Numa dobradinha chocante e de tirar o fôlego, The Originals entregou os episódios mais emocionantes da série até então, preparando-se para fechar sua história com chave de ouro. Enquanto What, Will, I, Have, Left entregou a morte mais simbólica da temporada atual e de TO de modo geral, God’s Gonna Trouble the Water apresentou informações cruciais sobre a trama final com uma nova e perigosa profecia, bem como o funeral de Hayley e as consequências do seu falecimento pelo ponto de vista de cada personagem. Apesar de terem sido televisionados separadamente (um em cada semana), os dois episódios se conectaram como nenhum outro antes. O par representou o desfecho de Hayley Marshall em TO de forma tocante e delicada, primoroso do início ao fim e demonstrando não apenas a força que a híbrida tinha em suas cenas, como o carinho e a admiração que o público cultivava por ela.

A saída de Hayley já era esperada, no entanto, não deixou de nos impactar e ferir os nossos sentimentos. Levou tempo até que ela se tornasse querida pelo público, mas assim que conseguiu, Hayley já formara o shipp com Elijah e era chamada como a “rainha” de The Originals. A decisão de retirá-la da série foi corajosa, principalmente no que tange a posição que Elijah ficou após seu falecimento (ao adquirir grande parte da culpa na tragédia) e por mostrar que ninguém está seguro nessa temporada final, no entanto, extremamente mal formulada. Hayley não era uma personagem qualquer, ela era a atual matriarca da família Mikaelson, a primeira híbrida criada por Hope, a última Labonair e a líder da facção dos lobos de Nova Orleans. Mantê-la afastada da temporada por vários episódios e matá-la no momento do seu retorno, pelas mãos de uma vilã medíocre e dispensável, foi uma péssima ideia.
Hayley já enfrentou as bruxas de Nova Orleans, Mikael, Esther, Dahlia, a Trindade (composta por Lucien, Aurora e Tristan) e Inadu, antagonistas derrotados nas últimas temporadas, e sobreviveu. Matá-la dessa forma foi não só incoerente de todas as maneiras possíveis (Hayley podia ter pego o anel de Greta; ninguém pega fogo tão rápido no sol; Klaus já esteve pior e podia ter levantado para salvá-la; etc), como também foi injusto com todo o fandom. Julie Plec quis chocar (e consequentemente aumentar a audiência da série) ao expulsar uma personagem principal de The Originals, mas demonstrou uma covardia sem proporções por descartar uma das mulheres mais fortes de TO (dá para contar na mão quantas ainda estão vivas – porém inutilizadas, não é, titia Freya?) ao invés de matar, por exemplo, um dos irmãos Mikaelsons.

E por falar nos irmãos Mikaelsons… Tudo indica que o futuro de Klaus já está definido: o híbrido pode ficar com Caroline, o que pode ser comprovado com sua constante presença e as lembranças do tempo em que eles estiveram juntos. Assim como Camille, Caroline também incentiva Klaus a ser uma pessoa melhor, o que simboliza um grande propulsor para que o personagem possa evoluir e encontrar, na diretora da Escola Salvatore, uma possibilidade de ser feliz pela primeira vez em toda a sua existência. Mas e Elijah, por qual motivo ele continua vivo? Antes eu acreditava que ele terminaria ao lado de Antoinette, mas agora, tendo em vista o papel que ele teve na morte de Hayley e a perspectiva de que ele pode não encontrar redenção nesse caminho, tudo leva a crer que seu destino será extremamente doloroso e infeliz.
Caso Marcel não consiga restaurar suas memórias, Elijah deve morrer pelas mãos de Klaus ou, quem sabe, da própria Hope (levando em conta a sua aliança com os Siennas), num momento de fúria. Por outro lado, se Marcel e Vincent tiverem conseguido e Elijah abrir a porta vermelha, o sentimento de culpa pode consumi-lo ao ponto de que o personagem irá procurar uma forma de se matar para não viver com a lembrança de ter participado na morte de sua ex-amada. De uma forma ou de outra, o futuro de Elijah já parece traçado e ele não é nada positivo (vale ressaltar que até mesmo os fãs estão torcendo pelo seu fim agora). A única forma de Elijah se redimir é, das duas uma, exterminar o grupo formado por Greta (os responsáveis diretos pela morte de Hayley) ou até, quem sabe, sacrificar-se para que sua família possa se reunir novamente.

Finalizando a análise dos elementos de What, I, Have, Left e tendo em vista os eventos do episódio dessa semana, surge o questionamento: agora que Greta está morta, quem será o antagonista do restante dessa temporada? Roman e Antoinette, os últimos Sienna’s, parecem insetos diante dos Mikaelsons. Um é bom em sua essência e a outra, apesar de aparentar ser dissimulada e sonsiane, parece não ter potencial para a vilania. Já o que sobrou do grupo de Greta, assusta apenas pela sua quantidade, ou seja, tudo nos leva a crer que eles são coadjuvantes descartáveis. Qual será a trama dos episódios restantes? Será que acertei ao supor que Hope perderia o controle dos seus poderes e se tornaria a grande vilã desse ano? A morte de Hayley pode deixá-la tão desolada a ponto da primeira profecia de Ivy se cumprir ou até mesmo Inadu assumir o seu corpo como da última vez?

Aproveitando o gancho, começo a discussão do episódio dessa semana com a mais nova profecia de Ivy:
“E vós conhecereis os sinais de sangue da água, víboras dos rios, larvas do solo, chuva de gelo dos céus, fogo através da água, monções do mar. A morte de todos os primogênitos”.
O que seria de The Originals sem uma profecia, não é verdade? Como de praxe, a temporada final apresentou mais um presságio do que está por vir nos próximos episódios. Grande parte do que foi dito já ocorreu: água se tornando sangue, víboras surgindo pelos rios e larvas dos solos, a chuva de gelo da luta entre os irmãos Mikaelsons e, agora, fogo através da água, no funeral de Hayley. Restando apenas um elemento para o desfecho da profecia mencionada por Ivy, o clima de urgência começa a tomar conta da trama. Com isso em mente, analisando as passagens apresentadas, surgem os seguintes questionamentos: será que ela continuará literal, ou seja, assim como as outras se cumpriram exatamente como o escrito no livro de Ivy, a parte final seguirá pelo mesmo caminho e trará a morte de todos os primogênitos?
Quem ou o quê provocará essa chacina? Para começo de conversa, será que as pragas que vem acontecendo de fato são provocadas por Inadu e indiretamente pela união da família Mikaelson, que possuem partes de sua magia negra? Ou a crise se deve pela evolução do poder de Hope, que pode estar absorvendo inconscientemente a essência do Hollow para si? Chegamos na metade da temporada, o que significa que temos pouco tempo para costurar todos os eventos apresentados até então e ainda fechar a trama da série. Levando isso em conta, eu arrisco dizer que a última opção é o que se desenrolará a partir da semana que vem, em The Kindness of Strangers. Inadu até pode aparecer novamente, mas isso servirá apenas para que ela seja, revelando que tanto Ivy, como a própria Dahlia no passado, estavam certas: Hope se tornará a bruxa mais poderosa viva e será a desgraça de Nova Orleans.

Ao menos uma coisa é certa, God’s Gonna Trouble the Water calou de uma vez por todas a boca daqueles que não acreditavam na capacidade de Danielle Rose Russell no papel da caçula Mikaelson. A morte de Hayley não só revelou o potencial de vilã onipotente que Hope pode vir a desempenhar no futuro, como possibilitou que o público visse Danielle em todo seu esplendor: ela chorou (e nos emocionou) desolada pela morte da mãe; se conectou com Freya, demonstrando o quanto a tia é importante para ela e o restante da família; gritou com o pai (enfrentando-o com coragem) e protagonizou uma das cenas mais belas (cheia de amor, encantadora e rica de significado para ambos os personagens), entre os dois; e ainda arrepiou todos nós com a cena em que ela queimou as vans, deixando claro que, se depender dela, ninguém mais mexerá com os Mikaelsons.
Faltando apenas seis episódios para o final da série, a trama vai, aos poucos, dando indícios de como será o desfecho de alguns personagens. Vincent pode finalmente amar mais uma vez, iniciando uma relação com Ivy; Freya reatará seu romance com Keelin, elevando-o a outro nível ao ver que ela não deve perder tempo preocupando-se com sua família (tendo em vista que Hayley morreu de uma hora para a outra e qualquer um pode passar por isso); e Klaus, como dito anteriormente, pode se reconectar com Caroline. Já Hope, por outro lado, vai construindo os alicerces que sustentarão Legacies no futuro. Tudo que vem acontecendo desde o início dessa temporada com a caçula dos Mikaelsons revelará diversos pontos-chave da sua presença no spin-off como, por exemplo, sua motivação na nova série, suas características, os fantasmas que a atormentarão e a sua crença no lema da família.

Por fim, vamos aos momentos finais do episódio, sucedido após a tentativa de Marcel e Vincent em recuperar as memórias de Elijah. Primeiramente, precisamos ver que o “novo Elijah” de fato ama Antoinette, estando disposto a sacrificar tudo o que ele viveu com ela para salvá-la (podia ter pensado dessa forma com Hayley, não?) da morte certa. A tática de mordê-la foi sensacional, Klaus continua sendo o melhor estrategista da família. Ele não apenas neutralizou o irmão, como fez surgir a possibilidade de trazê-lo de volta e ainda matar a filha de Greta. Apesar disso, diferentemente de Marcel e os outros, Klaus tem noção de que fazer Elijah se lembrar do lema da família irá destruí-lo. Isso demonstra que apesar do ódio que ele vem nutrindo, o híbrido ainda preocupa-se com o irmão e as consequências que a lembrança trará para a sua saúde mental.
No entanto, acatando a proposta de Elijah, Marcel e Vincent decidiram, sem o conhecimento de Klaus, hipnotizá-lo novamente. Confesso que achei a cena belíssima, mas eu espero mais impacto dessa decisão. Elijah precisa sentir na pele o que aconteceu, até mesmo com a presença de flashbacks do passado a fim de dar mais embasamento e emoção para o seu retorno ser triunfal. Só que, é claro, nada sai como planejado e, misteriosamente, Elijah termina preso num mundo alternativo de magia negra junto de Klaus. O grande “x” da questão e o que mais gerou discussões nessa semana foi exatamente a natureza dessa cena: quem será que aprisionou os dois e por qual motivo fez isso?
Até que ponto esse momento pode afetar a realidade em que eles vivem? O contato entre eles nessa dimensão astral também pode prejudicar Hope? Estaria Inadu envolvida (tendo em vista a cor azulada da cena final) ou algo mais sombrio está por vir? Será que Kol e Rebekah também serão atraídos para o mundo-prisão? Caso tenha sido o Hollow, isso significa que o renascimento dela está cada vez mais próximo? Inadu foi a responsável por aprisioná-los de forma proposital ou o constante contato dos irmãos que provocou a sincronização das partes da alma do Hollow, presente em cada Mikaelson?
> SENSE8, O Que Esperar do Episódio FINAL (Sem Spoilers)!
Bem, pessoal, chegamos ao fim dessa review dupla. Gostaria de pedir desculpas por não ter feito a crítica do sexto episódio na semana passada. Me enrolei bastante no trabalho e na pós, o que tornou impossível de tirar algumas horas para escrevê-lo. Apesar disso, agora vejo que a morte de Hayley era importante demais para apenas um texto. Entregar essa dobradinha, com mais conteúdo e uma análise geral da fatalidade que se desenrolou nos eventos de What, Will, I, Have, Left, assim como as consequências geradas em God’s Gonna Trouble the Water, veio a calhar. Me senti honrando o peso que a personagem tem na série (pelo menos eu pensei nisso, não é, Julie Plec?). Desde já agradeço a compreensão de vocês e espero todos na próxima semana!
Curiosidades:
RIP Hayley Marshall-Kenner
Hayley surgiu pela primeira vez em The Rager, o terceiro episódio da quarta temporada de The Vampire Diaries. No núcleo de Mystic Falls a personagem teve pouca relevância, no entanto, ao surgir como protagonista em TO, Hayley foi ganhando espaço na mente do público pela sua força, perseverança e a coragem de enfrentar tudo e todos em prol dos Mikaelsons (mesmo sem ser oficialmente dela). Confesso que eu mesmo não gostava dela no início, mas aos poucos me rendi aos encantos da híbrida e me apaixonei de vez no momento em que ela salvou Klaus e os outros de Nova Orleans ao lado da pequena Hope (em The Bloody Crown), com a promessa de trazê-los de volta à ativa. Sem dúvidas sentiremos a sua falta, Hayley. Vá em paz, pequena loba!
Antoinette

Não é bem uma curiosidade, mas acho válido questioná-los: será que eu sou o único que está torcendo pela morte dessa sonsa (e do Roman, claro)? Provavelmente a personagem não sabia dos planos de Greta (sua conversa com o irmão no sexto episódio nos leva a crer que tanto ela, quanto ele, desconheciam a verdadeira motivação de sua mãe na vingança contra Klaus), mas, apesar disso, ainda quero que ela morra. Fui o primeiro a vibrar pela felicidade de Elijah com ela, mas agora, com a morte de Hayley e o envolvimento do original em toda essa tragédia, vejo que a única saída para ambos é uma morte lenta e dolorosa!
Declan O’Connell

A revelação de que Declan é primo da Camille é no mínimo curiosa (e um pouco forçada, eu diria). Declan não apenas se viu trabalhando no mesmo local que Cami, como também se envolveu com o elenco principal de Nova Orleans e ainda se relacionou com Hayley, a “primeira-dama” dos Mikaelsons. Qual será o motivo da sua introdução logo no final da série? Declan serviu apenas para cutucar a ferida da morte de Cami ou essa é uma dica de que ele (ou outro integrante da família O’Connell) estará presente em Legacies, o spin-off envolvendo Hope? Nada é por acaso em TO, meus amigos, nada!
Legacies
O novo spin-off estreará em Outubro! The Originals vai acabar, mas podem ficar tranquilos que vocês não ficarão órfãos dos meus textos: agora é oficial, serei o responsável pelas reviews de Legacies. Conto com vocês, viu?














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