Apertem os cintos. A sexta temporada de The Voice COMEÇOU!
Venho reclamando semana após semana do tédio em que a sexta temporada do The Voice estacionou. Apresentações mornas, candidatos desinteressantes e coaches não muito inspirados vêm dando o tom da temporada desde as blinds, e vem sendo realmente um martírio acompanhar a trajetória desses cantores em busca do título de nova voz da América.
Felizmente, nesta segunda e última semana de Playoffs, a situação mudou um pouco e foi possível enxergar uma luz no fim do túnel graças, curiosamente, aos times dos dois coaches menos experientes da temporada. Shakira, da qual ninguém esperava absolutamente nada, acabou usando essa baixa expectativa como vantagem e nos surpreendendo em quase todas as apresentações. Já Usher segue consagrando seu excelente desempenho no atual ciclo e provando nos Playoffs por que é o coach mais competente de 2014 e o dono do único time este ano em que realmente havia alguma dificuldade de escolher apenas três cantores para avançar (e pensar que, em temporadas anteriores, quase todos os times geralmente eram assim).
Em termos de resultados, vale dizer, não vejo os Playoffs gravados como um problema. Claramente, a voz do público não faz muita diferença aqui, ao menos não uma diferença positiva, já que 3 dos 4 coaches escolheram exatamente os três cantores de seus times que realmente tinham cacife para um Top 12 e provaram isso nos Playoffs.
O problema maior é com a experiência de assistir a esses Playoffs gravados, já que, assim como nas etapas anteriores, a todo momento somos obrigados a nos deparar com spoilers do que vai acontecer, de quem vai ser elogiado e por quê, e, pior, de qual vai ser a apresentação mais épica de todos os tempos da última semana, ao menos de acordo com Carson Daly. Perdemos nosso poder de formular uma opinião antes que Carson e a edição formulem por nós, e isso é uma perda imensa, a meu ver. Mal posso esperar para assistir às performances ao vivo e não precisar mais aguentar essas pessoas pimpando pessoas antes mesmo da performance (dica: o pimp spot do Team Adam foi um dos mais superestimados da história do The Voice) e tentando me falar de quem eu devo gostar mais antes que eu tenha material suficiente para decidir isso por mim mesmo.
Menos pela questão da votação do público e quase unicamente por que não suporto esses spoilers antes dos intervalos, decidi que sou oficialmente contra os Playoffs gravados e que eles foram um gigantesco golpe na qualidade do The Voice nesta temporada (no caso, apenas mais um dos golpes).
Mas gosto de olhar para o copo metade cheio, e felizmente os Playoffs nos deram alguns motivos para pensar assim (dica: quase todos estão no Team Usher e no Team Shakira). Por isso, sem mais delongas, seguem as apresentações dos três times dos programas de segunda e terça da semana passada, ranqueados internamente entre os times (estes apresentados aqui na ordem cronológica da temporada, mesmo).
TEAM SHAKIRA
5. Deja Hall – Battlefield (Jordin Sparks)
https://www.youtube.com/watch?v=u0GiYRJQKyY
Shakira vive falando que a voz de Deja é como a de um anjo, e isso só me faz concluir de que, na visão de Shakira, o céu é um tédio. Há de se reconhecer o aprimoramento da presença de palco da menina, com uma performance muito bem ensaiada e coreografada, mas quando paramos para analisar os tecnicamente bons vocais, simplesmente não há alma alguma ali. Não há carisma, não há emoção, não há credibilidade. Deja apenas canta palavras memorizadas se preocupar com o seu significado e, se os vocais não tivessem deixado isso claro, sua expressão facial completamente indiferente seria mais do que suficiente para revelar tudo. E pensar que perdemos Ddendyl para ver essa chatinha agora…
4. Patrick Thomson – Trouble (Ray LaMontagne)
https://www.youtube.com/watch?v=nGMcxUCOkck
Eis a diferença que faz deixar o artista ter voz sobre a música escolhida. O folk rock de “Trouble” é uma escolha levemente surpreendente e ainda assim extremamente eficaz para mostrar toda a força de um timbre como o de Patrick, que, pela primeira vez em sua trajetória, parece ter cantado com vontade e se importado com a mensagem que tinha a entregar. Eu ainda acho que a dinâmica das apresentações de Patrick é zero, e não o vejo como mais do que um cantor unidimensional que já foi mais longe do que deveria, mas ao menos houve um grande progresso, ao ponto de termos recebido uma performance digna.
3. Kristen Merlin – Two Black Cadillacs (Carrie Underwood)
https://www.youtube.com/watch?v=qwvdO-MrvbM
Ah, se os cantores country do Team Blake fosse minimamente parecidos com essa apresentação… Kristen mandou incrivelmente bem naquele palco, e é até difícil dizer se isso foi uma surpresa ou não, já que não temos a menor noção do que a moça fez em nenhuma de suas duas batalhas. Acho que a maior surpresa é vê-la indo tão bem na apresentação depois do balde de água fria que deve ter sido assistir a si mesma sendo ignorada ao longo de toda a temporada. Tudo bem, faltou controle em alguns breves momentos e os graves merecem um cuidado especial daqui para a frente, mas Kristen segurou a onda e entregou uma performance bastante carismática e com toda a energia que um grande artista precisa ter em um show.
2. Tess Boyer – Human (Christina Perri)
https://www.youtube.com/watch?v=KLeEWPqCPyg
Tess Boyer é, sem dúvida, um dos grandes destaques da temporada, e a vejo como uma claríssima front runner do Team Shakira. Aqui, a cantora apenas reforçou de maneira competentíssima esse status e o nome que construiu, e entregou uma apresentação absolutamente linda e vocalmente perfeita. Dos graves às notas altas, Tess consegue passear pela canção sem nenhuma dificuldade e encher cada sílaba do mais puro sentimento e conexão com a mensagem. O trecho realmente mágico da performance foi a crescente sequência de “I’m Only Human”s que ela soltou do meio para o fim da música, construindo perfeitamente seu momento e embarcando numa gradação maravilhosa que só poderia culminar na belíssima segurada de nota que durou 9 segundos. Mas Tess não se limita a isso. O uso perfeito e discreto do vibrato e o breve falsete no final, com a clara intenção de fechar a canção passando uma imagem de vulnerabilidade, foi muito bem usado. Depois dessa belíssima poesia para os nossos ouvidos, é impossível que Shakira ouse não escolher Tess para o Top 12.
1. Dani Moz – The Edge of Glory (Lady Gaga)
https://www.youtube.com/watch?v=o2JKo0yASgA
UAU!!! Por mais que Tess tenha feito uma apresentação linda, nada é mais gratificante em um reality musical do que testemunhar grandes surpresas, grandes viradas e momentos de crescimento. E Dani Moz foi a principal responsável pelo momento mais surpreendente desses Playoffs, com uma apresentação extremamente intimista de uma canção que é muito mais ligada à dance music do que ao estilo de altíssimo nível artístico que Dani nos apresentou. Eu fico com uma leve dúvida, pensando se os arranjos que vimos realmente foram criação de Dani ou se Lady Gaga já faz algo semelhante em seus shows. De qualquer forma, o talento artístico e vocal de Dani Moz transbordou completamente naquele palco, e a cantora parecia estar derramando sua alma para nós ao longo da apresentação. Senti uma considerável desafinada na palavra “danger”, mas isso é detalhe. Principalmente quando levamos em conta que, no meio da apresentação, Dani praticamente nos entregou um supercombo (nota alta + vibrato para segurá-la + melisma para encerrar) absolutamente matador! Eu nunca cheguei a subestimar Dani Moz, mas havemos de concordar que ninguém poderia imaginar que a cantora seria responsável por uma apresentação de tão alto nível! O feedback de Shaki foi um exato reflexo do que eu (e provavelmente muita gente também): os arranjos originais nos impedem de prestar atenção na poesia da canção, e a apresentação de Dani mudou isso completamente e exaltou a mensagem. Assim, a competição realmente começou, e Dani tornou absolutamente impossível que Shakira escolhesse seus queridinhos em detrimento dela.
RESULTS
No fim das contas, Shakira escolheu Tess Boyer, Kristen Merlin e Dani Moz, em um primeiro momento de decisões 100% sábias da história de Shakira no The Voice. Ainda acho que teria sido melhor deixar Kristen por último, já que isso aumentaria o suspense, mas, por outro lado, se temos que pimpar alguém fazendo esse mistério em relação à classificação do (a) artista, Dani Moz ao menos merece o puxa-saquismo – fora que até a reação de Shakira às “últimas palavras” de Dani deixaram claríssimo que ela seria a escolhida. Agora, imaginem só como Shakira deve estar feliz com os responsáveis pela edição. Seu time no Top 12 tem simplesmente duas combadas nas blinds e uma cantora cujas battles sequer foram vistas. Duas vezes! Eita alegria, hein?
TEAM ADAM
5. Jake Barker – She Will Be Loved (Maroon 5)
https://www.youtube.com/watch?v=busjSr1SYPg
Jake é oficialmente o maior puxa-saco da história do The Voice. Depois de cantar uma música de Usher, agora o cara decide tentar conquistar Adam cantando uma música do próprio coach. E, de certa forma, até que deu certo, já que a apresentação do cantor deixou muito claro que os vocais de Adam Levine estão em níveis inalcançáveis para Jake. O refrão, especificamente o verso-título da música, perdeu completamente o brilho e a poesia na voz de Jake, que não soube conduzir a mensagem de forma adequada com seu falsete. Como se não bastasse, o sem número de melismas aleatórios e desnecessários sugaram completamente a vida da canção, e momentos como “the pouring rAaAaAaAain” e “the girl with a broken smAaAaAaAaAaAle” foram totalmente despropositados e incompreensíveis. Menos polissílabos fabricados e mais alma, Jake!
4. Morgan Wallen – Stay (Florida Georgia Line)
https://www.youtube.com/watch?v=dlefa-arZCY
Não posso dizer que a performance de Morgan foi ruim. Achei até surpreendente o fato de que sua voz se encaixou melhor no country do que eu conseguiria imaginar. O problema é que passei a performance inteira sentindo que Morgan ainda não está pronto para uma competição do nível de The Voice, e ainda precisa desenvolver muito mais sua voz e sua identidade. O cantor é dono de um dos mais belos (se não o mais belo) timbre da temporada, mas isso só pode carrega-lo até certo ponto, e não sinto que nestes Playoffs ele tenha feito algo que o tornasse elegível para seguir em frente.
3. Christina Grimmie – I Won’t Give Up (Jason Mraz)
https://www.youtube.com/watch?v=L-S3ijtinaA
Adam acertou na mosca durante os ensaios, quando comentou que Christina perde muito facilmente o controle quando tenta ser espontânea (e foi interessantíssimo ver esse diálogo porque foi justamente esse o problema que senti na blind, a incapacidade de Cris de se entregar aos vocais e nos dar uma performance menos ensaiada, menos marcada, menos artificial). O curioso é que eu não sinto que esse problema foi corrigido durante a apresentação, mas Adam achou tudo lindo e maravilhoso mesmo assim – natural, já que ele é o coach da menina e não ganha nada criticando-a depois de uma performance oficial. Mas, antes de ir ao que Cris precisa melhorar, vamos louvar o que merece ser louvado: até por volta da metade da música, Cris Grimmie estava MARAVILHOSA. Seus vocais suaves combinam perfeitamente com o timbre da garota e são de uma beleza que eu ainda não havia notado, provavelmente porque Cris tenta insistir em uma agressividade vocal que não lhe compete. E é aí que vem o problema. Quando a cantora começa a gritar as notas mais altas, sua voz chega a um nível de estridência intolerável até pra mim, que adorava Jacquie Lee. E, apesar de eu não ter dúvida nenhuma de que Cris tenha feito mais do que suficiente aqui para merecer uma vaga no Top 12, sinto que o que falta a ela é autoconhecimento, é a compreensão de que nem todos os timbres foram feitos para gritar, que não há nada de errado em não ser uma belter. Se vozes mais robustas como a de Jacquie ou a de Bria Kelly precisam evitar a suavidade e investir na agressividade para brilharem, timbres mais simples como o de Christina precisam se concentrar nas sutilezas e na emoção. Caso contrário, suas performances se tornarão apenas acrobacias vocais vazias e sem propósito, e eu acho Cris Grimmie boa demais para aceitar que ela se limite a isso.
2. Kat Perkins – Open Arms (Journey)
https://www.youtube.com/watch?v=MGtdHTPeJaY
Kat, sua maravilhosa! Você só ficou em segundo lugar esta semana porque senti que faltou ousar um pouco mais, brincar um pouco mais com a canção. Sim, é um clássico do rock, mas a música ainda poderia ter sido um pouco mais bem trabalhada para se tornar mais própria e menos similar à original em praticamente todos os versos e notas cantadas. Isso posto, os vocais de Kat foram tão estonteantes e o carisma da cantora é tão absurdo que essa similaridade se torna um detalhe. Kat é uma força muito maior do que o programa faz parecer, e fiquei absurdamente feliz ao ver sua performance ser tão merecidamente elogiada por todos os coaches. Só me preocupo com ela porque, enquanto o público tem muita facilidade de abraçar homens que embarcam no rock clássico, o mesmo não costuma acontecer com mulheres (Juliet Simms mais ou menos à parte – mais ou menos porque mesmo ela não foi tão abraçada quanto merecia). Mas espero que com esta Kat tenha mais sorte e reconhecimento do que a Kat do ciclo anterior, que também merecia muito mais do que recebeu. Observação: Faz-me rir, Carson, ao dizer que o feedback “Nem consigo criticar a apresentação de tão boa que foi!” é algo raro no The Voice. É a coisa mais comum que acontece nesse show, ainda mais em uma temporada sem Christina.
1. Delvin Choice – Let’s Stay Together (Al Green)
https://www.youtube.com/watch?v=TtJoFv4JryM
UAU, Delvin! Não lembro qual dos coaches havia afirmado, depois da segunda batalha, que Delvin foi o cantor que mais cresceu ao longo de toda a competição, mas o fato é que sempre pensei o mesmo e continuo pensando. Infelizmente, a primeira colocação de Delvin não foi com tantos méritos ou louvores como a de Dani Moz, ou mesmo como a segunda colocação de Tess Boyer, porque a escolha musical foi extremamente antiquada e desinteressante. Ainda assim, o que o cantor fez com ela foi, como bem disse Shakira, de um domínio e de uma classe ímpares, com óbvio destaque para o melisma avassalador que desceu ao ápice do belíssimo grave de Delvin e depois subiu novamente para um tom mais alto. Delvin segue surpreendendo vocalmente a cada etapa, e o grande cuidado que precisa tomar é realmente com as song choices, que têm potencial para matá-lo cedo na competição caso continuem seguindo essa linha. Observação: infelizmente, com a liberação de boa parte dos vídeos do YouTube pelo canal oficial do The Voice, não há mais canais alternativos que os publicam, e um vídeo ou outro que foi travado pela NBC acaba ficando difícil de achar. Por isso, não consegui encontrar o vídeo da apresentação de Delvin Choice, o único dos Playoffs que está bloqueado para o público de fora dos EUA, e tive que usar a versão em estúdio na review.
RESULTS
Assim como Shakira, Adam escolheu perfeitamente bem seu trio de representantes para o Top 12, e, ao contrário dos dois coaches anteriores, soube a ordem certa para fazê-lo. Christina foi tão pimpada que era um nome óbvio demais, Delvin não poderia, de forma alguma, ficar de fora, e Kat, embora merecesse, é historicamente a artista de perfil mais distante daqueles com apelo popular no Team Adam. Por isso, o suspense em torno da cantora foi legítimo e muito bacana, ao ponto de me fazer vibrar com o resultado final. Muito bom, Adam!
TEAM USHER
5. Melissa Jiménez – Halo (Beyoncé)
https://www.youtube.com/watch?v=mTtkmvsnQXA
Melissa acabou escolhendo uma canção grande demais para ela, e isso a prejudicou imensamente nesses Playoffs. Curiosamente, Melissa tentou criar um arranjo mais esparso para dar a ela momentos para segurar grandes notas, e isso teria sido uma jogada e tanto pudesse ser usado a favor dela, mas infelizmente a ideia só foi boa no papel. Melissa errou feio uma porcentagem considerável das notas que segurou e transformou momentos que poderiam ter sido sublimes em verdadeiros pesadelos. A voz da cantora é linda, e é claro que a apresentação teve seus bons momentos, mas, em média, os Playoffs definitivamente não foram uma fase feliz para Melissa na competição.
4. TJ Wilkins – Tell Me Something Good (Chaka Kahn)
https://www.youtube.com/watch?v=kSIANLiydNg
Ah, a nostalgia. A escolha musical de TJ imediatamente me fez voltar à lindíssima segunda temporada, com Kim Yarbrough encarnando Chaka Kahn em uma blind extremamente poderosa e cheia de personalidade. Infelizmente, essas não são características compartilhadas entre Kim e TJ. Mas é necessário dar crédito onde o crédito é devido, e essa foi, de longe, a melhor apresentação do cantor na competição. O ritmo imposto por TJ nos versos, afastando sua versão da original, deu à apresentação toda a personalidade que ele sozinho não costuma ter, e o falsete teria sido uma surpresa muito grata se já não tivesse sido spoileado no início do episódio – mas, mesmo não surpreendendo, foi excepcional! Eu costumo revirar os olhos quando um coach diz que um front runner como Bria Kelly, Sisaundra Lewis ou Josh Kaufman fez uma apresentação “deixou a escolha muito mais difícil”. Quem fez isso de verdade foi TJ, que não parecia ter a menor chance de avançar, mas obrigou todos nós a prestar atenção nele ao abrir o show desta maneira.
3. Stevie Jo – The Thrill Is Gone (B.B. King)
https://www.youtube.com/watch?v=ajBUI339nZk
Ele pode não ter tido nenhuma orientação decente dos cabeleireiros da produção, mas definitivamente Stevie Jo cresceu sob a tutela de Usher deste a última vez em que o vimos, e acho que o feedback do seu próprio coach disse absolutamente tudo o que havia para ser dito. A conexão entre a dor da canção e a interpretação de Stevie Jo foram absolutamente perfeitas, e a maneira como ele dominou o público sem perder o fio da meada de sua apresentação foram dignas de um profissional experiente, que sabe muito bem o que está fazendo. Vou concordar com um dos raros bons feedbacks de Shakira e dizer que o excesso de vibrato me incomodou muito ao longo de toda a performance, o que não teria acontecido se ele não tivesse estendido tanto tantas notas, mas nem de longe isso consegue anular o excepcional trabalho de Stevie.
2. Bria Kelly – Wild Horses (The Rolling Stones)
https://www.youtube.com/watch?v=76pyb0Twfpg
Bria Kelly me dividiu demais esta semana, e ficou circulando entre o quarto e o segundo lugar no meu ranking à medida que eu via, revia e ouvia inúmeras vezes sua apresentação. Meu fascínio pela cantora não é nenhum segredo, e justamente por isso uso o dobro de cautela ao avaliá-la. O grande contra da apresentação de Bria é que eu discordo imensamente de Blake Shelton quando ele elogia o registro mais baixo da cantora, que, pra mim, continua apresentando sérios problemas de controle e semitonando quando não está com o modo belter ligado. Ao mesmo tempo, concordo com Blake quando ele diz que Bria é uma força tão grande que fez com que suas oponentes tenham se aperfeiçoado para enfrentá-la. Mas, no fim, quem me representa mesmo é Usher, que segue tentando ensiná-la esse controle nos ensaios, e é só o que eu espero dele.
A grande questão é que a belter Bria Kelly é uma das melhores cantoras que já passou pelo programa, simplesmente porque, ao contrário de muitos outros, consegue deixar claro que é muito mais do que um vozeirão vazio fazendo acrobacias. Bria é intensa, sente e se entrega a cada nota e a cada momento cantado com sua belíssima voz áspera que lhe torna a vocalista mais única da competição. Essa entrega pode ser ouvida a quilômetros de distância, e é ela, consagrada pela clara emoção na expressão facial de Bria ao final da canção, que me contagiou, me emocionou e me fez perceber que eu jamais deveria ter tido dúvida ao querer dar essa medalha de prata do Team Usher para ela. Ainda não estou com Adam quando ele diz que “Wild Horses” foi o retorno triunfal de Bria após sua avassaladora blind, mas sinto que seus maus momentos foram superados e que a partir de agora a cantora voltará a brilhar como merece.
1. Josh Kaufman – It Will Rain (Bruno Mars)
https://www.youtube.com/watch?v=_i_Z4R0zTr4
O rei da sexta temporada do The Voice continua dominando completamente a concorrência e mostrando que, se alguém quiser derrotá-lo, vai ter que crescer demais na competição! Josh Kaufman transformou a canção de Bruno Mars em uma verdadeira obra-prima, e é difícil ser muito específico quando, sempre que assisto e reassisto à performance, me perco completamente na apresentação e apenas contemplo-a e me maravilho com o quão incrível e competente é esse cara. Josh tem um estilo e uma voz que, ao mesmo tempo em que são extremamente vendáveis e adaptáveis ao nosso mercado atual, também têm um quê de clássicos que transmitem um imenso respeito. Aliás, só eu acho que Josh tem muita cara de um Will Champlin que veio de uns 10-15 anos no futuro? É uma pena que Carson spoileou o fato de Josh ter sido a performance da noite, mas, vamos combinar, se houvesse uma banca de apostas, grana mesmo, para a melhor performance destes Playoffs antes mesmo de eles acontecerem, Josh lideraria facilmente por ser a aposta mais segura. Justamente por isso, apesar do altíssimo nível da performance, a ausência da surpresa acabou tirando dele o selo Amanda Brown de qualidade. Pelo menos por enquanto.
RESULTS
Usher, o melhor coach do programa até aqui, acabou me decepcionando um pouco ao abandonar o competentíssimo Stevie Jo para manter TJ Wilkins na competição. Por mais que TJ tenha feito uma apresentação extremamente respeitável, todo o corpo de trabalho de Stevie é muito mais interessante e consistente do que o do colega. Bria e Josh eram apostas certas para o Top 12, então nem há muito o que dizer sobre eles. A vantagem? Pelo menos temos um cantor no Top 12 que poderá ser eliminado na primeira semana sem que nos sintamos mal por isso.
É isso, pessoal! O Team Usher, a meu ver e apesar dos pesares, segue dominando completamente a temporada com sua dupla de potenciais finalistas. Logo atrás dele, surpreendentemente, vem o Team Shakira, formado basicamente por underdogs que jamais esperávamos que se destacariam tanto nas etapas em que se destacaram. Em terceiro, segue o trio de Adam Levine, que poderia ser melhor, mas ainda conta com Kat e Delvin, dois vocalistas de muito respeito. Blake segue na lanterna com Sisaundra e Jake, dois nomes que podem acabar se sagrando campeões se a popularidade do coach, como de costume, pesar mais do que o mérito do artista.
Segue o meu ranking do Top 12 (baseado exclusivamente em mérito, já que a probabilidade de Cris Grimmie ser Top 3 e até campeã independentemente do que fizer é altíssima), que acabou saindo um grupo respeitável de cantores, e até a próxima!
12 – TJ Wilkins
11 – Audra McLaughlin
10 – Jake Worthington
9 – Christina Grimmie
8 – Kristen Merlin
7 – Delvin Choice
6 – Sisaundra Lewis
5 – Kat Perkins
4 – Dani Moz
3 – Tess Boyer
2 – Bria Kelly
1 – Josh Kaufman FOR THE WIN!















