Não quero que The Office acabe…

Spoilers Abaixo:

Que grande ironia do destino, hein? Lembro como se fosse hoje de como fiquei satisfeito quando anunciaram que essa seria a última temporada de The Office, e quanto imaginei que já era hora de acabar. Via a série se arrastando, alternando entre bons e maus momentos e perdendo totalmente a sua identidade. Sentia a falta do Michael, da Jan e até do Todd Packer, mas tenho que admitir, eu estava errado.

Quando digo que estava errado não significa que eu mudei de opinião. Uma coisa é meu desejo de que a série não acabe, um pedido de fã mesmo, de alguém que ficou bastante feliz e até um pouco emocionado com o que a série propôs nesses dois últimos episódios, mas analisando friamente como um colunista, eu entendo que o fato da série estar apresentando uma última temporada em tão alto nível é algo extremamente saudável, afinal, de que adiantaria se empolgarem e esticarem ainda mais a série para depois perderem o nível novamente? Como colunista acho melhor a série terminar em alto nível, prefiro que como fã eu chore, sofra e fique com o eterno sentimento saudosista de como era divertido acompanhar a rotina de um pequeno escritório americano, mas isso é bom. Uma série tem de terminar assim, emocionando, apaixonando e agradando.

O que eu disse nas outras reviews se mantém aqui: The Office não está mais focado na comédia. O que antes eram episódios de quase total “risadaria”, agora se tornaram episódios tensos, com tramas elaboradas, evolução de situações, conflitos, mas com algumas pitadas de humor, afinal não podemos viver sem ele. Ao contrário das minhas outras reviews duplas, dessa vez farei a review dos dois episódios como um só, pois acho que um foi a continuação direta do outro, por isso posso vê-los como um evento único.

Primeiro quero começar com o Andy. Finalmente o personagem se encaixou! Não sei vocês, mas a ideia de vê-lo como o vilão dessa última temporada funcionou muito bem para mim e o personagem cresceu muito no meu conceito. Gostei da maneira como ele tentou prejudicar a todos, o jeito infantil de lidar com a perda do relacionamento, a forma como quase ludibriou o Wallace, mas mais ainda: o seu contra ataque mortal, trazendo de volta Alice, ex do Pete, e o saudoso Gabe, que já me fez rir com seu lugarzinho no sofá ao lado da Erin e com suas declarações nefastas. Eu sempre achei que como protagonista Andy era um fracasso. Não me fazia rir, não me cativava, eu não torcia por ele. Acho que não só para o escritório, que teve um desempenho acima de qualquer meta na ausência dele, mas para os fãs a ausência do Andy fez o nível da série crescer. Sem ele as tramas ficaram mais divertidas, tivemos foco em vários personagens e perdemos as piadas sem graça, entretanto, como antagonista a coisa mudou de figura. Os roteiristas perceberam a aversão do público ao personagem e usaram isso a favor da série o que foi genial. Gente, não é fácil pegar um ator que vem de uma enorme fama como o Ed Helms, transformá-lo no substituto do gênio Steve Carell para depois deixá-lo como vilão. Essa eu jamais esperaria, mas funcionou. E muito!

Erin e Pete fazem um casal muito melhor do que Erin e Andy. Fato. Os dois são jovens, pensam de maneira parecida, tem sintonia e são divertidos. A entrada dele e do Clark funcionou bem para a série porque ambos não quiseram roubar tempo de tela ou aparecer mais que os outros personagens e, além disso, tirando a similar aparência com Dwight e Jim cada um chegou com uma personalidade própria, sem estereótipo de algum outro personagem. Só fiquei chateado que todo o esforço do Clark com a Jan foi em vão. Aliás, Clark tem um jeito irônico, mas sutil muito legal. Diferente do Jim, que usava a ironia e o sarcasmo para ridicularizar o Dwight perante todo mundo, Clark age como na moita, sempre por trás das cortinas, mas não vejo o personagem se inibindo, exemplo disso foi o que ele fez com a Nellie na hora da manicure. Vai ver se ela vai se meter a besta de ridicularizá-lo de novo.

Jim e Pam. Eita casal complicado. Não posso negar que essa briga eterna que até agora não deu em nada me incomoda um pouco, mas os roteiristas estão dando tanto, mas tanto foco nisso que algo muito sério tem de acontecer. Não acho que eles deram tanta importância à mudança de vida deles para que isso termine numa briga e reato no mesmo episódio. Os dois estão em rota de colisão, não são como antes, não pensam como antes e buscam objetivos diferentes. E isso é outra coisa que bato palmas para a série. Em nove temporadas ambos os personagens mudaram tanto, que não há como ver uma verossimilhança do que acontece com eles para o que acontece com nós mesmos. Eu mesmo já cansei de ver namoros e até casamentos terminando justamente porque uma pessoa do casal mudou de tal maneira que já não era a mesma pela qual a outra pessoa tinha se apaixonado. Jim não é mais o vendedor com tempo de sobra que focava seus esforços para planejar uma brincadeira com o Dwight. Jim passou por muitas situações: foi vendedor, mudou de filial, voltou, casou, teve filhos, quase virou gerente, mudou de cidade… Obviamente todas essas mudanças afetariam qualquer um e olha que a Pam não fica por baixo: foi recepcionista, vendedora, casou, teve filhos, saiu da empresa, voltou, assumiu o controle do prédio, intensificou sua carreira como artista… O caminho dos dois, que antes estava lado a lado, toma um rumo completamente diferente e isso é algo muito sério, por isso, mesmo me incomodando um pouco toda essa briga deles, acho que isso servirá para algo forte, intenso, emocionante, mas muito bom.

Por fim Dwight e Angela. Se no primeiro episódios ambos agiram separados, com destaque para o Dwight imitando o Andy e tentando passar a perna nele, no episódio seguinte ambos protagonizaram uma das cenas mais bonitas da série até aqui. Não tem como não se emocionar ao ver um cara turrão, grosseiro e sem noção nenhuma como o Dwight abrindo o coração da maneira como fez.

“We belong together”

Só faltou a trilha da Mariah Carey. Foi sincero, bonito e eu espero que a série siga a ordem natural das coisas e faça o senador e o Oscar ficarem juntos, mesmo que em segredo e deixem o caminho livre para Dwight e sua macaquinha. O jeito que ela cuidou da tia do Dwight foi demais, aliás, mais uma vez me entristece a decisão da NBC de não ter ido à frente com o projeto do The Farm. A tia do Dwight seria mais uma célebre personagem a enriquecer esse projeto junto com os amigos bizarros mostrados no episódio 9×13 – Junior Salesman.

Ainda tivemos outros diversos momentos interessantes, mas acho que vou citá-los nas observações, mas dois deles queria deixar marcado: a nota de rodapé do computador do Oscar ao final do episódio. Então o objetivo da filmagem durante dez anos era para a criação de um documentário? Tudo bem, isso é óbvio demais, não foi nada tão especial para mim, mas como isso será abordado? Afinal, se eles fizeram uma série dentro da série, teoricamente os funcionários da Dunder Mifflin ficarão famosos… A cada episódio fico ainda mais curioso em como a série abordará essa questão tão importante e reveladora. Ficar num documentário obsoleto seria um tiro no pé…

O outro foi a sessão nostalgia com o clone de Michael Scott. Sério, os produtores foram muito sacanas em terem feito isso. O jeito, o olhar, os gestos e até a voz eram idênticas. As piadas, poxa, imagino como Pam deve ter se sentido ao passar por tudo isso. Se para nós um filme passou pelas nossas cabeças imagina na dela? Acho que todos da Dunder Miflin, já que o Andy não foi demitido, deveriam se mudar para a Imobiliária Simon, imagina? Terminar a série quase do jeito que ela começou? Seria incrível, mas Pam fez a escolha certa: ao ver o retrocesso profissional que significaria voltar a ser recepcionista novamente após tanto se dedicar para ser uma profissional de sucesso mostra a evolução dela, mas trabalhar com o Michael Scott da Filadélfia seria muito tentador.

Com dois episódios amarrados, contínuos, impactantes e reveladores, The Office vai se encaminhando para seu final em grande estilo, mostrando que não se fica nove anos no ar apenas por sorte…

Observações:

– Gangnam Style do Mark foi ótima! Uma pena não ter mais o Carell para aproveitar as atualidades do cotidiano e adaptá-las ao seriado.

– Oscar e Darryl ficaram legais como casal. Será que o Darryl vira a casaca?

– E o Toby, hein? O cara deveria ir num terreiro, só por Deus! O cara passa dois anos acreditando que o tal do estrangulador era inocente e quando vai visitá-lo quase vira uma nova vítima. Se o Michael viu a notícia da TV acho que mandará um presente para o estrangulador na cadeia.

– Dois episódios e nenhuma fala do Creed? Poxa assim é sacanagem…

– Ver o Kevin ser tão coadjuvante e quase inexistente nesses dois últimos episódios me mostraram o quanto a série está focada em mostrar somente acontecimentos importantes e relevantes. Quando querem empurrar com a barriga jogam nas costas do Kevin e deixe ele se virar com suas bizarrices.

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