É sexta-feira 13 e não tem sorte maior no dia, do que o lançamento de Desventuras em Série pela Netflix. Para quem cresceu assistindo ao filme com o Jim Carrey protagonizando o Conde Olaf, a série é como uma lufada refrescante e inovadora que traz ao mesmo tempo, uma esperança de se ter a saga completa dessa desafortunada aventura.

Nunca li os livros, e tentarei manter o filme longe dessa análise pessoal (vai ser impossível) que envolve exclusivamente a série. A proposta de se adaptar os quatro livros em uma temporada, permitiu que a série ganhasse um ciclo de começo, meio e fim a cada dois episódios concluindo enfim cada obra. Mas se por um lado é sorte de termos a série estreando na sexta feira 13, por outro é azar que a história da família Baudelaire seja marcado por eventos tão trágicos.

Eu particularmente, adoro esse clima teatral que a história propõem, um clima que lembra os filmes de Tim Burton e mesclam vários elementos já vistos em outras produções – Pushing Daisies por exemplo – o uso do exagerado, do humor negro e de situações de completo absurdo, torna a história menos melodramática e consagra por seus personagens fortemente caricatos e comuns.

A Series of Unfortunate Events 1x01/02: The Bad Beginning [Series Premiere]
A Series of Unfortunate Events 1×01/02: The Bad Beginning [Series Premiere]
O comum nem sempre é ruim, mas se o público não está acostumado a esse tipo de produção, cabe à série o parâmetro necessário para consolidar o seu público. Se temos aqui um Neil Patrick Harris interpretando o Conde Olaf com maestria e grande entusiasmo, temos uma gama de personagens que acabam sorrateiros e escorregam um pouco em suas performances, talvez seja efeito da temática proposta, como disse antes, o exagero, que podem se tornar um pouco enfadonhos e massantes.

The Bad Beginning é narrada pelo Lemony Snicket que já te impede de seguir adiante se não quiser acompanhar uma história triste, mas em alguns momentos, senti a inclusão do narrador da história de forma exagerada como uma forma de reafirmar algo em cena. Por outro lado, onde o filme deu errado, os dois primeiros episódios acertaram. Essas histórias precisavam ser ditas em um arco mais longo para florescer e é por isso que o primeiro livro dividido em dois episódios funcionou muito bem.

Ficou claro que havia uma conspiração maior no jogo e que esta, vai estar pairando sobre nós durante toda a temporada, enquanto tentamos juntar os pedaços das histórias como uma quebra-cabeça, ficamos sabendo que os órfãos não são tão órfãos quanto pensamos o que move a história para além do que já vimos antes.

O acervo de personagens giram a trama de forma contraditória. A família do bancário é algo que achei desnecessário, em oposição a trupe de Olaf que parece terem saído do circo de American Horror Story, estranhos, mas inofensivos. A juíza Strauss foi a personagem chave desse volume, mesmo concluindo o arco com ela não podendo adotar as crianças. Ela provavelmente encerrará outros arcos dessa temporada ou da próxima.

Outro personagem marcante da série é a Jacquelyn, a secretária que desaparece em pleno expediente. Sua caracterização é maravilhosa e uma espiã no mínimo muito louca, mas outra forte candidata ao posto de guardiã legal das crianças em um provável Arco. Torço para um papel mais recorrente.

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Com esse nível de elenco e uma história mais centrada e detalhada, é impossível a série sair dos eixos, mas há aqueles que não gostaram e esse tipo de produção com certeza deixará essa marca registrada, ou Ame ou Odeie, a temática pode ser um pouco infantilizada e clichê, mas super cabível no contexto da produção, da história em si. The Bad Beginning foi um ótimo começo e abriu as portas para que Desventuras em Série, se torne uma grande aventura.

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