas o novo Wells chamou o Wally de Walter enquanto distribuía os cafés. Vi como mais uma referência a Fringe.

    • Fábio Santos

      Fringe é muito amor!
      Wagner, sobre o Walter, li em outro site que quando o Wells-19 chama o Wally de Walter, faz referência a uma saga no qual o
      Wally viaja no tempo, cria uma nova linha temporal e desaparece pelo
      tempo. Dessa nova linha temporal, vem um Wally mais velho, sombrio e
      sério, que se chama Walter West.

      • Wagner Lutterbach

        Que legal! Não sabia disso. Obrigado. De qualquer forma, foi uma referência legal. Rsrsrs

  • Sandro Luz de Oliveira

    Deu até uma pontada de saudade no coração quando o HR falou sobre que não existe café em sua Terra, aquela saudade de Fringe …

  • @filipebraga

    Nevasca inclusive está presente como membro da nova liga da justoça liderada pelo batman, que conta também com a black canary e vixen.

  • Esse foi provavelmente o vilão mais genérico que a série já apresentou. Mas melhor assim, pelo menos fizeram bosta, com um vilão bosta. Trágico é quando desperdiçam um bom vilão. O ponto alto foi a Caitlin, e outro ponto positivo foi o Wells como alívio cômico e só.

    Não me agrada a ideia do Wells ser vilão de novo, é o 3° Harrison Wells em três temporadas, e o 3° a ter um segredo. Outra coisa que eu torço contra é o Julian ser o Alquimia, porque seria o 3° vilão em três temporadas, que estava bem embaixo do nariz do Barry e ele não percebeu, e ainda fez amizade. Seria o cúmulo da falta de criatividade.

  • Vitner Santos

    Gostei que o monstro era só um holograma, pelo menos é algo diferente!!

  • josimar

    Vilão horrível, diálogos bizarros, desenvolvimento ruim do arco da Caitlin… O epi só não foi uma bosta completa por causa do Malfoy, um bom ator, aqui interpretando um personagem que tá mais pra Snape do que pro Draco rsrsrs.

  • Ítalo

    Boa Diego. Você conseguiu colocar em um texto coeso os “pra que isso?” e “não faz sentido” que saiam da minha boca enquanto assistia o episódio. Igualmente quando você diz que no quesito diversão a série se sustenta bem.

  • Isac Marcos

    The Flash tem decepcionado muito nesta temporada…