O último homem na Terra continua sua trajetória tentando se reajustar à vida em sociedade. Isso não quer dizer que Phil Miller já deixou de ser um idiota, muito pelo contrário. Os episódios dessa semana de The Last Man on Earth brincam com o mesmo conflito interno entre ser uma boa pessoa e ser egoísta e, mesmo com os contornos de estudo da condição humana, não deixam de fazer graça com a situação extrema da história, provando mais uma vez que esta é uma das melhores comédias dos últimos meses.
Nem em seus sonhos Phil consegue fugir da triste realidade de que quem está pegando Melissa é Todd, a “porra do gorducho” que insiste em ser bom em tudo que faz. Ele até tenta reagir bem quando sabe da novidade, mas ouvir She Drives Me Crazy toda vez que Todd e Melissa transam deve deixar qualquer um louco. Ao contrário da obsessão sem sentido que tomou conta dos episódios passados e acabou saindo de controle, a dor do protagonista é compreensível agora.
Phil sendo Phil, ele prefere arranjar uma desculpa a ser honesto com as pessoas, e é assim que – depois de literalmente se afogar em bebida –, o Presidente dos Estados Unidos convoca uma reunião para tomar uma atitude em conjunto com a comunidade quanto à barulheira dos vizinhos. O tiro sai pela culatra e a única decisão tomada é a de que Phil deve limpar sua piscina/sanitário, porque ninguém mais aguenta o fedor que se espalha pela vizinhança.
Para quem sentiu falta da comédia física de Will Forte nos últimos episódios, a primeira tentativa de limpar a piscina é uma cena que nos leva de volta ao piloto, aquela época distante onde tudo era mais simples para o protagonista. Ele acaba interrompido por Melissa no meio de um colapso nervoso por causa da merda literal em que se encontra; a loira veio se desculpar pela falta de tato quanto aos sentimentos do protagonista. Mas o que Phil retira da conversa é que sua vida seria muito melhor se Todd não tivesse aparecido. Naturalmente, a solução encontrada é se livrar do cara.
Se livrar de um problema, no entanto, não é resolvê-lo. A indecisão de Phil quanto a deixar Todd no meio do nada ou não é a maneira que os roteiristas encontraram de representar qualquer um de nós que se esforça em fazer o certo mesmo quando fazer o errado é mais fácil. E não dá pra não elogiar o trabalho de Will Forte em momentos assim. Equilibrar comédia e situações reflexivas como essa não é algo fácil, mas ele consegue sustentar a cena e nos entregar risadas nas caras e bocas do sofrimento de Phil sem forçar a barra.
Quando Todd agradece o amigo por tê-lo “encontrado”, Phil percebe o quão idiota vem sendo. Ele pede desculpas mesmo sem especificar o porquê e decide que já passou da hora de ser uma pessoa melhor. É assim que ele termina de limpar sua piscina cheia de merda (olha a metáfora aí, gente). Será que Phil Miller finalmente avançou como personagem?
1×08: Mooovin’ In

Não é o que nos mostra o segundo episódio da semana. Dessa vez, parece que está tudo nos eixos na pequena comunidade de últimas pessoas no mundo. Até que Phil joga fora – mais uma vez – tudo que aprendeu em lições passadas ao quebrar “sem querer querendo” a escultura que Todd fez em homenagem a seus novos amigos.
Convenhamos que Todd está mesmo se tornando um pé no saco ao se revelar uma pessoa cada vez mais incrível, mas isso não justifica o plano que Phil e seus amigos imaginários criam para que o personagem volte a ser o centro das atenções. Que coincidência, então, que uma vaca aparece para o personagem. O grande gesto que Phil precisava praticamente caiu do céu. Mas qual é a desse tal vírus que acabou com 99,9% da vida na Terra, hein? O que essas pessoas e essa vaca têm de especiais?
É para a alegria de todos e a decepção de Phil que Todd sabe não só ordenhar a vaca como fazer queijo, manteiga e tudo que é derivado do leite. E nem adianta fingir que é intolerante à lactose para ganhar hambúrgueres e atenção por uma noite. O que fazer, então? Sabotar o grupo em função de crédito pessoal, claro. Phil some com o animal e planeja fingir que o encontrou de novo para ganhar a atenção das mulheres – ou melhor, de Melissa –, mas a loira já conhece bem o cara e não compra a história dele.
Quando Phil vai ao bar onde escondeu o animal, acaba entrando no que se tornou uma cena de crime: a vaca sumiu de verdade após assassinar Gary, a bola de vôlei. Para não colocar tudo a perder, Phil procura desesperado pelo animal, até que vê ninguém menos que Todd voltando para casa com ela (que devia ser presa, ninguém vai fazer nada quanto ao assassinato?). É assim que ele percebe que perdeu a competição que criou em sua própria cabeça.
Provando-se uma pessoa melhor que o protagonista, Todd decide dizer que quem encontrou a vaca foi Phil, uma maneira de agradecer ao amigo por ter mudado sua vida ao apresentá-lo para a mulher de seus sonhos. De novo se colocando acima de todos, o protagonista não está nem aí para o sentimento por trás do gesto, o que ele quer é a atenção de todos mesmo. É mais uma maneira de mostrar o quão falho é o protagonista (e todos nós que nos identificamos com ele por pior que se revele).
A segunda trama do episódio é sobre Carol e sua inveja (?) do carinho e atenção que existem entre o casal Melissa e Todd. Mesmo com o pouco tempo de tela que vem recebendo desde que Todd e Melissa chegaram, Carol continua sua busca por uma vida comum ao lado de família e amigos. Ainda que Phil continue ignorando-a, ela insiste em seu objetivo: talvez morar com seu marido faça com que as coisas melhorem entre os dois. E já que ele não colabora, ela mesmo dá um jeito de ir morar com ele ao colocar a vaca no andar de cima de sua casa.
Assim, She Drives Me Crazy e Mooovin’ In se complementam como mais uma aprofundada em Phil. A essa altura, The Last Man on Earth já acertou seu passo quanto ao equilíbrio de comédia e estudo de personagem, por mais que isso decepcione algumas pessoas que esperavam mais do humor e do feeling do piloto da série. Os próximos episódios, daqui a duas semanas, já formam o finale da primeira temporada. Não há dúvidas de que os arcos todos serão finalizados, mesmo que sobre espaço para pontas levando à uma segunda leva de episódios. Até lá, dá tempo de especular, certo?
Uma teoria…
Como prometido nos comentários da semana passada, revelo agora minha teoria quanto a The Last Man on Earth. Os créditos não são 100% meus, e talvez seja procurar cabelo em ovo, mas aqui vai: já perceberam como os outros personagens não são tão aprofundados quanto Phil? Ok que ele é o protagonista, mas isso não justifica a falta de atenção dada a Carol, por exemplo. O que me faz perguntar se os outros personagens não são meras representações “físicas” da mente de Phil que apareceram para salvá-lo da loucura (ou como consequência da própria), já que só começam a aparecer quando ele está prestes a se matar. Carol seria a parte “chata” da consciência, que gosta de obedecer as regras e viver em ordem. Melissa representaria a sexualidade de Phil (e o azar em nunca conseguir transar com ela seria para evitar que ele caísse na realidade quando percebesse que Melissa nunca existiu). Todd é tudo de bom que existe/existia em Phil. E o gêmeo do mal que vai aparecer nos próximos episódios é a parte má do protagonista. A vaca é só um meio de tentar alcançar seu objetivo de ser o centro das atenções.
E aí, loucura ou faz sentido? Dividam suas ideias nos comentários do post.















