Será mesmo que estamos diante de uma Alicia que seguirá em seu próprio caminho?
Era uma vez uma advogada inativa que após se casar com um político muito promissor, decidiu que se dedicaria apenas a família por um bom tempo. Com os filhos criados e entregue à melancolia de ver-se traída e humilhada, decide voltar a exercer sua amada profissão. Essa mulher então, decide pedir ajuda a um antigo amigo e consegue um emprego na firma dele. Seu talento e influência a fazem subir rápido e após algum tempo, ela percebe que já pode se desligar e começar um novo caminho. De novo, esse caminho precisa ser repartido e ela o faz de bom grado. Sua nova firma poderia dar muito certo, mas a ação do destino faz com que ela precise reavaliar tudo, voltando para o mesmo lugar que a abrigara certa vez e de onde já tinha ido embora. Mais destino entra em ação e ela precisa ir sair de novo, para agora sim, enfim, ver-se agindo por si mesma e para o único e exclusivo autobenefício.
Tenho certeza que muitos de vocês estão se perguntando a mesma coisa que eu: Sem Florrick & Agos e Lockhart & Gardner, pra onde Alicia iria? É uma pergunta justa, sejamos honestos. Sempre quisemos saber onde Alicia iria estar. Porém, nunca nos perguntamos porque sempre achamos que ela tem que ir para algum lugar para continuar sendo quem é. Se Alicia não adentrar ou criar firma alguma, a continuidade de The Good Wife fica tão comprometida assim?
É natural pensar que sim… A primeira possibilidade negativa é a de que os personagens que estão lá na antiga firma fiquem à deriva dos eventos principais ou que toda a cidade passe a ter somente dois endereços na hora de contratar advogados e Alicia e Diane passem o resto da vida se enfrentando na corte. Isso nos leva até a segunda possibilidade negativa, que é a perda das tensões inerentes ao trabalho dentro de uma organização hierárquica estabelecida. Já sabemos muito bem que isso funciona pra caramba dentro do show.
Sei que nessa semana tivemos um caso grande, que envolvia FBI e quase atrapalhou a relação entre Alicia e sua nova amiga Lucca. Mas, só consigo recordar o quanto me consterna que a ligação que existe justamente entre Alicia e Diane, seja constantemente atingida por mal-entendidos. Não é a primeira vez e não entendo porque nunca pode haver um diálogo antes da reação. Não me entendam mal, eu adoro ver as duas brigando, mas esse é um caso conflituoso para a cabeça do fã. Queremos que elas se desentendam, mas, também sabemos da forte admiração que uma nutre pela outra. Nesse episódio, Diane agiu por admiração e isso fez a coisa toda parecer ainda mais difícil de assistir.
A situação de Howard na firma foi a pauta para chegar até um novo conflito entre Lockhart e Florrick. Os Kings resolveram investir no personagem, dando-lhe até mesmo um interesse romântico pela sogra de Alicia. Ainda acho a situação na firma bem periclitante, não só pelo distanciamento com a protagonista, mas porque aquele parece ser um território dissonante do que acontece com Alicia fora dele. Então, voltamos ao mesmo lugar onde paramos… Nos perguntar se realmente a série abraçou o momento de manter a personagem separada de suas zonas seguras, ainda que alguns personagens sofram com isso.
O caso da semana foi bastante interessante e muito bem engendrado, envolvendo a relação de Alicia com Lucca e as novas jogadas políticas de Eli. Eli, aliás, tem sido um deleite, com sua sala minúscula onde todo mundo tropeça. Vê-lo tão determinado a acabar com Ruth é maravilhoso, porque embora o personagem tenha muita força, ele reage ao prazer da vitória ou da vingança com uma expressão divertida, quase infantil. Definitivamente, quero ver como Peter vai lidar com o fracasso de sua nova contratada. Sim, porque Ruth até agora não me mostrou a que veio e Eli está salvando juízes questionáveis da prisão só pra se manter no páreo.
Enfim, não é como se ainda não tivéssemos tido alguns sinais do futuro do show. Sem dúvida, esse episódio não foi o suficiente para dizermos: Sim, agora sei pra onde vou e mal posso esperar para ir. Não tenho segurança alguma sobre a permanência de Alicia sem vínculos empregatícios. Mas, tenho torcido veementemente por isso. Acho que para uma série que insistiu tanto – e tolamente – no “triângulo amoroso das latências “, entregar sua protagonista a uma jornada pessoal unificada pode ser uma das melhores coisas que essa dramaturgia já fez por si mesma.
Objection: Sei que amamos a mãe de Alicia, mas sua participação prometeu muito e entregou apenas o correto. Assim, o plot do programa de culinária deu nome ao episódio, mas a protaginista acabou “cozida” de formas muito mais metafóricas.















