Quando a mente mostra o seu poder.
Perception retorna para a sua 3ª temporada no dia 17 de julho e, para marcar o começo da cobertura de reviews pelo Série Maníacos (por essa que vos fala), resolvi fazer uma recapitulação toda especial das duas temporadas iniciais, usando uma das características mais marcantes da série da TNT: as alucinações do protagonista Daniel Pierce.
Eis o diferencial desse procedural. Sabemos que, séries com uma proposta semelhante (um especialista em algum assunto especial ou dotado de uma grande capacidade de observação servindo de consultor em investigações policiais) existem aos montes, sem contar as novatas que invadem a televisão a cada nova temporada. No entanto, Perception se propõe a falar um pouco mais sobre os aspectos psicológicos humanos, colocando seu protagonista, que sofre de esquizofrenia, bem no meio do alvo. Aliás, é justamente sua doença, aliada a sua capacidade de dedução, que o auxilia na resolução de casos juntamente a agente do FBI Kate Moretti.
Perception tomou um caminho interessante para abordar a doença de Daniel Pierce: mostrar ao expectador suas alucinações. Temos figuras criadas, personagens históricos, pessoas que já não estão mais na vida do neurocientista e até autoprojeções. Elas podem ser mais cômicas ou dramáticas, levando Daniel a momentos tensos e intensos dentro de seus próprios problemas, relacionados à esquizofrenia ou não. Elas podem fazê-lo deduzir um caso ou até perceber que chegou a um momento em que precisa urgentemente procurar um tratamento, ou que está recaindo.
Essas alucinações são presenças constantes na série e, por vezes, nós (como o próprio Daniel) demoramos a nos dar conta até que aquela “aparição” dê pistas de sua natureza.
A lista a seguir (com 7 alucinações) foi feita completamente de acordo com minhas opiniões e impressões sobre as aparições nas duas primeiras temporadas de Perception, seja com figuras marcantes pelo cômico, pela importância histórica ou pelo impacto dentro do desenvolvimento de Daniel. Por isso, desde já incentivo que vocês coloquem nos comentários aquelas alucinações marotas e inesperadas que mais marcaram sua jornada com a série.
Vamos à lista (pode conter spoilers):
7. Joana D’Arc (01X05 – The Messenger)

Nesse episódio, vimos Daniel e Kate sendo levados por sua investigação para dentro de um culto religioso, onde encontram Kyle, um jovem que afirmava ouvir a voz de Deus. Em meio ao debate ciência x religião, Daniel é visitado pela figura histórica Joana D’Arc, uma heroína francesa que combateu em plena Guerra dos Cem Anos. A opção pelo uso dessa figura foi justamente para alimentar um pouco mais dessa discussão, uma vez que a guerreira afirmava escutar vozes e ter visões vindas de Deus o que, segundo alguns especialistas, podia ser devido à moça ser vítima de epilepsia. Além disso, é possível ver uma comparação sendo feita entre ela e o personagem Kyle.
Dentro de toda a discussão feita em The Messenger, quem melhor para debater a favor da religião com Daniel que Joana?
6. Dr. Sigmund Freud (02X08 – Asylum)

Quando Daniel se internou em um hospital psiquiátrico para investigar um crime, sua mente materializou nada menos que Freud no meio de uma terapia de grupo. Os debates teóricos entre neurocientista e psicanalista foram interessantes e divertidos de serem assistidos, ainda mais num episódio tão adequado para essa figura histórica.
5. Mascote Jacaré Verde (02X03 – Blindness)

Uma série de assassinatos é cometida em público sem que, no entanto, testemunhas possam identificar o assassino. Nesse contexto, Daniel é atormentado por um adorável e cômico jacaré verde que tenta se comunicar com o neurocientista por uma linguagem de sinais que ele pena a entender. Uma das melhores cenas é quando o jacaré tenta avisar a ele que deve fugir antes que a polícia de Chicago o detenha pela suspeita dos assassinatos.
Eis aí uma visitinha que eu amaria ver retornar.
4. Mordecai “Three Fingers” Brown (02X11 – Curveball)

Em um episódio previsível e com furos na parte procedural, a interação de Daniel com seu ídolo Mordecai “Three Fingers” Brown foi um caso a parte. Sabemos bem como o personagem é fã de beisebol e torcedor fanático do Cubs. Não só Brown ajudou na resolução da investigação como fez nosso Daniel sorrir um pouco, só para variar.
3. Margareth Pierce (02X07 – Neuropositive)

Esse foi um daqueles casos em que a alucinação mexeu fundo com o nosso protagonista.
Neuropositive abordou um pouco as questões referentes à medicina alternativa e, quando Daniel começa a alucinar com sua mãe, descobrimos que ele se sente culpado por tê-la incentivado uma alternativa chamada “terapia ecológica” para seu câncer.
Além do habitual desempenho acima da média de Eric McCormack, fomos tocados por JoBeth Williams, que fez Margareth, e Shane Coffey, que já tinha vivido o jovem Daniel antes, mas que nos entregou performances dignas de muita emoção nos flashbacks que contavam sobre o trauma do neurocientista com a morte da mãe e com Bach.
2. Jovem Daniel e Daniel Alternativo (01X08 – Kilimanjaro; 02X06 – Defective)

Juntei essas duas alucinações em uma única posição por elas serem muito semelhantes entre si. Ambas foram autoprojeções que Daniel fez de si mesmo: quem ele era e quem poderia ser sem a esquizofrenia.
Embora o Jovem Daniel nos tenha levado mais a conhecer quem ele era antes de ser atingido em cheio pela doença e sua versão alternativa nos leve mais a conhecer seus medos e desejos, essas alucinações foram instrumentos muito importantes para que os roteiristas nos mostrassem os impactos sofridos pelo personagem em sua jornada dentro da esquizofrenia e para que pudéssemos conhecê-lo mais profundamente.
Destaque especial para as atuações de Shane Coffey e Eric McCormack, que deram a dimensão perfeita em seus respectivos papéis.
1. Natalie Vincent (01X09 – Light; 01X10 – Shadow)

O primeiro lugar não poderia ser ocupado por outra a não ser ela: Natalie Vincent. Não só por sua onipresença e por ser a maior ajuda a Daniel nas investigações, como por ser o termômetro do estado psicológico do protagonista e de seu processo dentro da esquizofrenia.
Natalie aparece em boa parte da série – e tenho certeza que ela não sumirá tão cedo. No entanto, selecionei esses episódios por terem nos trazido a natureza de Natalie, ou seja, de onde e como ela surgiu. De quebra fomos apresentados à Caroline e ainda premiados com a linda atuação de Kelly Rowan, que conseguiu diferenciar Natalie e Caroline com perfeição.
Menção honrosa: MMORPG Caleidoscope (02X05 – Caleidoscope)

O episódio em questão é um dos que encabeça minha lista de favoritos da série simplesmente por lidar com os ambientes virtuais – tema comum de 10 entre 10 séries procedurais – com um espírito diferente. Não bastasse isso, os roteiristas se apoderaram do embate real X virtual com propriedade, colocando a perspectiva de uma pessoa que tem esquizofrenia. Vimos Daniel escapar perigosamente para o mundo virtual de Caleidoscope e as consequências disso para ele. O que faz com que Perception seja mestre em lidar com as várias nuances de seu personagem principal. Por isso, Caleidoscope e seu universo merecem um lugar de destaque nesse Top Maníacos.













![Perception 3×15: Run [Series Finale]](https://seriemaniacos.tv/wp-content/uploads/2015/03/Perception-3X15-218x150.png)

