As peças do quebra-cabeça estão afinal se encaixando.
Pupilas desafiadoras (na falta de uma tradução melhor), Reiden Global, Vingadores, Evan Lee Hartley e, mais recentemente, célula-mãe: todos esses são elementos que apareceram aqui e ali ao longo destes cinco episódios e que prometem culminar num plot maior (o tão aguardado apocalipse?). Até aquilo que pareceu aleatório (sim, estou falando da Eslovênia e da Antártida) prenuncia uma conexão com o plot principal. Diante disso, surge uma questão em nossas cabeças: seremos capazes de entender alguma coisa quando essas peças se juntarem?
Não sei se sou só eu, mas está difícil entender que rumo a história está tomando a essa altura. Delavenne, o cara responsável por recrutar as cinco pessoas mais indicadas a deter a ameaça animal (há controvérsias), não dá as caras há dois episódios. Não ficou claro, portanto, se nossos Vingadores trabalham para o governo francês ou se são uma ramificação de uma agência de inteligência estrangeira. Não sabemos ainda como Delavenne e seus homens engravatados ligaram os ataques à pesquisa realizada pelo Dr. Oz e não fazemos a mínima ideia de como o restante do mundo está encarando o levante dos animais, ou se sequer está a par dos acontecimentos.
Sinto uma grande falta de contexto na série, e isso tem atrapalhado o entendimento do roteiro. Cenas em que um professor universitário precisa invadir uma escola de Ensino Médio para prosseguir com sua pesquisa, enquanto viaja em aviões de primeira classe e se hospeda em hotéis ao redor do mundo, tudo às custas do governo francês, deixam uma interrogação ainda maior nas nossas cabeças.
Mas vamos parar de falar sobre o que não entendemos e focar no que o episódio trouxe de compreensível (ou quase isso). A dinâmica de grupo dos nossos queridos personagens continua muito bem, obrigado, e mais uma vez eles são divididos em subgrupos: Jackson e Jamie acham a pista na Bíblia do Evan Lee e seguem em busca de um tal Leo Butler, enquanto Chloe, Mitch e Abe vão para o Rio de Janeiro (é nóis!), onde os morcegos (de novo?) estão fazendo a linha praga do Egito.
Jackson e Jamie logo tiveram seu subgrupo reforçado pelo já querido Agente Shaffer, o qual trabalhou como Vingador honorário ao longo de todo o episódio, mas que na verdade não acrescentou nada além de alívio cômico. Assim, trataram de conectar o nome encontrado na Bíblia – Leo Butler – com a bactéria recém-descoberta pelo Mitch e com a Reiden Global (parabéns, Jamie, seus anos de ódio a essa companhia finalmente estão dando frutos!). Nossos personagens chegaram à conclusão de que Leo era funcionário da empresa favorita de 10 em cada 10 conspiracionistas, e que foi ele o responsável pela criação da bactéria encontrada no lobo. Os três então viajam rumo ao pântano de Mobile, onde Jamie descobriu ser o endereço do químico.
Após Jackson mostrar toda sua masculinidade metendo um soco nas fuças do Leo, descobrimos que a bactéria criada pelo rapaz não foi a responsável pela mudança de comportamento dos bichos (Jamie ficou #xatiada). A causa foi o segredo por trás de todo o sucesso alcançado pela Reiden Global: uma molécula de DNA capaz de manipular material celular a nível genético (corrijam a minha ciência, se eu estiver errado). Em bom e velho português: algo que torna tudo melhor e mais barato.
Essa “célula-mãe” está em tudo que a Reiden Global produz e já se espalhou por todo o mundo. A boa notícia é que Leo Butler tem parte dela escondida e promete entregá-la aos Vingadores, mas somente se Jamie, e apenas ela, acompanhá-lo até o esconderijo (o que o desespero não faz com o ser humano).
Enquanto isso, Chloe, Mitch e Abe desembarcam no Brasil e têm um encontro bastante esclarecedor com Gabriela, amiga de Jamie que trabalha no BOPE (mentira, é na Agência Brasileira de Inteligência, mas podia ser), no qual descobrem que Dilma pretende matar os morcegos e envenenar a população do Rio de Janeiro no processo. Assim, os Vingadores sobem o morro para conhecer um baile funk para investigar o comportamento dos morcegos antes que o governo brasileiro decida matar todo mundo.
Mitch, no entanto, resolve dar uma de Coelba e corta a energia da favela inteira, chamando a atenção dos traficantes, que vão tirar satisfação com os recém-chegados. Muito suspense no momento em que o traficante desce do carro falando inglês fluentemente e fazendo piadinhas infames sobre a nacionalidade dos Vingadores. Não sei vocês, mas desse instante em diante virei #TeamFavela e torci para que os traficantes metessem bala naqueles gringos (porque nóis é BR!). A minha decepção foi ver Abe tirando cinquenta pila da carteira e comprando a liberdade dos Vingadores tão facilmente (esse pessoal que se vende fácil a gente não tem como defender).
O que resultou dessas peripécias foi que Mitch, afinal, capturou um morcego morto, que na verdade estava vivo, e a partir dele chegou-se à conclusão de que os mamíferos alados estão sendo atraídos por aparelhos tecnológicos. Segundo o próprio cientista, duas coisas colocam o ser humano no mesmo nível dos grandes predadores na cadeia alimentar: o raciocínio e a tecnologia. Assim, explicam-se os ataques dos morcegos às placas solares, ao avião e ao aparelho de gato na favela: tudo não passou de uma tentativa dos animais de privarem o ser humano daquilo que o coloca no topo da cadeia.
O episódio, então, termina com nossos personagens em apuros: Jamie é atacada por um caminhão desgovernado, num acidente que causa a morte do Leo Butler, e tem a tão aclamada célula-mãe tirada de suas mãos pelo Evan Lee, que parece ser o grande vilão da série; enquanto Chloe e Mitch encontram-se novamente à mercê dos traficantes do morro depois de decidirem seguir o plano mirabolante de Chloe e construir uma antena de sinal eletromagnético a fim de atrair os morcegos para fora da cidade.
Não podemos ignorar, contudo, a cota de plot aleatório que acrescenta pouquíssimo ao enredo principal do episódio. Depois de não termos sequer uma menção às cientistas que morreram na Antártida e ao tipo de pesquisa que elas estavam desenvolvendo, meu coração quase caiu ao ver a palavra Boston escrita em letras garrafais. Mal sabia eu, contudo, que aquele seria de longe o melhor plot aleatório introduzido até agora.
Acredito que no topo da lista de coisas que fazem chorar para qualquer um estão garotinhas doentes e cachorros machucados. A história contada em Boston foi emocionante e de uma delicadeza até então inédita em Zoo. Confesso que não esperava a reviravolta de Mitch sendo o pai da menina. Ainda me peguei com um sorriso bobo no rosto quando lembrei que na última review tinha cobrado justamente que desenvolvessem mais a história sobre a família desse personagem.
Assim, Zoo se despede com um episódio que manteve a qualidade do anterior, mas que falhou em tornar a história mais compreensível e o mundo apresentado mais relacionável. Resta saber se ainda teremos interesse em ligar todos os pontos quando os diferentes plots encontrarem seu denominador comum. Enquanto isso, podemos nos deliciar com o resultado da junção de mamíferos alados descontrolados e traficantes desambiciosos fluentes em inglês.















