
Depois do pesadelo de semana passada, Wilfred acordou. E acordou com raiva.
Spoilers Abaixo:
Ok, não foi um episódio que podemos taxar de genial (nenhum até agora merece essa classificação), mas “Anger” foi calmo (?), aprazível, subjetivo e extremamente sombrio, focando no lado emocional de Ryan afastando dos perigos dos clichês com seu jeito bizarro, apresentando um homem vestido de cachorro recebendo o espírito do falecido cão de seu dono (premissa do piloto do futuro remake de Twilight Zone ou do próximo filme do Exorcista). Eu achei isso engraçado, principalmente nas reações inesperadas de Wilfred mediante a transformação, como os ataques de vômitos.
Um dos maiores feitos desse episódio foi justamente mostrar um aspecto inexplorado do protagonista – seu passado – e ainda conseguir explorar o lado aluado e psicótico de Wilfred, principalmente graças ao extremo comprometimento do ator que o interpreta e a situação bem inusitada de “Anger”. Jason Gann coloca cada vez mais sobre seus ombros o peso de carregar a série, o desempenho do show depende exclusivamente de seu trabalho como ator, e sou obrigado a dizer mais uma vez, sua mudanças de personalidade foram hilárias (a alteração de voz soou perfeita, assim como a imitação de Magic Johnson) e ainda lembraram outro bom episódio apresentado pela série, Respect, e em ambos vemos Wilfred tentando libertar algum sentimento oprimido por Ryan, no caso, o fato do protagonista se culpar pela morte de seu cachorro Sneakers, que sofre com as consequências trágicas deixadas por “Pride”. Ter apenas a presença de uma irmã como Kristen não é algo fácil, dever cinco mil dólares ainda é mais sofrimento.
Por falar em Kristen, ela ainda não tem nenhum espaço realmente cômico na série, sendo mais responsável pelo desenvolvimento da narrativa, mas seu estranho marido (muito mais engraçado que ela) foi uma boa introdução a série para dar mais tridimensionalidade a ela, algo que esse episódio também desenvolveu bastante, todas as cenas de arrependimento colaboraram para que tenhamos mais compaixão à personagem e vemos aqui a possibilidade de a série corrigir um dos seus piores erros. Wilfred parte das vezes (não em Anger) acaba ficando refém de seus protagonistas, para falar a verdade, de Wilfred, que é realmente é o personagem engraçado (“No one hates me. I’m Wilfred, I’m adorable.”), e as piadas acabam batendo sempre na mesma tecla. Mesmo sendo uma comédia relacionada à interação do cão e do homem, mais personagens como o marido de Kristen com suas piadas ácidas são bem vindos para que não aconteça o que presenciamos semana passada.
Os momentos mais engraçados da série são justamente quando Wilfred age tanto quanto humano como cachorro, brincando com as histórias e características dos cães. Esses momentos são muito bem aproveitados nesse episódio, momentos simples como a caça a uma simples mosca e um cão presenteando um ser humano com um rato (agindo como um cachorro) embrulhado numa pequena caixa (agindo como homem) são exemplos simples das brincadeiras que a série faz com sua estranha história. Seu lado psicótico e assassino é mais uma vez explorado, com a direção conseguindo criar um ambiente necessário para a realização do humor subjetivo explorado por esse episódio, como na cena da festa, a decoração, todos caracterizados e um árabe retirando as tomadas para evitar que seu cachorro possuído assassine duas pessoas formam uma cena muito boa que acaba dando espaço para o esperado ataque de raiva de Ryan.
O que a série cada vez mais vem conseguindo conquistar é manter durante todo o tempo a dúvida na cabeça do leitor: “Isso realmente está acontecendo? O cachorro está fingindo isso tudo?”. Eu sei que tudo isso é uma série de comédia, mas minha teoria é que Wilfred seja algo derivado do subconsciente de Ryan para ajuda-lo a enfrentar o mundo. Se a série apresenta um episódio totalmente focado no paranormal, eu posso inventar umas teorias malucas aqui na minha cabeça.
Rapidinhas:
As teorias malucas do cachorro voltaram. “After I went to sleep, you somehow managed to get some sort of homo chip planted in my brain.”
“Ryan, remember when I told you a few weeks ago that you are a total pussyy? Well I just wanted to apologize for not emphasizing that enough.” Quem não queria ser amigo de uma pessoa tão solidaria como Wilfred?
“Anger is like herpes. You’re not meant to keep it to yourself.” Sendo direto, eu ri.
“Cold black heart. Dead eyes. Nice tits.” E tem gente que odeia a Kristen não é?
No maior estilo Supernatural, Wilfred e Bear se consagram como a melhor dupla da série depois da cena com o Ouija Board (sim, eu procurei no Google antes do digitar o nome disso aqui)
A presença do Nestor Carbonell deu um ar mais místico ao episódio, mas seu personagem poderia ter sido mais bem desenvolvido. Sendo direto, seu personagem foi totalmente dispensável.
Esse episódio poderia ter acabado sem a cena em que Ryan se despede de Sneakers. Foi forçar demais para o emocional.
As drogas voltaram… E melhor, Wilfred não exagerou na hostilidade durante 20 completos minutos. Parabéns!












