…Porque meu sacrifício é necessário. Assim como o seu
Após uma eternidade em espera e uma longa lista de fillers, finalmente Almost Human revela trechos de seus “arquivos confidenciais”. E ainda que seja pouco, foi o suficiente para nos deixar intrigados.
Não era novidade de que cedo ou tarde a série traria à tona alguma pista do que consistiria o seu plot principal, mas a grande pergunta era mais “quando” do que realmente “o quê”. E as duas respostas apresentaram-se durante a última segunda-feira, com o surgimento de dois personagens interessantes e um grande símbolo que instiga inúmeras perguntas.
Os dois nomes que romperam com o “tão perfeito” futuro de 2048 são Danica e Dr. Nigel Vaugh. A primeira é um XRN, uma nova inteligência artificial baseada nos conceitos projetados nos DRNs, (como Dorian), mas que desenvolveram a “personalidade” características de soldados. O segundo (não sei se posso apostar nisto), pode ser a grande imagem da ciência que precisamos no seriado. Nigel é a inteligência por trás de Dorian e Danica, dono de uma companhia falida (Lumocorp), o doutor é ressentido pelo fracasso de sua maior criação e acredita que o mundo não estava preparado para sua genialidade.
A ideia de trazer as duas imagens que simbolizam o grande insucesso dos DRNs na policia foi interessante, pois esta história coloca Dorian como o grande protagonista do episódio e talvez, o grande elemento diferencial que pode se opor a seu criador e balancear a grande vantagem que está ao lado do doutor até este momento.
Confesso que não suspeitava em nada do gênero, na realidade, eu tinha expectativas de que o piloto do episódio fosse relembrado, e a história por trás do acidente com Kennex fosse o grande foco do desenvolvimento da storyline. Porém isto não me decepcionou, de fato, me deixou bem mais esperançosa quanto ao que pode se estender. Principalmente por conta do grande símbolo do episódio e a razão pela qual todos estão ansiosos pelos próximos episódios: O Muro.
O que sabemos até então é que O Muro é real e divide, talvez, a cidade. Porém, o que realmente está do outro lado, só o tempo vai dizer. Por especulação pessoal posso dizer que a imagem de uma divisão física pode separar a sociedade e regimes políticos, mas no caso de Almost Human, posso apostar que este muro divide a sociedade entre aqueles que se adaptaram com a tecnologia e suas consequências e as pessoas que podem não aceitar o mundo “dominado” por máquinas.
Ao que tudo indica, o próprio episódio entrega isto, o outro lado não possui recursos e nitidamente é discriminado por este lado da cidade. No diálogo entre Kennex, Dorian e Luther Estes, esse último diz que ninguém está do outro lado do muro por vontade própria, sendo uma pessoa inteligente. Interessante como Dorian é o único que acredita na possiblidade de que toda esta conspiração esteja sendo apoiada pelo outro lado, porém acho coerente, por aparentemente ele ser o único que não conheça, de fato, o outro lado.
O que me intriga, realmente, é que não acredito no objetivo do Dr. Nigel montar um exército. Ele usou Danica para roubar os processadores ZNA, e ele mesmo se encarregou de usurpar as Almas Sintéticas. Mas a questão é que, ele mesmo disse que estava amargurado quando criou Danica, diferentemente de quando criou Dorian, então… Por que, agora, ele iria querer criar um exército e travar uma batalha contra a policia e a sociedade?
Não sei por que, mas não engulo esta. Aceito mais a ideia de que ele queira reparar o próprio erro: construir robôs que não tenham a falha dos DRNs, que se autodestruíram por não assimilarem tão facilmente as emoções humanas e o que a sociedade provoca a si mesma.
Dorian acabou sendo a grande surpresa para o doutor, que aparentemente, reconheceu a máquina e demonstrou saber que ela tem algum diferencial. Nigel diz ao DRN que ele foi projetado da mesma forma que os XRN, mas…
Talvez este grande “mas” seja as Almas Sintéticas, como elas são produzidas?
A sacada no diálogo de Nigel com Rudy sobre como os seus sentimentos podem ser transportados à sua criação, deixa um belo ponto de interrogação. Será que a tecnologia possui traços da personalidade de seu criador? Sabemos que a utilização de DNA humano nas máquinas é proibida, mas e se o DR. Vaughn descobriu como transcrever a própria personalidade de forma que não seja detectada?
A verdade é que metade desta review é pura especulação, conjecturas elaboradas ao assistir a trama que se desenvolveu em Unbound. Mas é, exatamente, isto que me deixa muito satisfeita com o episódio. Era isto que fazia falta, um bom roteiro abarrotado de concepções que alavancam inúmeras outras pelo telespectador.
É lógico que um único episódio não vai salvar Almost Human de sua baixa audiência e a grande “burrada” em não abordar todo o conceito de sua storyline mais cedo. De fato, a esta altura do campeonato, já deveríamos ter as repostas para todas as perguntas que foram levantadas neste texto, Mas não foi o que aconteceu, e estando há quatro episódios do fim de temporada eu fico na dúvida em saber se esta história será explorada ao máximo ou ficaremos a “ver navios” por um fracasso iminente.
Há muito a ser explicado, como por exemplo, em que Kennex estava envolvido durante a batalha que marca o piloto da série. Será que ele lutava contra possíveis “rebeldes” e sua ex-namorada pode estar envolvida com grupos que estão fora do muro?
Quais os verdadeiros impactos da evolução tecnológica neste mundo? Ela dividiu a sociedade e aumentou a desigualdade?
Quem são as pessoas que estão do outro lado do muro e por quê?
Talvez, se estas perguntas ganharem significado nos próximos plots, ainda possa haver grandes esperanças para Almost Human.















