Mesmo Elizabeth tendo vivido para suceder o seu pai no trono, a forma com que isso aconteceu foi de forma abrupta como pudemos acompanhar nos episódios anteriores. E se antes o foco era nessa transição em saber lidar com diversas forças e opiniões, agora a política entra com tudo na história. Diversas séries abordam a política como mote principal (Veep, House of Cards, The West Wing), porém essa abordagem contemporânea entre monarquia e política é algo que não estamos familiarizados a acompanhar, e está sendo bastante interessante.
Todo soberano precisa de conselheiros para tomar as melhores decisões e Elizabeth enxerga na sua vó essa pessoa principal. Mary tem um conhecimento político e estratégico sobre a monarquia e o governo do Reino Unido que só ajudará sua neta no seu reinado. Política é poder, mas quando você não é eleito e mesmo assim possui uma enorme força nas posições do seu país, como saber o limite entre os dois, quando interver? Essas questões foram as principais desse episódio, chamado de “Ato Divino”.
A série conseguiu relacionar a “vontade” de Deus fazer com que alguém nasça monarca e precise exercer esse mandato, com o grande nevoeiro que aconteceu em Londres no ano de 1952. A pressão do Partido Trabalhista com o mandato de Churchill é tão grande que chegou na rainha. Mas aí que está a questão, um monarca deve utilizar do seu poder para interferir em questões governamentais? George VI lidou diferente de sua filha quando confrontado para conversar com o Primeiro Ministro sobre a sua possível renúncia do cargo político. A situação do país era outra, sem sombra de dúvidas como afirmou Tommy, porém toda essa pressão em Elizabeth II é mais por conta da sua inexperiência no cargo e ter a aparência de uma mulher “frágil”.

Em círculos nos quais homens exercem a maioria das decisões e mulheres na maioria das vezes são apenas secretárias e/ou correspondentes, os homens tendem a menosprezar mulheres e acham que elas podem ser manipuláveis. A rainha Elizabeth II já mostrou que consegue lidar com essa situação muito bem, a diplomacia é algo nato dela, e como sua avó aconselhou-a há momentos nos quais não se deve tomar partido, mesmo sendo difícil não se posicionar, a melhor e a coisa mais difícil de fazer é não se posicionar.
Se para um monarca é necessário medir toda essa intervenção na política do governo, para os governantes é fundamental se posicionar. Churchill era o líder do Reino Unido na época e enquanto defendia não fazer nada, se Deus mandou ele acaba, o caos reinava em Londres. O egoísmo dos políticos mostra que só quando a situação lhes afeta de alguma maneira é que medidas são tomadas. Com o Primeiro Ministro não foi diferente, mesmo sofrendo duras críticas do seu partido e outras forças internas se articulando para tentar tirar a sua posição, ele só toma uma atitude quando sua secretária morre. Churchill foi um político fundamental na 2ª Guerra Mundial e voltar ao poder não foi a melhor decisão, por conta do seu ego ele preferiu voltar e sofrer críticas fundadas sobre sua forma de governar.
No fim um nevoeiro que podia ter sido evitado se sancionado a lei anteriormente foi chamado de ato divino, e um político que se omitiu até quando não pôde mais se saiu como herói. De divino toda essa situação não teve nada.
> Veredito da 3ª temporada de Black Mirror!
PS1: A necessidade da mudança rápida na conversa que Elizabeth II teria com Churchill mais uma vez mostra que de besta e ingênua ela só tem a cara.
PS1: Que fotografia linda quando o sol volta!
PS3: A burocracia monárquica é tão grande que até decisões pessoais precisam passar pelo gabinete do Primeiro Ministro, eu hein!














