Dois episódios que mostram que este é, provavelmente, o melhor início de temporada de Castle…
E, mesmo sendo um fã da série e sabendo que a alta qualidade do roteiro não é nenhuma surpresa, mas sim uma constante em Castle, ainda assim fico bastante surpreso de que uma série em sua 6ª temporada apresente fôlego igual – ou até mesmo superior – a muitas outras estreantes por aí…
Ou seja, com o fôlego que a série vem apresentando nesta sexta temporada – que é composta, para mim, de cinco episódios fantásticos até aqui – e sua estabilidade de audiência – Castle nunca foi um hit, mas é de invejar qualquer canal a estabilidade que ela dá à ABC, sempre variando pouquíssimo na demo e mantendo a audiência total sempre próximo à 10mi – eu ficaria feliz em acompanhar a série por mais 10 anos, no mínimo.
Mas agora vamos aos comentários dos dois episódios em questão – “Number One Fan” e “Time Will Tell” – que agora a coisa vai ficar um pouco grande e confusa, afinal, teremos uma review dupla feita por dois reviewers – acredito que isso seja inédito no Série Maníacos – com Juliana Apfelgrun assumindo a review do 6×04 e euzinho, Thiago Leal, entrando em seguida com a do 6×05. Vamos aos trabalhos:
Castle – 6×04: Number One Fan
A incrível capacidade de Castle em se inovar a cada episódio!
É mais do que aceitável que uma série em sua sexta temporada comece a perder seus poderes criativos e falhe nas tentativas de tentar algo diferente. Não vou mentir, já achei que isso aconteceu com Castle algumas raras vezes, quando alguns episódios inovadores não tiveram o efeito esperado e acabaram não agradando 100% dos seus fãs. Mas o diferencial da série em comparação a outras se resume a dois fatores: eu nunca vi nenhuma série pensar em tantas inovações como Castle e a baixíssima frequência com que os “erros” acontecem. Se formos considerar apenas procedurais então…..
O que também me surpreendeu foi a simplicidade do caso que “Number One Fan” abordou, uma suspeita de assassinato pedindo para o Castle provar que a polícia estava errada, algo que já poderia ter acontecido há muito tempo na série. De qualquer maneira, a minha empolgação com a história envolvendo a suspeita, Emma Briggs – brilhantemente interpretada por Alicia Lagano – e a dubiedade das suas intenções que deixaram o Castle desconfiado a todo o momento, conseguiram ofuscar totalmente a volta da Beckett para a NYPD.
Cansei de afirmar review após review que já faz uns dois anos que a série trocou de protagonista e vemos em Kate a principal personagem de Castle, levando muitas vezes a série nas costas. Algo que vocês também sabem muito bem que eu nunca vi problema algum nisso, pelo contrário, afinal já cheguei a reclamar de episódios em que ela tenha ficado de lado. O que só potencializa a minha surpresa ao ver que nesses primeiros episódios da temporada, Castle resolveu focar no seu primeiro protagonista e está sendo muito bem sucedida.
É bom ressaltar que a resolução da volta da Beckett para a polícia de Nova Iorque foi muito bem feita, sem parecer jogada ou largada – apesar dela ter auxiliado os detetives o caso inteiro, mas irei relevar. A desculpa para a Gates (ah, como eu sentia falta dessa mulher!) não poder trazer a ex-ex-detetive rapidamente de volta para o departamento foi bem coerente, inclusive com a própria situação em que vive os Estados Unidos, de cortes de orçamentos e fechamento de setores de vários departamentos. Mas felizmente ainda existem políticos bons, que não só ajudam no andamento das investigações, como ainda retribuem favores. E com isso temos Kate Beckett voltando ao posto que ela nunca deveria ter saído, sejamos francos. Que os criminosos de NY fiquem espertos!
Com relação ao caso não tenho um ai sequer para reclamar! Achei prontamente que a Emma realmente não era a culpada do assassinato e me surpreendi com algumas revelações sobre o caráter dela levantadas pelos detetives. Quando me dei conta já estava torcendo pela vítima/culpada e desesperada pensando em possibilidades que o Castle poderia pensar para absolver a moça. Como de praxe, fui levada a crer que o assassino seria o político para depois descobrir que a verdade estava escondidinha na minha frente. Mais uma vez a ganância por dinheiro foi o motivador do crime e o autor do crime era um membro da família. Eu nem chego a reclamar das resoluções dos assassinatos porque, apesar de muitas vezes serem parecidas, os episódios sempre me levam a crer em outras histórias que têm outras pessoas como autores do crime e por isso acabo nem pensando na possibilidade mais simples.
Por outro lado, tenho notado que quanto mais Castle e Beckett caminham para ser um casal perfeitamente normal, menos eu me interesso pela história dos dois. Mas antes das pedras, já aviso que não digo isso de maneira negativa. Apenas me percebi não sorrindo tanto quando os dois estão tendo seus momentos fofinhos e nem sofrendo pela maldita luz que resolve diminuir justamente na hora em que os dois se beijam. Ainda adoro os momentos engraçados que envolvem os dois e me divirto um monte em cenas como aquela em que os dois conversam na cama através dos celulares. Mas apenas não me envolvo tanto com a relação deles como antes justamente porque ela já se estabilizou. E não, não estou rogando uma praga para que aconteça alguma reviravolta que os separe e acabe com essa lua-de-mel e com os planos do casamento – que isso fique bem claro. Afinal, era de se esperar que isso acontecesse uma hora ou outra…
Fico muito feliz ao ver que no começo dessa sexta temporada foram quatro episódios acima da própria média altíssima de Castle, o que acabou elevando as minhas expectativas a níveis ainda maiores. A imprevisibilidade de não saber o que esperar das mentes criativas dos roteiristas da série – que me surpreendem toda semana –, juntamente com a volta do verdadeiro núcleo da série, Nova Iorque, e seus personagens tão adorados (Ryan, Espo e Lanie s2s2s2), fazem com que a minha ansiedade atinja níveis ainda não alcançados e não vejo a hora de poder arranjar tempo para assistir o próximo episódio com a participação mais do que especial de Joshua Gomez!
p.s.1: já me deixem pedir desculpas pelo atraso na duas reviews!! Acabei atrasando a review desse quarto episódio e consequentemente teria que ser feito uma review dupla. Pedi para o meu (não tão) querido (assim) amigo Thiago Leal assumir as reviews dos episódios 05 e 06 e prontamente ele aceitou. Como eu acabei atrasando para mandar a primeira parte da review, a review dupla também saiu atrasada – não por culpa dele, acho bom destacar. Se serve como desculpa, minha maratona de vestibulares começou novamente. De qualquer maneira, o Thiago assume as reviews por mais uma semaninha e tenho certeza que vocês estarão todos muito bem servidos!
p.s.2: aquele detetive novo é bem tonto né?! Por enquanto o acho totalmente dispensável.
p.s.3: por falar em personagens aleatórios, perdi a paciência com aquele Pi. O cara não tem absolutamente NADA a ver com a Alexis e ainda é totalmente folgado e sem-noção.
p.s.4: era ÓBVIO que aquele refém faria merda! Ainda sobrou para o coitado do Castle…
6×05: Time Will Tell
Para mim há uma certeza absoluta em Castle: quanto mais absurdo o caso da semana, melhor será o episódio… Portanto, considerando que “Time Will Tell” trouxe um caso que envolvia viagens no tempo e conspirações apocalípticas, não há dúvidas de que se tornou, facilmente, um dos melhores episódios em toda a série.
Aliás, vou um pouco além e afirmo que o episódio figura facilmente como um dos melhores da série, sobretudo pelo momento em que foi exibido. Esta sexta temporada vinha apresentando, até então, bons episódios mas que destoavam dos elementos clássicos de Castle, sobretudo por vermos Beckett enfrentando um novo desafio profissional em Washington –e os efeitos dessa nova carreira da moça no seu relacionamento com Castle – Ryan e Esposito vinham tendo pouquíssimo destaque e personagens como Lanie e Capitã Gates nem mesmo apareceram em alguns episódios. Até mesmo a dinâmica na casa de Castle estava diferente, com a chegada de Pi.
Portanto, após o episódio anterior, que colocou a série novamente nos trilhos e prometeu trazer o bom e velho “feijão com arroz” de Castle de volta – juntamente com o retorno de Kate à NYPD – era de se esperar que tivéssemos um caso da semana que trouxesse situações plausíveis para retornarmos ao bom e velho convívio dos personagens no departamento de polícia de NY e as já tradicionais resoluções de casos que, convenhamos, foi o que nos tornou fã de Castle, para início de conversa… Mas o Sr. Marlowe mostrou que não estava pra brincadeiras e já veio com um dos melhores casos que a série já nos apresentou.
A dinâmica da série consiste basicamente na competente investigação da equipe da NYPD – chefiada perfeitamente pela Detetive Beckett – em contraposição às teorias malucas e aos devaneios de Castle que, mesmo com sua cabeça nas nuvens, acaba sempre abrindo os olhos de Kate para detalhes que se mostram cruciais para que o crime da semana seja desvendado. Por isso, quanto mais absurdo o caso da semana, mais absurdas serão as teorias de Castle e melhor o episódio tende a ser.
Por sinal, esse episódio me lembrou muito “Undead Again” (4×22) que trouxe um caso onde a investigação levava a crer que o assassinato do dia havia sido cometido por um zumbi. Naquele episódio Castle quase foi ao delírio por imaginar que um morto-vivo realmente era o culpado pela morte de uma pessoa e soltou alguns de seus melhores quotes em toda a série, me fazendo gargalhar a ponto de sentir dores no abdômen. E o que falar então quando, no meio de uma investigação de um assassinato Castle e Beckett esbarram em um viajante do tempo?
E é basicamente isso o episódio. De cara vimos a bizarra morte de Shauna Taylor, que parecia ter sido torturada pelo seu algoz e a confirmação de um suspeito: um cara que havia sido avistado fugindo da cena do crime. Daí que ele não contente em ser o maior suspeito, ainda resolve voltar ao apartamento da vítima, onde é preso. Mas neste momento temos duas revelações chocantes: ele é o Morgan Grimes Joshua Gomez e ELE É DO FUTURO, o que já garantiu a este caso o status de Melhor Caso EVAH pro Castle.
Claro que as investigações de Castle sempre dão naquelas reviravoltas incríveis e assim, em poucos minutos sabíamos que, pelo horário da morte, Simon Doyle (Gomez) não poderia ser o assassino de Shauna, e tudo indicava para Garrett Ward, um ex-presidiário que havia pagado uma prostituta para seduzir Shauna e roubar-lhe as chaves. E claro que, a cada uma dessas reviravoltas, a história de Doyle era confirmada de que, em 2031 houve (haverá?) uma guerra por causa de fontes de energia e a provável razão de Garret ter matado Shauna era chegar até seu irmão, o físico Dr. Wickifield. E, consequentemente, cada vez que algo se encaixava com a história futurística contada por Doyle, Kate fazia questão de refutar racionalmente qualquer chance de que o que Simon falou era verdade, enquanto Castle se prendia a esperança de que o rapaz, de fato, fosse do futuro.
O que falar então quando o cara simplesmente sumiu da cela exatamente quando afirmou que seria “sugado”? Foi um daqueles momentos em que a dinâmica Caskett chega ao seu ponto máximo, explorando exatamente as diferenças do casal… Diferenças exploradas também quando, no momento mais hilário do episódio, vemos as diferentes preocupações dos dois personagens com a informação sobre seu futuro dada por Doyle e, enquanto Castle se espanta com o fato de que Kate será Senadora em 2035, a Detetive não consegue é superar a ideia de que terá três filhos com o escritor.
E assim, já na reta final do episódio, chegamos ao ponto crucial em que descobrimos que as mortes de Shauna e do Dr. Wickifield só ocorreram para que Ward conseguisse chegar até Paul Deschile, um estudante que não parecia ter nenhuma conexão com as duas vítimas a não ser o fato de ser um admirador do trabalho do físico. Claro que Doyla – que veio do futuro – consegue ligar as peças e descobrir que este rapaz é o responsável pela tecnologia que ajudará os EUA a vencer a guerra pela energia daqui a trinta anos e sua morte, acarretará na derrota dos EUA e na morte de bilhões de pessoas
E, estando o caso nas mãos da competente equipe de detetives de homicídios da NYPD, tanto o futuro de Deschile quanto o de bilhões de outros inocentes são resguardados quando Ryan e Esposito conseguem evitar o atentado planejado por Ward ao rapaz. E assim o episódio termina aparentemente feliz, com Doyle retornando ao futuro para mais uma missão – se infiltrar e tentar conquistar a confiança de Ward – o mundo salvo e Caskett trocando olhares que indicam que o primeiro dos três rebentos não deve demorar a vir.
Mas nem tudo termina aí… Há três coisas nesse episódio que ainda merecem menção, antes que essa review chegue ao seu fim…
Primeiramente, devo dizer que foi brilhante esse caso maluco destinado à participação especial do Joshua em Chuck. A capacidade de fazer humor do ator é gigantesca e suas interações com Nathan Fillion prometiam boas doses de riso e, pelo menos eu ri um tanto das cenas dos dois, sobretudo daquelas na Usina. Além do mais, Joshua soube empregar um tom de paranoia perfeito a esta trama de conspiração e convenceu, não apenas ao Castle, que poderia sim vir do futuro. E, por fim, sendo fã de Chuck como sou, foi sensacional rever Joshua Gomez fazendo esse tipo de personagem que, mesmo não sendo necessariamente igual ao Morgan, vai de encontro a tudo que seu personagem – um nerd convicto – desenvolveu em toda sua trajetória na encerrada – e saudosa – série de espiões.
Em segundo lugar, mesmo ficando um pouquinho de lado a partir da metade do episódio – só sendo retornada nos minutos finais – a trama da mudança da Alexis com Pi foi interessante, por continuar mostrando as mudanças que Castle tem que enfrentar ultimamente. A série sempre soube trabalhar o crescimento e amadurecimento de Alexis em detrimento da infantilidade de Richard e, desta vez, tenho certeza que veremos muitas coisas boas dessa mudança. E mais, diferentemente da Juliana, eu adoro Pi e não estou nem um pouco incomodado com o rapaz… Ele funcionou muito bem para tirar o “Mr. C” do sério nos 4 primeiros episódios e, quero só ver de agora em diante.
Por fim, quero destacar a resolução do caso das viagens no tempo… Pela primeira vez na série vimos indícios de que uma das teorias malucas de Castle, afinal de contas, não era tão maluca assim, já que o episódio fez questão de deixar no ar a real possibilidade de Doyle ser do futuro… Ou seja, depois de 6 anos, finalmente Castle ganhou uma batalha contra o ceticismo de Beckett… E o mais engraçado foi que o próprio Castle pareceu não acreditar nisso e escondeu de Kate que o Doyle simplesmente desapareceu.
P.S.: Uma das grandes sacadas que deu uma virada impressionante no episódio, infelizmente, meio que se perde com a tradução por não poder pegar o jogo de palavras entre o sobrenome de Paul, Deschile, que se pronuncia semelhantemente a palavra “Child” (Criança), que fez a NYPD imaginar que Garrett estaria atrás de uma criança… Ainda assim, a equipe de legenda fez um esforço considerável e conseguiu criar um joguinho de palavras excelente para superar esse problema.
P.S. 2: Então quer dizer que o Esposito é um fã de Doctor Who?
P.S. 3: Até na NYPD culpam os pobres estagiários pelas burradas feitas? Ô racinha desvalorizada, viu?
P.S. 4: O que aconteceu com o “substituto” da Kate, o detetive porcalhão que não lembro o nome? O cara foi demitido porque ela voltou? Que mancada, coitado…
P.S. 5: Como a Juliana falou acima, estou dando uma forcinha à ela e devo ficar à frente da review do próximo episódio… Isso tudo pra mostrar que mesmo ela sendo uma víbora que quer me derrubar, eu sou uma pessoa bondosa que quer o bem dos coleguinhas de Série Maníacos… Ou seja, aguardem, a Ju retornará com suas excelentes reviews de Castle no 6×07. No 6×06, vocês terão que se virar com o tio aqui.
P.S. 6: Termino essa review com a frase que explodiu a cabeça de milhões de fãs mundo afora – eu incluso – aquela que virá nas contracapas dos livros “sérios” de Castle: “Richard Castle mora em NY com a esposa, a senadora Beckett, e seus três filhos”. BOOOOOOM!















