Um momento chave do episódio de semana passada de Baskets foi a transformação definitiva de Renoir em Baskets The Clown, mas o que isso significa, afinal? É uma mera facilidade, ou é o abandono daquilo que Chip esperava ser frente ao que se tornou? No episódio piloto havia uma grande parcela de apego ao que a França e a escola de palhaços representavam na vida de Chip, algo que nesse terceiro episódio parece reduzido, esquecido. Ele se porta mais firmemente, impaciente, frio, em oposição ao Renoir melancólico a quem fomos apresentados no início de toda essa história, e isso diz muito sobre nosso protagonista e seu papel na série.

Muito em Baskets diz respeito à linguagem, e muitas das dinâmicas entre personagens nascem da falha do canal comunicativo entre eles: quando Martha tenta contar a Chip sobre o cachorro que adotou, ele não escuta, e responde Were you talking to me?; e Chip, que é incompreendido desde sua primeira cena na série, um americano no meio de vários franceses, não parece se fazer entender com sua mulher, que o ignora ou não parece entender suas tristezas. Mas tão rapidamente quanto falha a comunicação, os personagens de Baskets esquecem dos problemas trazidos por isso. Chip dá um discurso de despedida para a mulher no final de ‘Strays’, e segundos após ser ignorado se joga na piscina enquanto brinca com a mulher que dia sim dia não quebra seu coração. Nada é levado muito sério, mas nada é pura piada também.

A relação de Chip com a mulher, inclusive, e a força motriz deste episódio, e representa a luta interna de Chip desde o início da história: a de sustentar as mentiras que criou pra si. A de que é um artista, enquanto não é respeitado como tal; a de que foi para a França fazer um curso, do qual não entendeu uma palavra; e a de que tem uma amada esposa francesa, a qual não dá a mínima para como se sente, e o usa abertamente. ‘Strays’ funciona como mais um pilar importante na “formação” de Baskets The Clown, que ao dar de cara com a última dessas mentiras sendo expostas – ilustrada por Ben, o farm boy com quem Penelope está saindo – deve enfrentar a sujeira de sua própria realidade.

É por isso que o ato final de Baskets funciona tão bem, quando Chip confronta Boots, o cachorro que era, afinal, um coiote, perdido e incompatível com aqueles a sua volta, assim como Chip e Martha. Como ele bem lembra, Martha é uma mulher, que procura um cachorro, e tem um coiote, e a mulher de Chip tem um marido, mas procura um rapaz da fazenda para se divertir. E após mais um longo discurso para ninguém, já que há também uma falha de comunicação entre humano e animal, Boots, o coiote, parte para cima do carro, e Chip e Martha devem fugir juntos outra vez, esquecendo das complicações que acabaram de ser impostas.

‘Starys’ é, definitivamente, uma melhora quando comparado ao capítulo de semana passada, porque traz de volta o drama disfarçado de piada que Louie CK e o piloto souberam fazer tão bem. É de se esperar que a temporada continue nesse caminho, e isso é positivo, mas algo ainda falta para que Baskets decole, e deixe de ser interessante para se tornar essencial.

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