Aqueles momentos singelos que antecedem o clímax…

Essa é a melhor forma que encontrei de definir esses dois episódios que antecedem a Season Finale de The Good Wife, mas, ainda assim, tenho dúvidas desta afirmação quando analiso a 5ª temporada como um todo e percebo que esta foi uma temporada de vários clímax, um mais surpreendente que o outro.

Aliás, creio que desde a morte de Will, esses foram os episódios mais calmos que a série nos apresentou, focando-se nas crises internas da Lockhart & Gardner e da própria Alicia, que começou a questionar o momento em que sua vida se encontra… Mas não podemos nos levar pelas aparências em The Good Wife e a aparente calmaria de “The Deep Web” e “The One Percent” com certeza escondem a estruturação de grandes planos para uma Season Finale que precisa coroar de uma vez por todas essa temporada espetacular da série.

Em “The Deep Web” continuamos a ver como Alicia e Diane estão lidando com a morte de Will e como estas seguiram caminhos completamente opostos. Enquanto Diane tira forças sabe-se lá de onde para permanecer firme e no controle de uma LG que, cada vez mais, se mostra à beira do colapso, o que compreende problemas com importantes clientes e as tramoias de Louis Canning e David Lee para derrubá-la do posto de sócia controladora, Alicia, por outro lado, é obrigada a enfrentar um enorme vazio em sua vida ao ter seu primeiro dia de folga em muito tempo e, com isso, começou a questionar seriamente se está seguindo o rumo certo em sua vida.

As dúvidas de Alicia são bem plausíveis e, apesar de deixa-la em segundo plano e até mesmo um pouco frágil – sobretudo diante de uma Diane que estava absolutamente inspirada no mesmo episódio – têm um efeito muito bom de humanizá-la e fazer com que ela respire pela primeira vez em cinco anos…

Se pararmos bem para pensar, conhecemos Alicia sob a pressão dos escândalos de Peter, logo em seguida lidando com a pressão do retorno ao trabalho e as dificuldades em carregar o nome Florrick, então Peter sai da prisão, seu relacionamento com Will começa a se complicar, sua competição com Cary aumenta, ele sai do escritório, logo Peter já estava concorrendo a Governador e, quando parecia que uma calmaria em sua vida com a sua promoção à sócia da LG, a própria Alicia decide jogar tudo para o alto e enfrentar os desafios de abrir sua própria firma com Cary… UAU! Me surpreende muito que Alicia tenha ficado sem reação ao ter ganhado um dia de folga. Essa mulher praticamente não parou em nenhum momento…

E se Alicia ganha seu destaque no episódio se mostrando humana e sei deixando até parecer frágil, fragilidade esta que se mostra em momentos simples, como sua ausência de proximidade com a tecnologia ao tentar ver um filme, ou a dúvida entre ir ou não tomar um drink com o estranho que conheceu no Tribunal mais cedo.

Diane segue no caminho completamente oposto, abafando seu luto para lidar com uma LG cada vez mais incendiada, principalmente pelos seus próprios sócios, Louis Canning e David Lee. E se lidar com esses dois já não fosse trabalho suficiente, Diane ainda tem que lidar também com conflitos éticos, ao enfrentar uma complicada situação em que o neto de um de seus maiores e mais importantes clientes, em um claro conflito ético em defender o garoto que era culpado de criar uma rede criminosa na internet.

E se de um lado Alicia permitia que o público a enxergasse da forma mais humana que poderia se mostrar, de outro, Diane se revestiu de uma força descomunal, incompatível com a elegância que a personagem sempre teve e foi, literalmente, à guerra… Como a própria Diane disse durante o episódio, é bom possível que ela realmente tivesse canalizando o espírito de Will, pois só isso pra justificar a força que aquela mulher demonstrou, mesmo visivelmente abatida – trabalho fantástico de Christine Baranski, as usual – uma força e uma garra impressionantes, mesmo levando tapas de qualquer direção em que se virasse.

E o mais surpreendente é que, depois de vermos esse pequeno lampejo de personalidades até então escondidas de Alicia e Diane, logo no episódio seguinte, “The One Percent”, tudo voltou “ao normal”. Diane começou a mostrar-se mais frágil, o que permitiu o crescimento de Louis Canning, e Alicia, novamente, voltou ao seu natural ao lidar com um milhão de coisas ao mesmo tempo, sobretudo com a retirada do apoio de Peter à candidatura de Finn à Procuradoria e uma grande causa onde tudo poderia ter ido por água abaixo em razão dos comentários de seu cliente que, a cada entrevista que dava, dificultava o trabalho de Alicia dentro dos tribunais.

E se a trama de fundo e uma pequena tentativa de brincar com a questão das minorias e de que nessa era do politicamente correto você não pode falar absolutamente nada sem irritar algum grupo, acaba não funcionando muito bem, por outro lado as questões políticas, sobretudo aquelas que envolvem o controle da LG e a eleição para a Procuradoria Estadual, ganham avanços significativos e devem ser o centro da história na Season Finale.

Agora temos uma Diane que não mostra mais tanta força para lutar e a “derrota” para Louis Canning durante o episódio mostra bem isso… Por outro lado, Finn Polmar parece disposto a continuar nas eleições à Procuradoria, mesmo sem o apoio de Peter, que acabou caindo no golpe de Castro e, por achar que pode haver um algo entre o promotor e Alicia, acabou entrando em uma zona nebulosa, se envolvendo com a estagiária… Se Bill Clinton pudesse falar com Peter, ele certamente iria dizer que isso é uma grande cilada.

E assim, com dois episódios que, à princípio, não parecem ter grande impacto na trama, vimos que The Good Wife já colocou todas as peças da Season Finale delicadamente sobre a mesa e tudo o que podemos esperar é um final à altura do que foi essa temporada.

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