No colégio eu tinha uma amiga que tinha o namoro mais irritante do mundo. Eles eram esse casal perfeito, saído de um conto de fadas da Disney, que fazia você sentir que sua vida amorosa era tão especial quanto um Baratíssimo do Dia no Subway.
As coisas mudaram quando entramos na faculdade. Morando em cidades diferentes, tornando-se pessoas diferentes, os dois passavam o pouco tempo juntos brigando até que, quase dois anos depois, se separaram. “Em retrospecto”, ela me disse um dia, “acho que eu tinha essa ideia de como as coisas seriam entre a gente, e chegou num ponto onde isso era a única razão de eu ainda estar com ele. A ideia.”
Essa conversa me marcou muito, não apenas porque eu nunca tinha ouvido alguém utilizar “em retrospecto” numa frase, mas porque foi algo que eu percebi ser comum entre nós, série maníacos. Existe um momento perigoso na vida de toda série, que é quando os fãs continuam assistindo por causa daquilo que eles gostariam que ela fosse, ao invés daquilo que ela é. E é nesse ponto que alguma coisa precisa mudar, antes que seja tarde.
Tempos atrás – alguns de vocês talvez assistissem – a primeira tentativa de expandir o universo de The Vampire Diaries (e, por expandir, subentenda-se “pegar carona no sucesso”) foi uma série chamada The Secret Circle. A série era uma montanha-russa de altos, baixos, momentos incríveis e incoerências absurdas, mas no fim do dia ainda era uma história que valia a pena acompanhar.
Não por muito tempo. Cancelada na primeira temporada, o último episódio foi uma corrida contra o relógio para consertar todos os ÓBVIOS problemas que atrapalhavam o fluxo da série e prejudicavam a popularidade entre quem curtia histórias do gênero.
The Secret Circle foi um clássico exemplo de uma série cheia de potencial, mas que simplesmente demorou tempo demais para desenvolvê-lo.
The Originals é uma boa série. Eu não gastaria tempo aqui semanalmente se acreditasse no contrário. Mas às vezes eu percebo que passo mais tempo empolgado com o que PODE ACONTECER do que com o que ESTÁ ACONTECENDO de fato. E, embora expectativas façam parte do que nos empolga em uma história, se a própria HISTÓRIA não me empolga… bom… então melhor fazer que nem minha tia-avó com novela: assistir o primeiro e o último episódio e acompanhar o resto nos resumos da internet (off-topic: minha tia-avó é fã do Google, odeia o Bing e usa Whatsapp. Não sei porque, mas isso não te dá uma sensação de fim do mundo?).
Enfim… o post dessa semana é sobre isso. The Originals ainda me empolga e diverte pra caramba mas, num mundo onde a febre por vampiros esfriou há algum tempo, ela precisa urgentemente desenvolver seu potencial se quiser manter seu público, cativar mais pessoas e, o mais importante, sobreviver à proliferação de séries de super-herói.
Então, à seguir, as 5 coisas que precisam DESESPERADAMENTE acontecer em The Originals, antes que seja tarde.
1. UMA VIDA PRO KLAUS

Já cansei de falar sobre isso, então vou ser breve: Klaus precisa de um objetivo mais concreto nessa série, além de um motivo para torcermos por ele. Acho ele interessante, gosto da personalidade confusa dele (dá várias tramas legais), mas ver ele parasitando a história dos outros e existindo apenas para atrapalhar todo e qualquer um na série é muito baixo para o personagem.
2. VILÕES DE VERDADE

A série precisa de vilões que façam o French Quarter tremer, Finn style (mas com menos discursos, por favor). E o problema não é nem a falta de personagens interessantes pra assumir o cargo, mas como eles decepcionam profundamente. Pra que desperdiçar um vilão do calibre do Mikael, tornando ele um pau mandado dos outros? Como assim os lobisomens que conspiraram contra os Originais morrem quase todos em um episódio só? Eu espero que daqui pra frente as coisas melhorem, mas esse histórico de TO me deixa apreensivo quanto à Dahlia. Seria um desastre se depois de tantos “Dahlia is coming” ela chegasse e todo mundo que assiste ficasse “meh”.
3. FOCO NAS FACÇÕES

Uma das coisas mais legais em The Originals (que não entrou na minha lista da semana passada, mas foi muito bem lembrado por vocês nos comentários) são as facções de lobisomens, bruxos e vampiros na cidade (humanos contam?). Mas parece que os roteiristas não se ligam disso e usam as facções como convém ao episódio da semana. Uma das maiores frustrações para mim nessa temporada, por exemplo, foi quando os lobisomens ganharam poderes de híbridos – porque simplesmente não mudou NADA. Inclusive, a única demonstração de poder deles até agora foi aquele salto mortal miserento do Aidan durante a celebração do casamento da Hayley e do Jackson. AH, PARA! Na praça em frente daonde eu compro pão, sábado de manhã, tem uns menininhos de 13 anos que fazem isso.
The Originals teria tramas muito melhor construídas se focasse em desenvolver as facções, ao invés de lembrar ocasionalmente que elas existem e que tem pessoas nelas. Afinal, ao menos 50% da série é sobre como os Originais afetam a vida da cidade, não?
4. MAIS BAR

Uma das coisas mais legais em séries é ver os personagens descontraindo em situações do dia a dia. Claro, The Originals não é Gilmore Girls, mas essas cenas breves inseridas no meio dos episódios fazem você ver um lado complementar dos personagens que tanto gosta. Isso ajuda não só a conhecê-los melhor, mas também servem como um respiro que torna todas as outras cenas de drama mais intensas – afinal, você acaba se importando mais com os personagens.
Esse tipo de coisa também ajudaria a resolver um dos maiores mistérios de The Originals até hoje: QUANDO ELES TROCAM WHATSAPP?
5. UM MISTÉRIO RELEVANTE (FORA O DO WHATSAPP)

TO esboçou isso na primeira temporada com Davina e o lance das bruxas, mas depois simplesmente desapareceu (aliás, foi super broxante quando descobri que a Davina era só uma bruxa com mais poder. Eles tinham pintado um cenário tão macabro em cima dela, que eu esperava que ela fosse ser um demônio, estilo The Secret Circle, sabe?). É receita básica de qualquer série de gênero dar um mistério que faça as pessoas se interessarem em assistir o próximo episódio, enquanto juntam as pecinhas do quebra-cabeça – algo inclusive usado em 90% das séries da CW. Mas hoje em dia não tem nada que me deixe intrigado na série e o lance todo com a Dahlia e a Freya simplesmente não tem o mesmo efeito.
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E esse foi meu TOP 5 da semana, galera. Semana que vem The Originals volta com mais seis episódios para encerrar a temporada e, se seguirem o padrão de sempre, as coisas devem esquentar nessa reta final.
Mas, antes disso, comentem aí embaixo o que vocês acham que precisa acontecer DESESPERADAMENTE em The Originals. Vilões à altura? Mais pegação na vida do Elijah? Cami ser remunerada por seus serviços?
É com vocês!
PS: escrevi esse texto antes de ir dormir e sonhei com a Cami atendendo o Peter Hale de Teen Wolf em seu escritório, estilo Em Terapia. Eles se apaixonaram e foram para a HBO.














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