Este episódio se pareceu mais com uma season premiere do que o anterior.
Depois de nos apresentar uma season premiere morna, com um anticlímax entre as tensões construídas durante a primeira temporada, Vikings consegue uma boa recuperação esta semana, nos entregando um ótimo episódio, demonstrando que a atual temporada pretende mesmo expandir (com trocadilho) seu universo.
Este Invasion segue a mesma linha de The Wrath of Northmen, o segundo da primeira temporada, com Ragnar e sua turma chegando a uma terra desconhecida para saquearem suas riquezas. Aqui alguns pontos chamam a nossa atenção, como o fato de o povo invadido estar esperando e reconhecerem que há escandinavos que invadem terras anglo-saxônicas. Desta vez, a trupe desembarcou em Wessex, cujo Rei Ecbert é dito como sendo igual ao próprio Ragnar. Pode ser interessante a série nos trazer um antagonista parecido com o protagonista, porém em lados opostos, pois normalmente esse tipo de embate são os mais emocionantes (dramaticamente falando). Além disso, a invasão à Wessex mostrou uma das melhores cenas de combate nesses onze episódios da série.
Visualmente bela, a fotografia da cena da luta é um show à parte, demonstrando como a equipe técnica sabe trabalhar em harmonia com a direção. Além de a estética estar impecável, a cena chama a atenção por nos apresentar uma nova versão do Athelstan. Gente, como assim o judas priest foi para a guerra matar seu próprio povo?! Isso sim é Síndrome de Estocolmo, o resto é história. Racionalmente, eu entendo que a série tem por objetivo nos mostrar como ficou forte o laço de amizade entre Ragnar e o Sacerdote, mas será que não pesaram um pouco demais a mão ao virar o personagem do avesso? Apesar desta decisão meio duvidosa do roteiro, isso em nada prejudicou a atuação de George Blagden, que fez falta no episódio anterior.
Quem também arrasa na atuação é Gustaf Skarsgard, e eu sinto muita falta de Floki ter um maior destaque. Ainda assim, nesse episódio ele conseguiu se destacar um pouco mais, mesmo tendo pouco tempo de tela. Ainda acho incrível a composição corporal que o ator consegue dar ao seu personagem, roubando a cena mesmo quando tem um close em seu rosto, ou quando ele caminha ao lado de qualquer outro personagem, a atenção é invariavelmente voltada para ele.
Já no núcleo irmandade da série, Ragnar anda fazendo a magoada para cima de Rollo, que ainda não conseguiu reconquistar a confiança do irmão. Confesso que na temporada anterior, eu considerava a atuação de Clive Standen um tantinho morna (não que fosse ruim, mas certamente poderia ser melhor), entretanto, nestes dois episódios, ela foi consideravelmente melhor, em especial neste Invasion. Desde bancar o humilde para cima do irmão, até o lado sangue-nos-olhos foi devidamente mostrado, como a cena da faca quente com a Siggy ou o soco na cara do Jarl Borg, sendo este último, sem dúvidas, o melhor momento do personagem nesse episódio. Agora vamos ver até quando este conflito entre os irmãos vai durar e como ele será resolvido.
E o Rollo que se cuide, pois Siggy está mais megera do que nunca. Seja influenciando e manipulando o Rei Horick ou bancando a nova BFF da princesa Aslaug, o que ela quer mesmo é estar por cima da carne seca. Para atingir seus objetivos, até um rala e rola com o Rei a viúva de Haraldon já fez. Será que ela quer reconquistar seu antigo posto, ou ela pretende de alguma forma se vingar de Ragnar? Afinal, metade das desgraças de sua vida foi culpa dele.
Outro ponto que chama a atenção é o roteiro apostar em um salto temporal de quatro anos para desenvolver melhor sua narrativa. É bom que seja assim, pois como temos poucos episódios por temporada, é necessário que o ritmo não seja demasiado lento, perdendo tempo de tela com tramas desnecessárias. Este salto serviu para nos apresentar os descendentes de Ragnar, Ubbe, Hvitserk e o ainda não nascido Sigurd (que será conhecido como Sigurd-Eye-Snake). A mitologia apenas começou a ser desenvolvida, uma vez que Aslaug profetizou que seu filho nasceria com olhos de serpente. Foi dito no episódio que a princesa seria uma Volva, que segundo a mitologia nórdica, eram mulheres profetizas, que tinham forte conexão com Odin.
Como a lista de desafetos do Earl não pode ficar abaixo de 300 nomes, graças ao Rei Horick, Jarl Borg buscará vingança contra Ragnar, e novamente uma guerra entre eles está prescrita. Era muito comum os vikings brigarem entre si, então é válido quando a série traz um inimigo que não seja apenas um rei do povo invadido.
Com um episódio que nos traz ação, drama e desenvolvimento na medida certa, Vikings consegue nos apresentar um ótimo episódio para este início de temporada, que, espero, seja ainda melhor do que a anterior, mas se continuar com esta pegada, ela tem tudo para ser.
Em tempo 1: Ragnar navegando com um corvo: #chupalongjohnsilver
Em tempo 2: “Eu construo navios, Ragnar. Você é o navegador”. Floki sobre estar perdidão em alto mar.
Em tempo 3: “Talvez ele os mate com seu livro sagrado”. Floki sobre Athelstan lutar na batalha de Wessex.















