The Originals diminui o ritmo empolgante das últimas semanas e entrega um episódio mediano, mas essencial para revelar o tom que a trama irá tomar até o fim da série. We Have Not Long To Love deu sequência aos eventos que se desenrolaram no Chambre de Chasse (com exceção, é claro, de Kol e Rebekah, que mais uma vez desapareceram sem uma justificativa plausível), explorando a culpa de Elijah perante a morte de Hayley e os efeitos que a magia negra de Inadu provocou em Hope. Além disso, sentimos, na pele, através das atitudes do grupo liderado por Emmett, o que o reinado e a tirania de Marcel representavam para as facções de Nova Orleans. Tudo que o vampiro, agora híbrido, construiu no passado, se reflete de forma cruel agora, no presente.

Diferentemente de seus antecessores, o nono episódio foi de transição, deixando claro que o clima está apenas esquentando e que até o series finale muita coisa ruim pode acontecer. Ou seria melhor dizer, já aconteceu? Nessa semana, Julie Plec não perdeu tempo e matou mais duas personagens femininas, demonstrando mais uma vez a sua covardia em matar um dos homens ou até, quem sabe, um dos Mikaelsons. É claro que isso pode ocorrer em breve, mas é triste que até lá tanto símbolo feminino de força da série precise ser sacrificado de forma tão desnecessária. Entendo que as mortes de Ivy e Lisina servirão de combustível para os que restaram possam trazer paz para Nova Orleans novamente, mas ainda assim, é extremamente decepcionante.
E por falar em decepção, vamos ao motivo da minha grande insatisfação não só com esse episódio, mas com a trama como um todo: por que diabos o grupo de Greta ainda está vivo? Marcel, por exemplo, teve a oportunidade de matá-los inúmeras vezes só essa semana, por qual motivo ele não o fez? Vocês conseguem responder essa pergunta? Não? Nem eu. Por qual motivo os Mikaelsons, e até mesmo Marcel, não exterminam Emmett e os outros de uma vez? No passado, em situações como essa, Klaus e os outros nem pestanejariam, o que resultaria num verdadeiro massacre. A decisão em deixá-los vivos (causando cada vez mais mortes pela cidade e, óbvio, no elenco da série) simplesmente não se encaixa com a personalidade dos protagonistas, bem como na grandiosidade que a última temporada precisa representar.

Apesar do cansaço e da decepção com a trama envolvendo os vampiros “nazistas”, é necessário que tiremos algo de bom dela: a reflexão sobre as decisões que Marcel tomou em seu reinado, no início da série, e a mudança de personalidade que Vincent pode vir a assumir em breve. We Have Not Long To Love nos mostrou um novo Marcel, revelando a grande transformação que ele teve desde a sua estreia em TO. Marcel percebeu que todo o ódio que existe entre as facções, sobretudo dos vampiros com relação às outras, surgiu dele, que suas atitudes e as regras impostas em seu reinado alimentaram a guerra que se desenrola agora, no presente. Em paralelo, Vincent decidiu mudar a sua postura, algo marcante em seu lugar de liderança na comunidade bruxa, ao assumir um lado e novamente encontrou tragédia em sua escolha.
A situação que os dois enfrentam hoje é diferente, mas semelhante numa mesma linha de pensamento. Essa é a oportunidade deles mudarem de perspectiva e unirem-se com o propósito de restabelecer a paz em Nova Orleans. Marcel não é mais um tirano, ele hoje assume a sua culpa perante a realidade da facção vampira e escolheu viver para consertar seus erros, ao mesmo tempo em que põe um fim ao seu confronto com Klaus e os outros, tornando-se não apenas o símbolo que pode uni-los, como um verdadeiro Mikaelson. Já Vincent enfrenta o mesmo resultado de antes: a sua inclinação para as trevas levou à ruína de Eva e agora, ao decidir sair de “cima do muro”, ele perdeu Ivy, outro amor de sua vida. Dois polos e uma mesma direção: ambos serão, a meu ver, os personagens mais importantes no caminho até o series finale.

Ainda pensando em Marcel e Vincent, podemos estabelecer uma comparação com a atual situação que Elijah enfrenta. Elijah assumiu seu erro e optou por viver com a culpa, mas sem deixar que a dor o consuma, pronto para poder se redimir, assim como Marcel e Vincent. Enquanto Marcel se torna o líder do movimento pela proteção de NO e Vincent se direciona para o mesmo caminho, motivado por vingança, Elijah está decidido a fazer de tudo para amenizar a dor de Hope e honrar a memória de Hayley. Podemos ver isso também no momento em que ele compele Declan (apesar de eu ainda achar que ele terá um papel no futuro e que o Original não conseguiu hipnotizá-lo), na esperança que o chef de cozinha continue com a bela visão que ele tinha de Hayley, sem que a sua natureza híbrida possa deturpar isso.
Ainda acho que o destino de Elijah não é outro, senão a morte, no entanto, acredito que ele será o responsável direto pela recuperação de Hope. Filosofias à parte, We Have Not Long To Love foi, sobretudo, uma discussão sobre as escolhas que fazemos: Elijah decidiu continuar vivo com o objetivo de se redimir pela morte de Hayley; Marcel mudou ao ter a coragem de assumir seu próprio erro; Vincent, ao perceber que os bruxos não devem ser mais passivos na guerra que está acontecendo; Klaus em abdicar de seus fantasmas e suas dores para unicamente cuidar de Hope; e Hope, ao botar sua vida em jogo a fim de salvar seu bem mais precioso. No caso da caçula Mikaelson, é emocionante ver o papel que Klaus desempenhou em sua evolução: hoje, toda a raiva e a violência que o híbrido sempre nutriu em seu âmago podem salvá-la.
Por falar nisso, o ponto alto do episódio foi exatamente isso, sobre o que Freya decidiu fazer com sua vida, principalmente depois de quase perder Keelin numa situação criada indiretamente por sua família. Após centenas de anos sofrendo nas mãos de Dahlia, presa num sono profundo e ouvindo acusações de Klaus, a bruxa finalmente escolheu viver por si mesma, não mais pelos irmãos, ao pedir Keelin em casamento. Como esperado e visto na semana passada, a relação de Freya com Klaus só tem piorado, o que serviu de motivação para a sua decisão. Além de ensinar a lição valiosa de que temos que lutar pela nossa própria felicidade, independente do que for ou de quem estiver no caminho, esse foi um momento de representatividade LGBT+, uma bandeira que poucas séries da CW têm a coragem de vestir. Basta rezar para que Julie não as mate como fez com Aiden no passado.

Antes de iniciar o último tópico da review dessa semana, precisamos analisar a letra da música tocada ao final do episódio, na cena da morte de Ivy (que eu vi mais de cem vezes por gostar tanto da emoção que ela mostrou). Comento mais sobre as trilhas sonoras da série nas curiosidades abaixo, pois agora vamos ver até que ponto The Originals sabe entregar um produto final feito nos mínimos detalhes, beirando a perfeição. Confiram o motivo (primeiramente em inglês):
“Hope will rise, it’s darkness falls, worlds collide at the end of it all. After the rise, will come the fall”.
Que traduzindo para o português vira:
“A esperança vai ascender, sua escuridão cair, mundos colidem no final de tudo. Após a ascensão, virá a queda”.
Parece besteira levar em conta a letra de uma música como o rumo que a trama irá traçar daqui até o series finale, mas vocês não acham que é muita coincidência? No inglês é dito “Hope”, que vale tanto para o nome da caçula Mikaelson, quanto para a palavra “esperança” em sua tradução. Só que não é apenas nesse ponto que vemos semelhanças. Toda a passagem mostra exatamente o que vem acontecendo até agora: Hope está ficando cada vez mais forte ao mesmo tempo em que a escuridão do Hollow toma conta de si mesma, o mundo e a vida dos cidadãos de Nova Orleans estão enfrentando um verdadeiro caos, como foi possível ver com a morte de Ivy e Lisina, integrantes importantes de duas das três facções da cidade. O que mais pode estar a caminho?
Hope está perdendo o controle da sua magia e está se tornando mais perigosa a cada instante, de forma que nem mesmo Klaus consegue contê-la, o que, é claro, fortalece aquela minha antiga teoria de que ela se tornará vilã ao final da temporada (rindo ao me lembrar do comentário do Jean Guilherme, que disse que uma review minha sem dizer que Hope se tornará vilã não é uma review minha). Deixando a minha felicidade ao ver que a teoria está se concretizando de lado, surge o grande “x” da questão: será que a letra da música foi uma forma de anunciar ou nos preparar para os eventos dos quatro últimos episódios da série? The Originals está mais próximo do fim e Hope, de destruir tudo que ela já amou, inclusive, talvez, sua própria família. Mas será que de fato podemos interpretar a passagem de forma literal?

Caso façamos dessa maneira, o que significa “após a ascensão, virá a queda”? Quando é dito que os mundos irão colidir ao final de tudo, a passagem nos leva a crer que a morte não poupará ninguém até o series finale (espero que não da forma que foi Guerra Infinita). Mas e a queda, será que isso se refere à caçula Mikaelson? Hope não pode morrer, tendo em vista que ela será protagonista em Legacies, mas e o restante da família, o que garante que eles estarão seguros? E se a única saída para salvá-la de Inadu for a morte definitiva dos Mikaelsons, pondo um fim à família original, restando apenas Hope (e Freya) para contar sua própria história no spin-off?
Por fim, finalmente posso dizer: vi Awakening, pessoal! Reservei um tópico abaixo só para comentar sobre a websérie do Kol, espero que gostem. Bem, infelizmente The Originals entrou num longo hiatus e teremos There in the Disappearing Light, o décimo episódio da temporada, apenas no dia 11/07, quando a série entra em sua reta final, sem pausa, até o series finale, que acontecerá no dia 01/08. Aguardo vocês nas próximas semanas, ok?
Curiosidades:
RIP Ivy e Lisina
Ambas eram apenas personagens coadjuvantes, mas é claro que cada uma tinha seu valor na série. Lisina nem tanto, mas Ivy simbolizava algo puro e único para Vincent, um sentimento que ele não nutria em seu coração há anos. No entanto, Ivy ia além disso, a bruxa foi essencial para que as profecias fossem descobertas e realmente creio que ela fará falta. Será que as duas eram as mortes previstas por Julie Plec ou mais alguém também está dentro da equação? Quais são suas apostas?
Roman e Antoinette
Não que eu me importe, mas onde diabos estão Antoinette e, principalmente, o embuste do Roman? A sonsiane apareceu tem pouco tempo, já Roman não surge desde a morte de Hayley e Greta. Será que eles ainda terão algum papel importante a cumprir até o final?
Awakening

Infelizmente não há muito a dizer sobre a websérie, tendo em vista que na época de seu lançamento (2014), ela foi dividida em quatro partes, com apenas dois minutos cada. A pequena história nos mostra o motivo pelo qual Kol odeia tanto Klaus e, ainda, explora brevemente a sua relação com as bruxas de Nova Orleans, em especial Mary-Alice Claire, ancestral de Davina. O interessante que podemos tirar da websérie são as referências nostálgicas, lembrando-nos de elementos importantes que já passaram em The Originals. Eu particularmente fiquei bastante empolgado, pois lembro muito pouco das primeiras temporadas de TO.
> 13 REASONS WHY: Temporada 3, precisa? (Um papo sincero)!
Entre eles, os principais foram: Mary-Alice citando Genevieve, uma das maiores antagonistas da primeira temporada ao lado de Papa Tunde e Bastianna Natale, considerados os três bruxos mais cruéis da história de NO; a criação de alguns Objetos Negros (Dark Objects, do inglês) pelas mãos de personagens como Esther, Astrid e a própria Mary-Alice, através da Kemiya, uma magia árabe; e a Mansão Folly, onde as amigas de Kol foram aprisionadas no passado, Rebekah no corpo de Eva Sinclair e, é claro, Freya, colocada num sono profundo pela titia Dahlia. Interessante, não? Só eu que tive vontade de rever tudo novamente?
Trilha sonora
Mais alguém é fascinado pelas músicas de fundo que tocam na série? Sempre anoto esse detalhe nos episódios, mas na hora de levar para a review eu me esqueço de comentar. Destaco principalmente cinco trilhas sonoras perfeitas até hoje: quando Elijah e Freya deixam Davina na dimensão dos Ancestrais; com Thousand Eyes (Of Monsters And Men), no momento em que Finn aparece para Kol quando ele está sem controle (devido à influência dos Ancestrais); ao final da terceira temporada, com Breathe (Fleurie), numa cena em que Hayley foge de Nova Orleans com os caixões dos Mikaelsons; quando Elijah recupera suas memórias; e agora, na cena da morte de Ivy (citada acima). Confesso que tenho as cinco (e tantas outras) no meu celular, escuto sempre!
Grupo no Telegram
Há algum tempo venho pensando em criar um grupo no Telegram sobre a série, voltado estritamente para os leitores dos meus textos de The Originals e, futuramente, de Legacies aqui no Série Maníacos. Hoje penso em pôr a ideia em prática, pois acho que seria bem interessante ter uma troca de opiniões e poder me aproximar mais de vocês (raramente consigo respondê-los por aqui, no Telegram seria mais fácil). O que vocês acham? Já criei o grupo no aplicativo, quem quiser é só entrar através desse link. Não vejo a hora de conversar com vocês, pessoal!














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