Um roteiro previsível para uma série covarde.
Arrow não é uma série complexa. No final do dia tudo gira ao redor de como o herói conseguirá impedir o plano maligno do vilão e os danos colaterais da missão – Nada novo debaixo do sol. O que nos faz retornar semanalmente são os caminhos adotados e o impacto emocional que cada um deles impõe sobre os personagens. São os personagens que guiam o bom andamento ou o fracasso de uma produção. Essa linha de pensamento justifica, por exemplo, o apego que tivemos por Felicity e que alguns ainda têm. Só que somente o apego não é o suficiente para criar boas histórias. Blood Debts não é um episódio ruim, não quando o encaramos como sequência direta de Dark Waters. Porém, quando o observo e analiso como o primeiro de 2016 e de forma isolada, como foi exibido, não vejo muitos pontos positivos. O que ele faz é deixar em evidência o quão covarde a série se tornou. Elevar a tensão do mid-season finale deveria ter sido a missão principal do roteiro, mas nós sabemos que não foi bem assim.
Quanto a morte “misteriosa” eu só consigo sentir pena da série por estar se apoiando em um artifício tão covarde. Não é o vilão, não é a trajetória do mocinho ou o seu passado na ilha desnecessária de Lian Yu, mas sim a morte já anunciada de um personagem que nós já sabemos não ser Felicity, a responsável por gerar um interesse maior. Basear toda a emoção de um ano inteiro na morte de um personagem misterioso é até um ponto válido, mas dificilmente o melhor a ser explorado. É preciso que exista uma renovação na forma de se pensar dentro da cúpula de Arrow. A morte precisa ter um significado maior e um impacto verdadeiro, como foi a de Moira na segunda temporada – Ainda não sabemos se terá, mas já dá para ter uma ideia sobre. Até agora a preocupação central tem sido despistar o telespectador, mas ao mostrar Felicity viva no final e sem revelar se ela continua sem o movimento das pernas, a série provou novamente que quer guardar uma informação apenas para nos torturar.
Atualmente a melhor personagem dentro de Arrow é – pausa dramática – Laurel Lance. Nunca pensei que chegaria a dizer algo do tipo, não quando a série começou lá em 2012, mas olhando o panorama geral, é a mais pura verdade. Talvez a sua falta de aproveitamento me leve a vê-la como a única pessoa sensata ali dentro. E sim, estou me referindo a Laurel que trouxe a irmã de volta à vida através do poço de Lázaro, um artifício (morto Hahá) que nem ao menos deveria ter sido incluído na série, para começo de conversa – Novamente banalizando a imagem da morte. O problema, e já falei sobre na review de Flash, é a falta de capacidade dos roteiristas de ambas as séries em desenvolver histórias competentes para suas mulheres. Tudo gira ao redor de um homem. Quando não acontece, caso da Laurel e da Thea, a série simplesmente não dá a devida atenção. Laurel é a voz da razão de Arrow, doa a quem doer.

Personagens secundários dificilmente conseguem destaque necessário para encher uma temporada inteira, geralmente são alguns momentos durante o arco regular e um ou dois episódios centralizados neles para “desafogar” a trama. E funciona, mas só funciona quando o plot principal segura a carga dramática e emocional do restante da série, e por restante estou me referindo a tudo. Por exemplo, Anarquia é um tipo de anti-herói que poderia ter recebido o destaque que Helena Bartineli aka Caçadora recebeu na primeira temporada, algo que beneficiaria e muito a Thea, além de quebrar a imagem do namorado de sorriso perfeito e cabelo sempre arrumado. Também teria sido a oportunidade perfeita para extrapolar o sentido da missão e unir alguém de caráter duvidoso a uma personagem que está lidando com uma sede de sangue. O que aconteceu? Thea terminou com o engomadinho, tomando uma taça de vinho. Cadê a coragem, Arrow?
Do outro lado temos Diggle sendo relevante e muito mais do que apenas um conselheiro, ou a voz da consciência coletiva do time, traço utilizado massivamente e por vários personagens diferentes durante Blood Debts. Sua história com o irmão é um ponto válido, mas também não consegue segurar as pontas sozinha. Na verdade, isoladamente a história do Diggle é tão sofrível quanto o Oliver e a Thea sendo derrubados pelo Anarquia com um golpe só. De maneira similar funciona Damien Darhk, com a diferença de que a sua esposa com certeza atrai mais destaque do que o pobre Andy. Até então estes são os personagens secundários que realmente tem recebido maior preocupação e desenvolvimento.
Como já afirmado anteriormente não julgo Blood Debts como um episódio ruim, não quando o vejo como a segunda parte de Dark Waters. Sendo exibido depois de uma pausa e como sequência direta de uma cena altamente emocional ele se torna bem anticlimático. Outro ponto que não casa, não se conecta e não cria interesse é o medonho e arrastado flashback. Ao invés de criar algum interesse ele só consegue quebrar a narrativa do que realmente importa: o presente. Na metade do tempo eu nem me importo com o que está acontecendo lá e tenho certeza de que não sou o único. O que consigo perceber é que existe mesmo um personagem que está morrendo, e de maneira bem cruel, definhando desde a segunda temporada da série: a ilha. Os outros? Ah eles estão se comportando como planetas, girando ao redor do sol, também conhecido como Oliver e Felicity.
Easter eggs e outras informações
– Anarquia não é um vilão na nona arte, mas sim um anti-herói. Sua motivação de subverter o governo em prol da sociedade é aplaudida por Batman, mas seus métodos, não.
– Nos quadrinhos existem dois personagens com o mesmo alias, um deles é o Lonnie Machin (New Earth) e o outro Samuel Young (Prime Earth). A sua primeira aparição foi em Detective Comics #608 (1989). Apesar de ser uma figurinha recorrente em Batman, o personagem já teve encontros com o Arqueiro Verde, a Liga da Justiça e Robin.
– Eu queria ter começado minha fase cobrindo Arrow com uma crítica cheia de elogios, mas infelizmente não deu.
– Felicity na cadeira de rodas, mas já com a ideia de sua transformação em oráculo desmentida pelos produtores e roteiristas. Algo ótimo, mas meio que discrepante, já que a Oráculo é uma personagem que foi ferida pelo arqui-inimigo do Batman e terminou como um suporte para os mais diversos heróis de Gotham. Meio que a história da Felicity em Arrow.
– O único nome visível no cemitério – Brie Thorpe – não faz menção óbvia a nenhum personagem da DC Comics.
*Dentro das reviews quando eu utilizar o nome DC TV estarei me referindo as séries que cubro da DC Comics e que tem conexão “direta”, quer seja através do universo compartilhado, ou produtores em comum. Sendo elas: The Flash, Supergirl, Arrow e Lendas do Amanhã.














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