
Peço licença aos que não conseguem embarcar nas loucuras de AHS. Eu estou conseguindo… Pra minha própria surpresa, estou conseguindo.
Spoilers Abaixo:
Eu adoro séries mitológicas. Com isso estou querendo dizer que dificilmente me envolvo com séries de arcos fechados. Por isso não tenho muito apreço pelas séries policiais e médicas. As que me atraem mais, dentro desses gêneros fechados, são aquelas que envolvem seus protagonistas de um nó dramático extenso, que precisa de muitas temporadas pra ser desfeito. Algo que acontece com Dexter e House, por exemplo. Que acontece com Grey’s Anatomy (falando de séries médicas) ou que acontecia com The Shield (melhor série policial da história). Essas histórias abertas me interessam porque mantém meu interesse a longo prazo. Se eu não fico ansioso por desfechos futuros, perco o tesão de acompanhar os episódios. E como todo bom fã de mitologia, adoro quando os roteiros brincam com ela, quando eles nos desafiam a tentar entender e desvendar as pistas, quando eles alteram o curso do nosso raciocínio.
Dito isso, tem como não amar aquele teaser mostrando Moira levando um tiro teatralíssimo pelas mãos de Constance? Essa ceninha, já nos primeiros minutos, mudou toda a dinâmica de entendimento para AHS. A partir dali, Moira não é só uma personagem estranha, ela é uma presença sobrenatural e de alguma maneira, Constance, que ainda parece “viva”, tem conhecimento sobre os pormenores que a mantém ali.
Se o resto do episódio todo tivesse sido ruim, eu já estaria feliz. Mas o fato é que, não foi.
Começando pela direção, que o tempo todo nos mostrou como os acontecimentos eram cíclicos dentro da trama. Indo do presente dos Harmons para o passado do imóvel, e vice-versa. Em movimentos de câmera que não pareciam ter cortes, o que aumentava a sensação de sincronia. Constance mata a amante do marido e num mesmo giro, temos Viv aos prantos querendo confiar no próprio homem. Tudo nesse episódio é inteligentemente anunciado pelas circunstâncias: Se Ben trair de novo, acabou pra ele. Assim como para o marido de Constance, tudo se acabou em outro mau passo. No entanto, essa óbvia correlação entre os personagens não é exposta obviamente. Está dentro da mitologia, e isso que me instiga na série.
Os diálogos também me agradam cada vez mais. Desde o diálogo aparentemente trivial de Viv com a corretora, até a conversa ótima entre Constance e Moira logo depois. Jéssica Lange e Frances Conroy estão impressionantes! Ryan Murphy deve ter orgasmos bizarros vendo as duas defendendo aqueles personagens tão estranhos.
Eu não gosto do Dylan McDermott e sempre que Ben aparece me dá vontade de mudar de canal. Tudo piora quando ele interage com aquele homem da cicatriz, que eu ainda acho um desserviço pro programa. Mesmo assim, não tinha como intertextualizar o evento passado da casa com o presente, sem ele (essa intertextualização é sempre a base do episódio). Acho que já está claro pra todo mundo que Ben não vê homem da cicatriz nenhum e que é ele mesmo que toma aquelas atitudes extremadas. O melhor de tudo com relação a ele, no entanto, foi o fato de ser sugado o tempo todo para o mesmo lugar do jardim, que era no fim das contas, o lugar onde Moira estava enterrada. Lugar esse que agora também recebe de modo póstumo, a descontrolada Haley.
Simplesmente AMO aquela ceninha de Viv no jardim podando roseiras, quando a “Excursão das Trevas Eternas” passa exibindo a casa para os turistas. E AMO mais ainda quando a própria Viv pega a mesma excursão! E ainda AMO mais o fato da cena de Viv na excursão ser revelada depois de uma representação de um crime aparecer no roteiro aleatoriamente. E o crime aleatório no beco se funde aos flashbacks ótimos que nos mostram o porquê daqueles seres híbridos que aparecem na abertura. E se já não fosse bacana até aqui, ainda temos Viv recebendo a macabra visita de Nora.
O episódio teve uns probleminhas de redundância. Viv não precisava dizer que ficou boa só de entrar na casa. Nós já entendemos que o bebê que ela carrega está intrinsecamente ligado ao imóvel. O mesmo para a cena em que Ben denuncia Moira. A empregada praticamente “explica” suas duas faces para o público. Já tínhamos entendido também que Ben a via com sua mente pervertida e que para os outros, Moira aparecia como realmente era. Ao menos na cena em que o policial aparentemente também vê Moira mais jovem, o roteiro se redime dessas explicações.
A questão da mudança da casa, por exemplo, ajuda bem a entender os vícios dramatúrgicos de Murphy. Pra ele, o importante é fazer o que ele acha que vai impressionar. Não importa o quanto precisa trair a personalidade dos personagens ou a coerência de suas ações. Ele queria a casa invadida no episódio anterior. Qualquer um, no mundo real, que passasse por aquilo, não ia querer nem dormir ali de novo. O próximo episódio então tem um problema: como resolver o impulso natural dos personagens de querer ir embora? Murphy ao invés de não começar o problema e evitar os eventos do episódio anterior, decide correr o risco e passa o episódio seguinte inteiro tentando justificar de maneira imbecil, o fato de todos ainda estarem naquela casa. Aí vem uma médica e diz que eles não podem se mudar (what?), vem a filha com nome de flor e diz que quer ficar porque foi na casa que eles “sobreviveram” (what?), vem o marido e diz que não tem mais dinheiro… A série respiraria melhor sem esses remendos esdrúxulos que tentam esconder péssimas decisões.
O final foi ótimo! O cadáver de Moira na cova do jardim, Ben enterrando Haley e fazendo um gazebo em cima, Moira e Constance na janela, aquela música… Enfim. Eu estou muito envolvido na série. Ela é estranha, ruidosa, tudo parece muito jogado e confuso, mas desde o teaser até o final, não consigo me mexer.
Semana que vem temos a primeira parte de um episódio duplo chamado Halloween (adoro episódio duplo). Minhas expectativas não poderiam ser melhores. Torço por uma temporada inteira justamente porque quero ver aonde tudo isso vai nos levar. Um cancelamento agora seria uma imensa frustração.
American Horror Story, enfim, não assusta pelos motivos pretendidos, mas assusta pela inesperada qualidade.
Diários de Addy 1: E a mãe da Tara de True Blood fazendo uma ponta? Sempre com cara de louca.
Diários de Addy 2: Aliás, foi um show de caras conhecidas de outras séries. Tivemos Eric Close, Kate Mara novamente, e até a corretora eu já vi por aí.
Diários de Addy 3: Aquela filha dos Harmons não me desceu ainda.














