Ciúmes! Traições! Mudanças! The Originals voltou e sabe exatamente onde quer chegar.

Mudanças nunca são fáceis. Seja quando você inventa de mudar o corte de cabelo, ou decide largar a faculdade de Medicina para se juntar a um circo mambembe no interior de Santa Catarina, a verdade é que você sempre vai agradar a uns e decepcionar outros. Como por exemplo, seus amigos, que esperavam que você pudesse assinar atestados médicos para eles no futuro (Marcos, eu estou olhando para você).

Mas a verdade é que, queiramos ou não, algumas mudanças sempre precisam ocorrer para seguir com a vida adiante.

E com The Originals não foi diferente.

Quando a série começou há quase dois anos, nós tínhamos apenas 3 Mikaelson vivos (mortos-vivos?) e uma renca de coadjuvantes esquecíveis. Com o tempo, os roteiristas encontraram meios de trazer o restante da família de volta e preencher o quadro de personagens, intensificando os dramas e aumentando as apostas nos jogos de poder entre os originais. E aqui ficam meus parabéns para os roteiristas, que respeitaram a mitologia já existente ao se aproveitarem brilhantemente da quantidade obscena de loopholes herdados de The Vampire Diaries.

Parte da jogada era simples: pegar o antigo recurso utilizado na trama de Klaus em The Vampire Diaries (o já famoso “body jumping“) e aplicá-lo no spin-off para trazer Finn, Kol e Esther de volta do Outro Lado (Mikael veio através de outro loophole). Mas a outra já era era arriscada: Esther não era exatamente um poço de carisma, mas Kol sempre fora um dos Originais mais queridos dos fãs – e trocar o ator para dar continuidade à sua trama… bom, parecia um tiro no escuro. Mas daí entra Daniel Sharman, vindo diretamente de Teen Wolf, e no final vimos que a produção sabia o que estava fazendo.

O que nos leva a um dos focos do episódio essa semana: o novo corpo de Rebekah.

(para facilitar eu dividi a review do episódio de acordo com os personagens ou grupo de personagens que movimentaram a trama da semana)

REBEKAH

“Corpo… humano… estúpido!”

Eu confesso que quando assisti o episódio anterior, meses atrás, fiquei preocupado. Já existia alguns indícios de que isso aconteceria, mas Rebekah não era Kol. Nós passamos muito tempo com ela – especialmente quem já a conhecida em The Vampire Diaries – e não seria tão simples aceitar a mudança de atriz. Mas veio o episódio e, cara, não é que eu reconheci a Rebekah?? O corpo havia mudado, mas lá estava ela: as expressões, o charme, a autoridade. Não precisou de cinco minutos e já era impossível negar que aquela ERA Rebekah Mikaelson, tentando fugir do hospício de bruxas – se adaptando ao novo corpo humano, sem poderes vampirescos ou presas que justificassem morder o pescoço dos outros (QUÃO constrangedor vai ser passar por aquele cara no corredor futuramente?).

Claro, ainda precisamos de mais tempo para decidir se gostamos ou não dessa nova antiga Rebekah. Mas tenho boas esperanças.

FINN

“Você é uma hipócrita. (…) Minha mãe (…), eu sei que ela gostaria que eu terminasse aquilo que ela começou.”

E enquanto Rebekah fazia novas amizades no hospício (olá ex-Esther-adolescente!) e brincava de O Sexto Sentido, um outro Mikaelson não estava tão empolgado com as reviravoltas da vida. Finn, que botou Mikael para dormir logo no começo do episódio, saiu em busca de sua mãe (colocando Klaus e Kol de castigo na mansão, junto de Marcel, Hayley e seus clãs), apenas para encontrá-la transformada no alvo de seu próprio ódio.

Sim, Esther não resistiu a tentação e bebeu todo o sanguinho que Klaus lhe deixara, preferindo tornar-se vampira a morrer (cadê todo aquele complexo de Messias agora, mulher?). E Finn, que acreditava total e absolutamente em todo o discurso corrompido da mãe, decidiu levar o jogo a outro nível e botou ela para dormir também, mas não antes de descer o verbo.

Finn está facilmente se declarando o vilão dessa nova fase – afrontando abertamente TODAS as criaturas sobrenaturais do French Quarter e canalizando o poder de seus pais para eventualmente executar seu plano de “purificação”. E agora, com o trauma de ver que sua mãe não era tudo aquilo que ele acreditava, boto fé que ele se tornará ainda pior do que ela jamais foi.

The Originals é sempre mais empolgante quando temos um bom vilão e foi um grande alívio ver Finn fazer o percurso de coadjuvante sem personalidade para um vilão bem promissor.

HAYLEY

“Não importa como eu me sinto, Jack. Não é sobre mim ou você…”

Outro alívio no episódio foi a decisão discreta de Hayley em não ouvir o conselho de Klaus: “Não é amor onde as fundações mais fortes são construídas, mas na decência de mentiras misericordiosas.” Klaus, amigo, companheiro, eu poderia escrever parágrafos e parágrafos sobre todas as “mentiras misericordiosas” da família Mikaelson que conseguiram ou chegaram muito perto de destruir todos vocês. Mas ao invés disso vou focar na nossa querida e amada Hayley, que tomou o caminho difícil e admitiu para Jackson o que ele já sabia – ela ama Elijah e a decisão de se juntar com ele é por amor ao clã, não ao indivíduo com quem ela estava casando.

E assim começamos com ficha limpa um relacionamento que promete ainda dar muito o que falar, especialmente quando os tais dos rituais de preparação começarem.

VAMPIROS VS LOBISOMENS

“Eu não tive nada a ver com o que aconteceu naquela época.”

Um tema recorrente em The Originals são sobre como os erros das figuras paternas voltam para assombrar os filhos. Esther teve um caso extraconjugal e isso condenou Klaus a anos de tortura nas mãos de Mikael. Klaus adotou Marcel, mas também envolveu-o na relação complicada com Rebekah e Mikael, resultando na sua quase morte e abandono em New Orleans. E agora, os novos vampiros vivem com a constante ameaça de uma guerra com os lobisomens, por conta de como Marcel os tratou nos últimos 100 anos quando ainda era o rei da bagaça.

Então, enquanto lobisomens e vampiros se encontraram presos na mansão Mikaelson – graças a magia de Finn – vimos que as disputas entre as espécies estão longe de acabar. Más notícias para o relacionamento de Josh (ugh… Josh) e Aiden (uma das melhores surpresas da temporada). Os lobisomens ainda lembram de como sofreram nas mãos dos vampiros e não estão dispostos a esquecer tão cedo – e Aiden tem razão em temer o que pode acontecer caso o seu relacionamento venha à tona.

KLAUS E KOL

“Eu estava prestes a recebê-lo de volta à minha casa, mas você teve que voltar aos seu ciúme egoísta e mesquinho.”

Klaus anda engraçadinho ultimamente: provocando Hayley, fazendo piadinhas. Rever a filha realmente mexeu com nosso híbrido favorito, porque eu não lembro dele tão feliz desde a última vez que ele viu Caroline em The Vampire Diaries. O que é uma boa (leve) mudança, porque o Klaus de The Originals raramente nos dava motivos para simpatizar com ele (vingança, vingança, todo mundo me trai, blá, blá, blá, whiskas sachê). É muito mais fácil se identificar com o novo Klaus, que fará qualquer coisa para proteger sua filha e lhe dar uma vida longe de todos os problemas que perseguem os Mikaelson (inclusive eles mesmos).

Em outros termos: um Klaus que protege sua família e destrói todos os inimigos.

E daí você entende a preocupação dele em definir quem é ou não é a sua família. Seus pais estão basicamente tentando matar ele e a filha dele; o mesmo vale para Finn; e Kol sempre foi aquela indecisão, diferente de Rebekah e Elijah – que apesar de tudo, realmente sempre se importaram com o pequeno “Nik”.

Então, quando Klaus castiga Kol por ter colocado Rebekah no corpo errado, não é mais por vingança ou simplesmente por se ofender com a traição, mas porque ele está tentando proteger sua família definindo quem não faz mais parte dela. E, claro, quando Kol acusa Klaus de sempre preferir a Rebekah ou Elijah, também é difícil argumentar. Kol pode ter sido até um pé no saco no passado, mas ele dificilmente fez algo pior do que tudo que Klaus já fez na vida (ou em, sei lá, um feriado prolongado). Mas, ainda assim, nunca recebeu o mesmo tratamento que o trio inseparável dispensa uns aos outros.

O que cria uma situação interessante: Kol pode vir a ser tanto um grande aliado de Klaus e cia, como também se tornar um verdadeiro vilão de tempo integral no futuro. Claro, depois que ele sobreviver à prisão doméstica com algumas dezenas (dezenas?) de vampiros famintos.

FREYA

“Freya.”

Como todos já imaginavam: Freya apareceu! Ou quase. Mais ou menos.

Mas ao menos sabemos que ela sabe soletrar! O que significa que, seja lá em que buraco nevado sua tia queixuda a enfiou, ao menos ela teve a decência de lhe ensinar o alfabeto. E o que já nos sinaliza de que, em algum momento até o final da temporada, teremos tia Dahlia chegando para colocar a segurança de Hope em risco.

E assim chegamos ao fim do primeiro episódio de The Originals do ano. Rebekah está prestes a ganhar uma irmã, Finn decidiu que irmãos mais novos são um saco, e Elijah descobriu que se sua família te larga um episódio inteiro com a Cami é porque você realmente não tem utilidade nenhuma. (Desculpa Elijah… você ainda é meu favorito. Melhoras e etc.)

– O que você achou da nova Rebekah?

– Kol: amiguinho ou vilão?

– “Desculpa, meu último corpo era um vampiro” é uma boa desculpa para morder o pescoço de alguém?

Abraços e até a próxima semana com “Brotherhood of the Damned“!

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