Frustração.

Spoiler Abaixo:

A oitava temporada de Bones chega ao fim, e seu legado fica marcado pelo sentimento de frustração. Pois muito era esperado sobre esta temporada, e de fato, nada se concretizou…

O primeiro pensamento que me ocorre ao avaliar a temporada de uma série está em analisar quais os episódios daquele período eu, realmente, tenho vontade de rever. Quais foram os momentos marcantes daquele ano. O que será verdadeiramente inesquecível, e o que esteve presente apenas para preechimento de roteiro. E quando faço uma retrospectiva sobre Bones, eu vejo que sua temporada foi carente de episódios significativos para o futuro da série, assim como momentos emocionantes capazes de transpor as expectativas.

De fato, muito era esperado desta oitava temporada, pois acreditávamos na sua potencialidade de recompor os poucos episódios existentes durante a sétima e, principalmente, era o momento e oferecer ânimo para o seriado, a fase de apostar na inovação e o momento de remover o “cansaço” tradicionalmente ocasionado depois de tantos anos de um tradicional procedural.

E como seria possível almejar novos horizontes? Bem, primeiramente acreditava-se no surgimento de novos personagens. Também, havia muitas expectativas sobre a abordagem do relacionamento Brennan e Booth de forma bacana e encantadoramente, romântica para o telespectador. Além de tudo, era a chance do seriado explorar novas perspectivas, expor em cena roteiros onde o protagonista é o seu elenco coadjuvante.

Em minha opinião, isto era o mínimo que podíamos esperar de Bones, dentre inúmeras possibilidades de alternâncias e exploração em um novo “universo squin”. Mas as expectativas foram esvaindo-se ao decorrer das apresentações dos episódios.

Com uma première muito bem elaborada. Contando com um episódio onde Pelant ressurgia após seu forte ataque sobre Brennan, o episódio The Future in the Past marcava um ótimo inicio para a série. Onde os inimigos já eram formados e Booth com sua equipe do Jeffersonian teriam um doloroso e sofrido caminho a seguir.

Mas o grande problema com o episódio seguintes foi perceber que a série não deixaria a tradicional “zona de conforto”. Semana após semana novos casos eram apresentados e sem qualquer grande interessante ou desenvolvimento significativo para o elenco principal.

Romances nasciam outros relacionamentos acabaram e o casal protagonista enfrentava uma crise no casamento. Fato este consideravelmente deprimente, pois o telespectador não tinha vivido os momentos de grandes emoções e felicidades deste relacionamento, mas a crise do casal, nós presenciaríamos de camarote.

E neste conjunto da obra, episódio após episódio as expectativas sobre Bones recaíam apenas em um único personagem e, somente, o seu reaparecimento era aguardado. Christopher Pelant tornava-se mais importante que os protagonistas da série, e todo crime mais excêntrico que ocorria no mundo de Brennan e sua equipe, era motivo de especulação sobre a participação deste serial killer.

Não posso negar que a criação de um personagem tão marcante e significativo para um seriado não seja bom. Ao contrário, isto é fantástico, e Hart Hanson possui um dom especial sobre este assunto. Mas a questão é que embasar uma temporada inteira onde apenas aguardamos o reaparecimento de um personagem, isto é sinal de que algo não corre bem.

E realmente, algo não seguia por um bom caminho, a cada episódio a série não demonstrava qualquer perspectiva de evolução, e ainda que apresentasse ótimos fillers como The twist in the Plot ou The Party in the Pants. Isto não era o bastante para uma temporada inteira, muito menos para uma série que já demonstrou tamanha qualidade como Bones.

Minha maior expectativa surgira com The Shot in the Dark. Em um plot extremamente expressivo, nascia a ocasião para expor uma grande evolução à protagonista da série, era a “grande luz no fim do túnel” para apostarmos em novas perspectivas. Porém, gradativamente, estas esperanças dissiparam-se diante de episódios que exploravam o mesmo cenário onde Brennan não demonstrava qualquer oportunidade de evolução ou de alternância em seu personagem (The Blood from the Stones).

Mais do que frustrante a oitava temporada de Bones repetia os mesmos erros criticados pelos fãs. Apresentava forte apelo político em certos episódios. E muitas vezes demonstrou total desconexão entre os roteiros. Para o público, restava aguardar pelo retorno de Pelant e acreditar que, pelo menos, seu reaparecimento na Season Finale traria qualidade ao fim da temporada.

Porém, se era possível maior decepção, ela provou-se vigente em The Secret in the Siege…

Antes de me aprofundar no episódio, vamos entender o seu enredo. Christopher Pelant está de volta, mais forte do que nunca. Aparentemente, ele demonstra total controle sobre sua vida, e apresenta condições físicas e financeiras para retomar com seus “ataques” a Booth e a equipe do Jeffersonian. Após The Corpse on the Canopy, acreditava-se que seu futuro alvo seria Seeley, principalmente, por ele ter sido o único a chegar tão próximo de eliminá-lo. E eis que o inicio deste episódio marca muito bem este objetivo.

Pelant utiliza uma pessoa para matar agentes do FBI. Ao decorrer do episódio descobrimos que estas vítimas possuem uma conexão com Booth. Elas participaram de uma ação chamada Crystal Creek. E que o assassino possui alguma conexão emocional com uma vítima desta ação e está sendo manipulado por Pelant.

Um ponto extremamente negativo é que Crystal Creek não foi totalmente explicado, na realidade só temos certa noção do caso e ainda por pura especulação da associação de diálogos entre os personagens. E diante desta dissonância, torna-se consideravelmente complicado entender porque a vítima foi manipulada por Pelant, ainda que o mesmo tenha se utilizado da imagem do pai da garota (Anna).*

* Um dos princípios básicos do roteiro literário é que o observador tenha conhecimento suficiente para compreender os acontecimentos e se envolver com os fatos. E é exatamente neste ponto que o roteiro falha, pois os personagens apresentam muito mais conhecimento sobre o assunto do que o telespectador.

Por outro lado, a sagacidade do episódio em colocar Pelant como um manipulador de pessoas e explorador do material de estudo de Sweets é extremamente criativo, pois expões a vulnerabilidade de um dos principais elementos fortes da equipe de Booth para combater o assassino.

Porém, utilizar-se deste foco segue-se por um caminho perigoso quando o vilão torna-se tão poderoso a ponto de ser inalcançável. E foi exatamente o que ocorreu… Se em meados da temporada Pelant quase foi morto por Booth, agora ele é intocável, sem nem ao menos participar fisicamente em qualquer parte de todo o evento que ele provocou. Eis outro ponto decepcionante deste episódio. Pois a evolução de Pelant e seu “relacionamento” com a equipe seguia por uma fluência que tendia a sua eliminação nesta temporada, colocá-lo nesta posição de superioridade nesta altura do campeonato demonstra retrocesso, e o pior, expõe que seu personagem perdurará por um longo período durante a próxima temporada, e nada de novo surgirá além dele.

Para chatear um pouco mais, temos a “mudança das regras do jogo”. Se no começo do episódio Pelant atacara Booth, no fim ele já tinha Sweets como alvo a ser eliminado. Mas por quê? Quero dizer, o psicológico já se tornara vítima pela exploração de seus artigos, ele não apresentava motivos para morrer sobre as perspectivas da ação de Pelant. E em cima deste cenário, tivemos uma “perseguição” ao fim do episódio onde o foco era evitar a morte de Sweets. Mas ver Bones gritando desesperada pelo nome de Booth quando já sabíamos que ele estava bem e que não ocorrera nada de alarmante, foi uma cena consideravelmente decepcionante e que elimina qualquer possibilidade de uma emoção mais intensa.**

** Esta é outra falha básica da conceituação literária, pois o observador deve descobrir as circunstâncias de suspense em conjunto ao personagem, para assim expor a emoção almejada em seu instante exato. Se esta cena ocorresse como foi apresentado no vídeo promocional, teria sido bem melhor.

Como o pior estava por vir, tivemos o cliffhanger da temporada, que para o nosso desespero, a aposta foi lançada sobre o relacionamento do casal Brennan e Booth. Mais do que clichê, destruir os planos do casal para o casamento expõe o fato de que a série só utilizará deste recurso para encerrá-la, e enquanto isto não ocorrer, a dor e o sofrimento serão a marca do casal. Além de tudo, a aposta deste cenário como gancho deixa claro que Pelant não retorna na première, assim sendo, ele continuará como vilão da nona temporada, e não existem novidades a se almejar.

Enfim, tão triste o quanto estou com esta temporada, também fico por aqui me despedir destas reviews. Pois não tenho por objetivo continuar a acompanhar a nona temporada da série. Espero que você, leitor, perdoe-me pelas críticas e tenha curtido as informações oferecidas. Eu continuo por outros textos aqui do Série Maníacos, mas despeço-me de Bones.

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