Novas perspectivas.

Já passamos da metade da temporada, amiguinhos, e Zoo vem felizmente apresentando sinais de recuperação (aleluia!). Depois do fiasco que foi o Rio de Janeiro, nos presentearam com um arco que, se não foi bom, pelo menos se mostrou melhor do que seus antecessores.

O episódio passado já havia dado o tom de como o restante da temporada iria prosseguir: com as mortes bombásticas de Evan Lee Hartley e do Agent Shaffer, ficamos órfãos de alguém para torcer contra. E não é que, depois de sete episódios e 2.534 menções feitas pela Jamie (eu contei), a Evil Corporation afinal deu as caras?

A Reiden Global é a chave para os eventos que vêm acontecendo desde o primeiro episódio. Ao que parece, e afirmo isso mais como uma especulação, o Dr. Oz descobriu uma forma de fazer com que os animais atinjam um estágio de evolução mais avançado, através da célula-mãe, e a tão temida corporação fez o favor de espalhar essa praga em cada canto do mundo, culminando na rebelião animal que começou com os leões em Botswana. No processo, Evan Lee e Leo Butler serviram como meros peões desse plano maior, o qual ameaça o mundo inteiro.

Tudo indica que o terceiro personagem a ser morto na série, Shaffer, realmente trabalhava para a Reiden Global, mas o que parece estranho, até mesmo para os personagens (que, convenhamos, não são as pessoas mais brilhantes do mundo) é o fato de que ninguém deu por falta dele até então. Ainda não sabemos, portanto, a quem o agente (que provavelmente nem era agente) era leal, tampouco as suas razões para colocar as mãos na célula-mãe.

Célula-mãe essa que, como não poderia deixar de ser, virou objeto de barganha.

Os Vingadores do cinema estão prestes a passar por um período de guerra civil, como todos nós sabemos. Os Vingadores de Zoo, ironicamente, também se encontram na iminência de uma ruptura interna, graças àquele que desde o começo vem se mostrando o menos politicamente correto dos cinco. A filha de Mitch nos foi apresentada alguns episódios atrás não somente para trazer profundidade ao personagem, mas para ser o pivô da separação dos Vingadores e para representar um dualismo interessante: vale a pena dar um objeto extremamente perigoso a uma corporação com objetivos obscuros para salvar a vida de uma garotinha?

Enquanto isso, os outros Vingadores reafirmaram ainda mais a lealdade que têm uns pelos outros: Abe disse com todas as letras que Jamie e cia. são sua família (numa cena emocionante, que me fez suar pelos olhos), enquanto Chloe bateu o pé e disse ao chefão da S.H.I.E.L.D. (quer dizer da… da onde mesmo?) que não iria entregar a Jamie às autoridades, o que só torna a traição do Mitch mais grave.

Além disso, o episódio nos trouxe de volta a Paris, onde, como vocês bem observaram na review anterior, o Zé Colmeia resolveu xepar o almoço na casa das pessoas, antes de entrar num estado de hibernação suspeito. Após a aterrissagem na França, nossos Vingadores do Reino Animal novamente se dividem em subgrupos: Jackson e Chloe vão se encontrar com cientistas que estão tentando localizar os ursos perdidos, e se deparam com o ex-noivo falsiane da loira; enquanto Mitch, Jamie e Abe analisam o urso em hibernação, só para descobrir que o animal não tem a pupila desafiadora (ainda).

Achei bastante interessante o rumo que a série levou, indicando que os animais não só estão se desenvolvendo intelectualmente sob a influência da célula-mãe, mas que seus corpos estão sofrendo mutações que os fazem mais adaptados à sobrevivência, e assim, mais perigosos. Não vou mentir que adoraria ver tigres venenosos, leões com asas, cobras com sete cabeças, o Tiamat, e animais cada vez mais bizarros em Zoo. Acho que faria bem à série abraçar o estranho e seguir nessa linha mundo distópico precursor de Pokémon, pelo menos é mais excitante do que morcegos no Complexo do Alemão.

Temos então uma pausa no problema peludo (viram o que fiz aqui?) para lidar com o dilema da nossa querida Jamie, que agora atende pelo nome de Nancy Armstrong. Isso quer dizer que os Vingadores querem limpar o nome da jornalista e, para isso, resolvem vestir ternos italianos e brincar de Onze Homens e Um Segredo no lobby da Reiden Global. Nem em um milhão de anos aquele plano iria funcionar (garanto que minha senha do facebook é mais confiável que o sistema de segurança da Reiden Global), mas tudo bem, os Vingadores manjam da espionagem e conseguem acessar os segredos mais íntimos da companhia do mal. O que exatamente eles descobriram será revelado no futuro (eu espero).

A parte de ação do episódio ficou a cargo de Jackson, Chloe e Abe e sua perseguição aos ursos de endosqueletos recém-formados, nas ruínas de um monumento francês. O ex-noivo da loira também estava presente, mas atrapalhou mais do que ajudou, e parece que a sua participação na série se encerra aqui, trazendo um pouco mais de humanidade à nossa francesa preferida. Depois de momentos de tensão, os Vingadores conseguem botar as salxuxas os ursos para dormir, no que foi uma das melhores cenas de ação de Zoo até hoje. Estamos todos aqui para ver animais descontrolados atacando seres humanos, afinal.

O episódio termina com a traição do Mitch, que entrou por conta própria em contato com um empregado da Reiden Global, a fim de barganhar remédios para tratar sua filha doente em troca da célula-mãe. A célula-mãe, que, como todo veneno, também é a chave para curar as mutações que os bichos vêm sofrendo e, assim, restaurar o equilíbrio no Reino Animal.

Mas será que essa é a real intenção do Mitch ou ele está enganando a Evil Corporation? E quanto ao Delavenne, que deu as caras neste episódio, quais seus interesses? Estamos finalmente livres dos plots aleatórios que acrescentam pouquíssimo à história principal? Quando o boss da Reiden Global aparecerá em carne e osso para nós podermos odiá-lo?

Para fechar, esse episódio foi de uma qualidade superior aos antecessores, por três fatores: primeiro, introduziu a ideia das mutações nos animais, que dá margem a uma série de eventos interessantes que podem acontecer no futuro (rinocerontes com capacidade de camuflagem, por favor!); segundo, finalmente integrou a Reiden Global ao enredo principal, mostrando inclusive alguns dos empregados dessa corporação; e, por fim, explorou o lado humano dos personagens, sobretudo do Abe, o que vinha faltando na série.

Aguardo seus comentários com as feras que querem ver no próximo episódio!

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